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Historias e Sonhos-Lima Barreto

Historias e Sonhos-Lima Barreto

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01/22/2013

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text

original

 
Hist
ó
rias e Sonhos, de Lima Barreto
Texto proveniente de:A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro <http://www.bibvirt.futuro.usp.br>A Escola do Futuro da Universidade de S
ã
o PauloPermitido o uso apenas para fins educacionais.Texto-base digitalizado por:Virtual Bookstore <http://www.vbookstore.com.br/> - a livraria virtual da Internet Brasileira.Texto scanneado e passado por processo de reconhecimento
ó
ptico de caracteres (OCR) por Renato Lima<rlima@elogica.com.br>, gra
ç
as a doa
çã
o a partir da Cognitive Software do seu excelente Cuneiform<http://www.orcr.com>.Este material pode ser redistribu
í
do livremente, desde que n
ã
o seja alterado, e que as informa
çõ
es acima sejammantidas. Para maiores informa
çõ
es, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>.Estamos em busca de patrocinadores e volunt
á
rios para nos ajudar a manter este projeto. Se voc
ê
quer ajudar dealguma forma, mande um e-mail para <bibvirt@futuro.usp.br> e saiba como isso
é
poss
í
vel.
Hist
ó
rias e Sonhos
Lima BarretoQuando a impress
ã
o deste livro ia j
á
pela metade, ocorreuo falecimento de Prud
ê
ncio Cotejipe Milan
ê
s, a quem
é
elededicado. Milan
ê
s foi meu chefe de se
çã
o na Secretaria daGuerra; mais do que isso, por
é
m, foi um meu amigo bondosoe paternal.N
ã
o fora ele e alguns outros companheiros, n
ã
o me lembrariamais de que havia passado pelas catacumbas do QuartelGeneral, onde se guardam, com o m
á
ximo cuidado, nos seusata
ú
des, adornados de belos dourados e pinturas, tantasm
ú
mias que nem hier
ó
glifos enigm
á
ticos possuem nos seuscaix
õ
es mortu
á
rios, a fim de permitir ao curioso, com esfor
ç
o esagacidade, decifrar-lhes os nomes, o que foram e o que fizeramde
ú
til e grande na vida.Milan
ê
s morreu, como j
á
foi dito; e a dedicat
ó
ria devia serem outros termos:
à
mem
ó
ria, etc., etc., etc. Tem de ficar comoest
á
, fazendo crer ao desprevenido que ele ainda
é
destemundo. N
ã
o havia inconveniente algum nisso, pois, para mim,talvez seja essa a forma exata e justa de homenagear o meugeneroso amigo, tanto ele
é
vivo na minha saudade e na minhagratid
ã
o. Era preciso, entretanto, explicar isto ao leitor; e
é
O que estas breves linhas pretendem.Rio, 8 de dezembro de 1920L.B.AMPLIUS!Corno me parecesse necess
á
rio um pref 
á
cio para essa colet
â
nea
 
de contos e fantasias de v
á
rias
é
pocas e cousas de minha vida, julguei-me no direito de republicar,
à
testa dela, as linhasque se seguem, com o t
í
tulo acima, editadas poucos meses depois doaparecimento do meu livro Triste fim de Policarpo Quaresma.Apareceram em um jornal de grande circula
çã
o da cidade do Riode Janeiro, A
É
poca, e eu tive com elas o intuito de esclarecero que poderia haver de obscuro em certas passagens dos meus humildestrabalhos. Trata-se agora de contos e cousas parecidas, mais doque nunca elas me parecem necess
á
rias
á
boa intelig
ê
ncia do que aminha m
ã
o in
á
bil quis dizer e n
ã
o soube; e eu as transcrevo aqui, nasuposi
çã
o de que n
ã
o s
ã
o demais.Ei-las como sa
í
ram em setembro de 1916:Tendo publicado, h
á
poucos meses um livro, poder
á
parecer aalguns leitores que estas linhas se destinam a responder cr
í
ticas feitas
à
minha humilde obra. N
ã
o h
á
tal. J
á
n
ã
o sou mais menino e,desde que me meti nessas coisas de letras, foi com toda a decis
ã
o,sinceridade e firme desejo de ir at
é
ao fim.Quem, como eu, logo ao nascer est
á
exposto
á
cr
í
tica f 
á
cil detoda gente, entra logo na vida, se quer viver, disposto a n
ã
o se incomodarcom ela.A
ú
nica cr
í
tica que me aborrece
é
a do sil
ê
ncio, mas esta
é
determinada pelos invejosos impotentes que foram chamados a coisas deletras, para enriquecerem e imperarem. Deus os perdoe, poisafirma Carlyle que men of letters are a perpetual priesthood.De resto, todos os cr
í
ticos s
ó
tiveram gabos para a minhamodesta novela; e, se n
ã
o foram alguns me serem quase desconhecidos,temeria que fossem inimigos disfar
ç
ados que conspirassem para mematar de vaidade.A raz
ã
o destas linhas
é
outra, muito outra, e eu explico j
á
.A emo
çã
o do recebimento de uma carta an
ô
nima s
ó
me foi dadoexperimentar ultimamente. Muitas dessas coisas banais da vidat
ê
m-me chegado assim tardiamente e algumas, pouco corriqueiras, antesdo tempo normal aos outros.A carta era an
ô
nima, mas absolutamente n
ã
o era injuriosa. Vinhaescrita em linda letra e eu tenho pena em n
ã
o acredit
á
-lafeminina, pois se fosse meteria uma inveja doida aos galantes dos cinemase maxixes da moda, linda gente feita de pedacinhos de mulheresfeias.N
ã
o tive portanto a emo
çã
o da carta an
ô
nima, pois a missiva eracort
ê
s, fazendo sobre o meu Policarpo reparos sagazes e originais.Simpatizei tanto com o escrito que n
ã
o pude furtar-me ao desejode responder, de qualquer forma que pudesse, ao desconhecidoautor.E o que pretendo fazer aqui.Apesar de toda a intelig
ê
ncia que ressuma nas palavras que aep
í
stola cont
é
m, n
ã
o me parece que o autor estivesse, em certosquarteir
õ
es, muito fora dos modos de ver da nossa ret
ó
rica usual.Percebi que tem de estilo a no
çã
o corrente entre Leigos e...Literatos, isto
é
, uma forma excepcional de escrever, rica de
 
