Poema: Cultura, de Arnaldo Antunes
O girino é o peixinho do sapoO silêncio é o começo do papoO bigode é a antena do gatoO cavalo é pasto do carrapatoO cabrito é o cordeiro da cabraO pecoço é a barriga da cobraO leitão é um porquinho mais novoA galinha é um pouquinho do ovoO desejo é o começo do corpoEngordar é a tarefa do porcoA cegonha é a girafa do gansoO cachorro é um lobo mais mansoO escuro é a metade da zebraAs raízes são as veias da seivaO camelo é um cavalo sem sedeTartaruga por dentro é paredeO potrinho é o bezerro da éguaA batalha é o começo da tréguaPapagaio é um dragão miniaturaBactérias num meio é
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