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História da Cultura Material. Revista Maricá, USS

História da Cultura Material. Revista Maricá, USS

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Published by jose_assun7144
A modalidade histórica da Cultura Material é examinada neste artigo elaborado por José D'Assunção Barros para a revista Patrimoniuss. No plano mais geral, o artigo dialoga com o livro "O Campo da História" (Petrópolis: Vozes, 2010). O artigo pode ser acessado em http://www.uss.br/web/hotsites/revista_marica/artigo1.pdf
A modalidade histórica da Cultura Material é examinada neste artigo elaborado por José D'Assunção Barros para a revista Patrimoniuss. No plano mais geral, o artigo dialoga com o livro "O Campo da História" (Petrópolis: Vozes, 2010). O artigo pode ser acessado em http://www.uss.br/web/hotsites/revista_marica/artigo1.pdf

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original

 
1 
H
ISTÓRIA DA
C
ULTURA
M
ATERIAL
NOTAS SOBRE UM CAMPO HISTÓRICO EM SUASRELAÇÕES INTRADISCIPLINARES E INTERDISCIPLINARES
1
 José D’Assunção Barros
2
 
Resumo
Busca-se esclarecer e discutir alguns aspectos relacionados à História da Cultura Material,definida enquanto modalidade historiográfica que coloca em primeiro plano a vida material deuma sociedade e que se desenvolve em interrelação com outros campos historiográficos eoutras disciplinas externas à História. O artigo remete a obra recentemente publicada peloautor deste texto, cujo principal objetivo é o de elaborar uma visão panorâmica das diversasmodalidades da História nos dias de hoje.
Palavras-chave
: História da Cultural Material, Arqueologia, objetos materiais.
Abstract
This article attempts to clarify and discuss some aspects related to the History of MaterialCulture, defined as an historical modality that brings in first plain the material life of thesociety, and as an historical field that is developed in interaction with other historical fieldsand disciplines external to History. The article refers to a recently publicized work of theauthor of this text, witch principal subject was to elaborate a panoramic view of the variousfields in which ones the historical knowledge is divided nowadays.
Key Words
: History of Material Culture; Archeology, material objects.Quando estendemos sobre a historiografia ocidental do século XX um olharpanorâmico e crítico, talvez um dos fenômenos mais significativos a serem percebidos seja acrescente especialização do historiador moderno, que passou a se auto-representar a partir deinúmeros campos, abordagens e domínios historiográficos. Assim, se até o século XIX ohistoriador pôde construir uma imagem de si mesmo até certo ponto una, é um dado bastantesintomático deste “século de especializações” o de que a partir daqui começam a se definircomo domínios bem próprios e específicos as mais diversas modalidades internas ao CampoHistórico. Setores do saber historiográfico como a História Econômica, a História Social, aHistória das Mentalidades, a História Regional, a Micro-História e inúmeros outros irão comoque requisitar de aqui em diante os seus próprios especialistas. Esta hiper-especialização doconhecimento histórico tem sido na verdade simultaneamente objeto de culto e objeto decrítica – e refletir permanentemente sobre o que significa cada um destes inúmeros campos
1
O presente artigo remete, como referência principal, a um livro publicado pelo autor, e que se refere a umestudo das várias modalidades da História. Referências: José D’Assunção Barros,
O Campo da História – Especialidades e Abordagens
, Petrópolis: Vozes, 2004, 222pp.
2
Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF); Professor da Universidade SeverinoSombras (USS) de Vassouras, nos Cursos de Mestrado e Graduação em História, nos quais leciona disciplinasligadas ao campo da Teoria e Metodologia da História. Publicou, nos últimos anos, os livros:
O Campo da História
(2004).
O Projeto de Pesquisa em História
(2005);
Cidade e História
(2007) e
 A Construção Social daCor 
(2008).
 