voc
á
bulos, cheia de
ê
nfase e arrebiques, e n
ã
o como se o deve entender como
ú
nico crit
é
rio justo e seguro: uma maneira permanente de dizer,de se exprimir o escritor, de acordo com o que quer comunicar etransmitir.Como n
ã
o tocasse de frente em tal quest
ã
o, deixo de partesemelhante ponto e reservo uma resposta mais ampla, detalhadapara qualquer cr
í
tico ulterior. Veremos, ent
ã
o, se Descartes tem oun
ã
o estilo; e se Bossuet
é
ou n
ã
o um estilo.O que, por
é
m, me faz contestar o meu am
á
vel correspondentean
ô
nimo,
é
a sua insist
ê
ncia em me falar na Gr
é
cia, na H
é
ladesagrada, etc., etc.Implico solenemente com a Gr
é
cia, ou melhor: implico solenementecom os nossos clor
ó
ticos gregos da Barra da Corda e pan
ç
udos helenosda praia do Flamengo (vide banhos e mar).Sainte-Beuve disse algures que, de cinq
ü
enta em cinq
ü
entaanos, faz
í
amos da Gr
é
cia uma id
é
ia nova. Tinha raz
ã
o.Ainda h
á
bem pouco o senhor Teodoro Reinach, que deveentender bem dessas coisas de Gr
é
cia, vinha dizer que Safo n
ã
oera nada disso que n
ó
s dela pensamos; que era assim como Mme.S
é
vign
é
. Devia-se interpretar a sua linguagem misturada defogo, no dizer de Plutarco, como uma pura exalta
çã
o da mulher. A poesias
á
fica seria, em rela
çã
o
à
mulher, o que o di
á
logo de Plat
ã
o
é
em rela
çã
oao homem. Houve esc
â
ndalo.N
ã
o
é
este o
ú
nico detalhe, entre muitos, para mostrar de quemaneira podem variar as nossas id
é
ias sobre a velha Gr
é
cia.Creio que, pela mesma
é
poca em que o senhor T. Reinach lia,na sess
ã
o das cinco academias reunidas, os resultados das suasinvestiga
çõ
es sobre Safo, se representou na Opera, de Paris, umdrama l
í
rico de Saint-Sa
ë
ns - Dejanira. Sabem os leitores como vinhamvestidos os personagens? Sabem? Com o que n
ó
s chamamos nas casas das nossasfam
í
lias pobres - colchas de retalhos. Li isto em um folhetim dosenhor P. Lalo, no Temps.Esta modifica
çã
o no trajar tradicional dos her
ó
is gregos, poisse tratava deles no drama, obedecia a injun
çõ
es das
ú
ltimasdescobertas arqueol
ó
gicas. O meu simp
á
tico missivista pode ver a
í
como a suaGr
é
cia
é
, para n
ó
s, inst
á
vel.Em mat
é
ria de escultura grega, podia eu, com o muito poucoque sei sobre ela, epilogar bastamente. E suficiente lembrarque, de acordo com os preceitos gregos, as obras esculturais n
ã
o podiamser pintadas.
É
que eles tinham visto os m
á
rmores gregos lavados pelas chuvas;entretanto, hoje, segundo Max Collignon, est
á
admitido que asfrisas do Partenon eram coloridas.A nossa Gr
é
cia varia muito e o que nos resta dela s
ã
o ossosdescamados, insuficientes talvez para recomp
ô
-la como foi emvida, e totalmente incapazes para nos mostrar ela viva, a sua alma,as id
é
ias que a animavam, os sonhos que queria ver realizados na terra,segundo os seus pensamentos religiosos.Atermo-nos a eles, assim vari
á
vel e fugidia,
é
impedir querealizemos o nosso ideal, aquele que est
á
na nossa consci
ê
ncia, vivo no

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