RESUMO
O neopragmatismo tem como cerne de seu discurso acrítica às correntes de pensamento que procuram alcançar a
“
verdade
”, a “
justiça
” e a “
moral
”. Para o neopragmatista, essa
perspectiva, fortemente influenciada pela tradição iluminista-kantiana, ao não reconhecer a historicidade e a contingência davida, tenta buscar algo fora do homem, além do tempo, algotranscendental, abstrato e metafísico que possa reduzir asangústias da pós-modernidade e imprimir à racionalidade um papelsalvador e à filosofia uma funçã
o de “
indicadora de lugar
”. Comoantídoto a essa visão de centralidade do “
filósofo profissional
”
nas democracias ocidentais e da tentação da razão teórica, oneopragmatismo propõe um olhar para o futuro, o destaque dasanálises das conseqüências dos atos e o reconhecimento de que ohomem está situado inescapavelmente em seu contexto. Em outraspalavras, o sentido específico de democracia aparece quando, aoinvés de impor uma visão moral do mundo, tenta-se politicamentevalorar todas as crenças e interesses e construir concordânciasou posições medianas. Para o neopragmatista, a democracia, comobusca de decisões políticas em ambientes de dissenso, temprioridade sobre a filosofia.O neopragmatismo oferece um excelente instrumentopara a renovação do atual discurso do direito constitucional, deorigem importada, praticado no Brasil. Tal como as posições
filosóficas “
quase-transcendentais
”, o discurso do direito
constitucional é ainda abstrato e metafísico, característicasessas encobertas pelas novas facetas do racionalismo jurídicoque tentam
ainda alcançar a “
verdade
” por meio de subterfúgios
da razão, como o destaque do procedimento e da técnica (emdetrimento aparente do conteúdo). As modernas dimensões do
discurso constitucional (“
teoria dos direitos fundamentais
” e“
neoconstitucionalismo
”) formatam uma metódica da ponderação,
baseada em princípios e valores, que outorgam um conteúdo moralao Direito e reafirmam o protagonismo (e a exclusividade) dojurista e do Direito na resolução dos problemas, especialmenteem matéria de direitos humanos.O neopragmatismo, diante do esgotamento desse modeloem virtude dos déficits democráticos e da aridez da linguagem,propõe sua superação a partir do deslocamento da centralidade,na democracia, do jurista (ou do Poder Judiciário) para ocidadão e do Direito para a política. Para tanto, propõe que os
juristas assumam um papel de “
ironistas liberais
” ou mediadores
e se afastem da função de um
profeta
que diz o que é a lei e aConstituição. No campo dos direitos humanos, isso não pode serexecutado dentro dos limites rígidos do discurso técnico-transcendental da ponderação. Superando essa perspectiva, oneopragmatismo sugere que a construção de uma nova compreensãodos direitos humanos parta da sentimentalidade, da solidariedadee, acima de tudo, de um vocabulário mais inclusivo e honesto,que possa identificar as posições políticas em jogo e, por meioda criatividade e da imaginação, edificar soluções as maismedianas e consensuais possíveis, mesmo no âmbito de trabalho daJurisdição Constitucional.
Add a Comment