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Humanização do Atendimento em Saúde

Humanização do Atendimento em Saúde

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Humanização do Atendimento emSaúde
Palestra exposta no VII Simpósio de Relacionamento Terapeuta-Paciente do Hospital Américo BairralItapira - SP - 2004
Antes do século XVIII, ou seja, antes do positivismo, o hospital eraessencialmente uma instituição de assistência dirigida aos pobres, já queos ricos levavam os recursos médicos para suas casas. Apesar de seruma instituição de assistência, o hospital servia também como recursode exclusão social pois, o pobre, como pobre, tinha necessidade deassistência e, se fosse também doente, poderia ter alguma doençacontagiosa, logo, poderia ser perigoso. Além disso, o pobre poderia estarlouco, ou seja, oferecer mais perigo ainda. Por conta disso o hospitalexistia tanto para acolher esses pobres, quanto para proteger asociedade do perigo que ele representa.De certa forma, não se pretendia a cura para o usuário do hospital até oséculo XVIII, mas sim uma assistência material e espiritual, em algunscasos pretendia-se dar os últimos cuidados ou o último sacramento.Depois do século XVIII, com a explosão do conhecimento e da técnica,com o aprimoramento crescente dos meios de diagnóstico e tratamento,houve uma inversão no papel dos hospitais, quase ou tão incômodaquanto a situação anterior, ou seja, ao se abordar técnica ecientificamente a doença, confortar e consolar o doente passaram a sercoisas do passado. Evidentemente que todos sempre quiseram evitar adoença e a morte, em qualquer época histórica, mas entre o sofrimento ea morte pode ser que essa seja menos temida que aquele. Pelo que sesabe da realidade dos pacientes, tem sido muito freqüente ouvir noscorredores dos hospitais em alto e bom som, que não se teme tanto amorte, em si mesma, quanto a dor e os sofrimentos relacionados aoprocesso de morrer. 
Outros temas livres
 
Evidentemente também, as pessoas sempre procuraram o hospital para cura de seusmales e alívio de seu sofrimento, não necessariamente nessa ordem. De qualquer forma, trata-se de uma busca de alívio, de preservação da vida, de restituição da saúdee melhoria do conforto pessoal. Mas essa problemática da dor e do sofrimento não éuma simples questão técnica, pois a intencionalidade solidária, fraterna e confortadoradepende mais de uma atitude do caráter do que do conhecimento. Muito embora aciência contribua, sobremaneira, para soluções eficientes aos problemas de saúde, osofrimento humano diz muito mais respeito à ética que à técnica.
 
Trazendo essa questão aos exemplos atuais, citamos algumas situações muitoconstrangedoras no cotidiano dos hospitais. Se no século XVIII as pessoas ofereciamatenção e cuidados humanos aos pacientes porque a ciência não podia oferecer maisnada, hoje a ciência tem muito a oferecer mas as pessoas não oferecem mais nada alémda técnica.Temos atendido na psiquiatria seqüelas emocionais bastante mórbidas de tratamentosrealizados em UTIs. A maioria dos profissionais desses ambientes privilegia a técnica emfranco desprezo para com a questão humana. O conforto emocional dos pacientes ésistematicamente ignorado em favor dos dados objetivos do equilíbrio hidroeletrolítico,do traçado eletrocardiográfico, da eletroforese das proteínas, da pressão venosa central,da gasometria e outros parâmetros importantes, mas dispensáveis se a pessoa deixa deter vontade de viver.O tecnólogo da saúde, embevecido pelos conhecimentos que acredita possuir não seobriga mais a dar satisfações ao paciente e aos familiares do estado de saúde,prognóstico e evolução. Parece que o conhecimento tornou essas pessoas herméticasao cidadão comum.
O Hospital Depois do Século XVIII
A visão marcantemente biológica (positivista) fez com que profissionais de saúdeconsiderassem como sofrimento exclusivamente o padecimento físico, deixando deconsiderar o sofrimento global da pessoa. Esse cientificismo costuma adotar a curiosaposição de "não permitir" o sofrimento subjetivo ao paciente, já que os conhecimentosobjetivos sobre determinada doença definem tecnicamente o tanto de sofrimento que opaciente "deve e pode se permitir". De acordo com os manuais de medicina, nãoaparecendo na tomografia ou no ultra-som nada de anormal, a dor ou mal estar "estãoproibidos".Por outro lado, o doente passou a representar algo além de uma pessoa digna deatenção, de cuidado e assistência. O doente passou a ser um instrumento deaprendizagem, de estatística, de pesquisa, passou a representar uma fonte de recursoseconômicos para a instituição (veja a questão das poucas altas nos finais de semana,quando os hospitais não podem ficar com leitos vagos), um argumento político de algumministério, uma possibilidade financeira da administração hospitalar e assim por diante.Sem dúvida nenhuma os avanços do conhecimento e da técnica têm forterepercussão na área da saúde, tanto no diagnóstico como no tratamento, tanto naprevenção como na cura das doenças, tudo isso refletindo diretamente no confortopessoal, na qualidade de vida e na longevidade das pessoas. Entretanto, o avançotecnológico trouxe consigo também um aspecto frio e mecânico, maquinal, reducionistae algo desumano na relação entre as pessoas. A crítica ao positivismo é que ele ensinoua todos o preço das coisas mas não ensinou a ninguém o valor das coisas. Talvez tenhasido um mal necessário.A ética atual discute, sem conclusão alguma, se do positivismo para cá o ser humanopode usufruir de maior felicidade. Obviamente devem ter melhorado as condições devida pois, inegavelmente, há uma brutal diferença entre extrair um dente hoje e noséculo passado, assim como também é diferente a expectativa média de vida entre
 