2 
que hoje se abrem ao profissional de História tem surgido como uma tarefaparticularmente importante para o próprio historiador que reflete sobre o seu ofício.Neste artigo abordaremos um campo histórico que se refere mais particularmente àinteração do Homem com a própria materialidade que envolve mais diretamente a suaexistência: a
 História da Cultura Material
. Antes de mais nada, será bastante útil situar estecampo histórico na rede mais ampla de modalidades historiográficas que se desenvolveram apartir do século XX, cumprindo notar que aqui teremos não apenas contrastes, mas tambémum diálogo muito vivo da História da Cultura Material com algumas destas váriasmodalidades.A História da Cultura Material deve ser classificada como uma modalidadehistoriográfica relacionada às diversas
dimensões
da História que são trazidas a primeiroplano pelo historiador em sua análise. Para entender este aspecto, valerá lembrar aqui umaproposta ensaística recente, cujo objetivo foi o de avançar na compreensão mais sistemáticados critérios que presidiriam a divisão do saber historiográfico nas suas diversasmodalidades
3
. Falaremos aqui de três tipos fundamentais de critérios geradores demodalidades historiográficas: as
dimensões
, as
abordagens
, e os
domínios
.O primeiro critério gerador de divisões da história em modalidades mais específicasrefere-se ao que chamaremos de
dimensões
, correspondendo àquilo que o historiador traz paraprimeiro plano no seu exame de uma determinada sociedade: a Política, a Cultura, aEconomia, a Demografia, e assim por diante. Desta maneira, teríamos na História Econômica,na História Política, ou na História das Mentalidades campos do saber histórico relativos àsdimensões ou aos enfoques priorizados pelo historiador. Apenas para dar um exemplo, umhistoriador cultural estuda em primeiro plano os fatos da cultura, na mesma medida em queum historiador político estuda o poder nas suas múltiplas formas e um historiadordemográfico orienta o seu trabalho em torno da noção que lhe é central de “população”. Destamaneira, a História Cultural, a História Política ou a História Demográfica – com toda aamplitude de possibilidades que pode envolver cada uma destas sub-especialidades daHistória – devem ser mais adequadamente localizadas no campo das dimensõeshistoriográficas.Um segundo grupo de critérios para estabelecer divisões no saber histórico é aqueleque chamamos de
abordagens
, referindo-se aos métodos e modos de fazer a História, aos
3
José D’Assunção BARROS,
O Campo da História
, Petrópolis: Vozes, 2004.
 
3 
tipos de fontes e também às formas de tratamento de fontes com os quais lida ohistoriador. São divisões da História relativas a
abordagens
a História Oral, a História Serial,a Micro-História e tantas outras. A História Oral, por exemplo, lida com fontes orais edepende de técnicas como a das entrevistas; a História Serial trabalha com fontes seriadas –documentação que apresente um determinado tipo de homogeneidade e que possa seranalisada sistematicamente pelo historiador. A Micro-História refere-se a abordagens quereduzem a escala de observação do historiador, procurando captar em uma sociedade aquiloque habitualmente escapa aos historiadores que trabalham com um ponto de vista maispanorâmico, mais generalista ou mais distanciado. Também a História Regional poderia serclassificada como modalidade historiográfica ligada a uma abordagem, no sentido de queelege um campo de observação específico para a construção da sua reflexão ao construir ouencontrar historiograficamente uma “região”. Examinando um espaço de atuação onde oshomens desenvolvem suas relações sociais, políticas e culturais, a História Regional viabilizaatravés de sua abordagem um tipo de saber historiográfico que permite estudar uma ou maisdimensões nesta região que pode ser analisada tanto no que concerne a desenvolvimentosinternos, como no que se refere à inserção em universos mais amplos.Para além das modalidades relacionadas a
dimensões
e
abordagens
, podemos pensarfinalmente nas divisões da História que chamaremos de
domínios
, e que se referem a campostemáticos privilegiados pelos historiadores. Vários domínios da História têm surgido e mesmodesaparecido no horizonte de saber desta complexa disciplina que é a História. Estaremosfalando de domínios quando nos referimos a uma História da Mulher, a uma História doDireito, a uma História de Sexualidade, a uma História Rural.Os
domínios
da História são na verdade de número indefinido. Alguns domíniospodem se referir aos ‘agentes históricos’ que eventualmente são examinados (a mulher, omarginal, o jovem, o trabalhador, as massas anônimas), outros aos ‘ambientes sociais’ (rural,urbano, vida privada), outros aos ‘âmbitos de estudo’ (arte, direito, religiosidade,sexualidade), e a outras tantas possibilidades. Os exemplos sugeridos são apenas indicativosde uma quantidade de campos que não teria fim, e qualquer um poderá começar a pensar porconta própria as inúmeras possibilidades.Tal como dissemos, os critérios de classificação que estabelecem domínios da Históriareferem-se primordialmente às temáticas (ou campos temáticos) escolhidas peloshistoriadores. São já áreas de estudo mais específicas, dentro das quais se inscreverá a

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