meados do século XX e hoje, mas a questão da felicidade em si é bastante diferente.Atualmente as conseqüências do desenvolvimento da tecnologia no relacionamentoentre as pessoas estão sendo detectadas, estudadas e enfrentadas, buscando-se umequilíbrio capaz de dosar o uso dos equipamentos sofisticados e de última geração e orelacionamento humano entre as pessoas, buscando um equilíbrio entre o mecanicismofrio da técnica, entre os cálculos complicados da economia e entre o utilitarismo dascoisas, com a compreensão das necessidades afetivas das pessoas, enfim procurandoequilibrar a idéia dos preços com a noção de valores.Um lado positivo do reducionismo moderno talvez tenha sido a aquisição deconhecimentos especializados. Na área da saúde a especificidade do conhecimentooriginou as especialidades médicas, com conhecimentos mais aprofundados sobrepartes menores do ser humano (daí o termo reducionismo). A vantagem foi oconhecimento maior e mais específico, a desvantagem foi a eventual perda da noção deconjunto e integração.Nas outras áreas, a vantagem do reducionismo foi a discussão dos papéisprofissionais, resultando nas definições, especificações e atribuições de cadaprofissional; do médico, do enfermeiro, assistente social, psicólogo, nutricionista,terapeuta ocupacional e todos os demais trabalhadores da saúde contribuindo para amelhoria das condições e qualidade no atendimento.Por conceito, origem e vocação a medicina e outras áreas relacionadas aoatendimento à saúde devem representar uma parte da ciência essencialmentehumanística. Isso quer dizer que será desejável partir-se de uma visão global do ser humano, deixando de lado a concepção dualista que entende a pessoa como sendoapenas dotada de corpo e espírito mas, sobretudo, compreender a pessoa como umaunidade indissolúvel.Neste contexto, as enfermidades, transtornos, distúrbios, doenças, enfim, dequaisquer processos mórbidos deverem ser abordados não apenas através do órgão dapessoa, mas também e principalmente, através daquilo que ela tem de mais humano:seu componente afetivo e emocional. Também o tratamento e atenção a quaisquer desses estados mórbidos devem considerar outros elementos humanos além dafisiopatologia. Além de científica, além de naturalista, a assistência à saúde deve ser fundamentalmente humanista.É fundamental, sobretudo, que o profissional de saúde deixe de considerar apenas adoença e se aplique em cuidar do doente, da pessoa que, circunstancialmente, estásofrendo. Além da dimensão física, a pessoa deve ser atendida também em seucomponente social, psíquico e emocional.
A Desumanização do Atendimento (ou doRelacionamento)
As raízes da ciência atual tiveram sustentação substancial no positivismo (séc. XVIII),que possibilitou o avanço galopante do conhecimento e hoje não se questiona o fato datecnologia médica ter tido avanços inimagináveis, criando as principais condições que

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