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Revista_Página_22_FGV-ECONOMIA_CRIATIVA

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Published by: Ricardo Lima de Mello on May 05, 2010
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11/06/2012

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Recriando amatéria-prima
Baseada nas idéias, a economia criativa depende menos dosrecursos naturais e ajuda a agregar valor às
commodities 
,mas dicilmente vai forescer só com inspiração – é precisoinvestimento em educação e inovação
Saem de cena o petróleo,
a soja, o minério de erro. Entram a inteligência e a ino-vação. Visionário, Celso Furtado, um dos mais importantes economistas brasileiros,aventava no m da década de 70 a possibilidade de superação da dependência econô-mica característica dos países em desenvolvimento por meio da criatividade. Dizia ele,no livro
Criatividade e Dependência
, que "implícito na criatividade existe um elementode poder". Economia criativa, economia da cultura, indústrias criativas, iconomia. Osnomes variam e os conceitos – cada vez mais reqüentes na mídia e em círculos acadê-micos – dierem aqui e ali, mas uma coisa têm em comum: a aposta de que a troca deidéias pode gerar valor e riqueza.Não é para menos. As chamadas indústrias criativas (
quadro à pág. 58 
) respondempor 8% do PIB em um mundo em que o processo cada vez mais intenso de globalizaçãotraz proundos impactos na distribuição geográca da riqueza. Enquanto as nações de-senvolvidas perderam capacidade manuatureira e encaram o desao de reinventar suaseconomias, a China tornou-se o grande ornecedor do globo – com impactos sociais eambientais crescentes – e ávido competidor de países como o Brasil."Estamos na era da economia pós-industrial. As indústrias pesadas saíram do centroe se deslocaram para a perieria do mundo. Os países têm de repensar a economia", dizEdna dos Santos-Duisenberg, chee do programa de economia e indústrias criativas daConerência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), organismo
por 
Lia Vasconcelos
ativo na produção de estatísticas e estudossobre as atividades que têm na criatividadee na cultura sua matéria-prima.Mais do que peso econômico, osadeptos da economia criativa acreditamque ela pode representar uma mudança deparadigma tão radical quanto a RevoluçãoIndustrial nos séculos XVIII e XIX. Dianteda crise ambiental, a humanidade vai pre-cisar reinventar o trabalho, o consumo,o vestir. "Os paradigmas têm de mudar,temos de reinventar tudo. Para isso, acultura tem papel undamental, pois elagera valores sociais que podem azer a so-ciedade caminhar rumo à sustentabilidadee isso muda o padrão de consumo, gerademandas nessa direção. Está tudo inte-grado", arma Wilson Nobre, proessorda Escola de Administração de Empresas
REPORTAGEM
 
ECONOMIA 
Página 22
 
Março 2008
38
 
O uso positivodo emaranhadode relaçõespossibilitadaspelas as novastecnologias é umdos trunos daeconomia criativa.O que importaestá na cabeçadas pessoas
Março 2008
 
Página 22
39
 
Onde tudo começou
Da Austrália para o mundo, esquentando o debate sobre propriedade intelectual
Foi na Austrália, em 1994, que otermo economia criativa começou aser empregado. O governo australianoqueria, por um meio do projeto
Creative Nations 
(Nações Criativas), omentar oinvestimento nas artes em geral, masprincipalmente elaborar uma políticapública que preservasse a herançacultural dos aborígenes e reconhecesseos nativos australianos – que habitaramo território por mais de 40 mil anos antesdos europeus – como parte importante daconstrução da identidade do país.No curso contrário ao doscolonizadores ingleses que chegaram
de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.Para os países do Hemisério Sul, a criatividadepode ser a tão esperada chance de se desenvolver,de maneira sustentável, sem depender das naçõescentrais. Anal, idéias não são recursos escassos neminesgotáveis. E, melhor, são essenciais para a constru-ção de um modelo em que a inclusão social e o respeitoao meio ambiente andem juntos com a economia.Para o Brasil, que comprovadamente tem capa-cidade de construir marcas ortes, produtos com
design
, desenvolver tecnologia e inovar, o segredoestá em criar um ambiente no qual a criatividade possaforescer. Audiovisual, música,
software 
, TV, rádio,moda,
design
, artesanato e tecnologia são atividadespropulsoras da inovação e da ampliação da capacida-de produtiva, inclusive de setores considerados maistradicionais da economia."O preço de um quilo de algodão exportado peloBrasil é de US$ 1, um quilo de vestuário é exportadopor US$ 25 e o quilo de moda é negociado entre US$80 e US$ 120. É o valor agregado embutido pela
à Austrália no século XVIII, o conceitoatravessou o mundo e ganhou orçana Inglaterra. Em 1997, o então premiêbritânico Tony Blair, diante de umaeconomia cada vez mais competitiva,deu a sua equipe uma tarea: analisar ascontas do Reino Unido, as tendências demercado e as vantagens competitivasnacionais. Resultado: oram identifcados13 setores de maior potencial, batizadosde indústrias criativas – "indústriasque têm sua origem na criatividade,habilidade e talento individuais e queapresentam potencial para a criação deriqueza e empregos por meio da geraçãoe exploração da propriedade intelectual".Os setores escolhidos orampropaganda, arquitetura, artes eantiguidades, artesanato,
design 
 de moda, flme e vídeo,
software 
de lazer interativo, artesperormáticas, publicações,música, TV e rádio,
software 
eserviços para computadores.O peso dado aos direitos depropriedade intelectual é um dospontos mais controversos da políticainglesa. Na opinião da economista AnaCarla Fonseca Reis, especialista no tema,"enquanto a idéia de direitos do autor seaplica à indústria criativa, que não temoco no desenvolvimento sustentável,na economia criativa ela ou não se aplicaou deve ter novos modelos. O conceitode economia criativa não deve incluirpatentes científcas".Em tempos de trocas sem fm de dadospela internet e de
software 
livre, alarem propriedade intelectual cada vezmais perde o sentido. Não que os artistasdevam deixar de receber pelo que criam."Os modelos de comercialização atuaisexigem uma nova legislação internacionalque avoreça o autor e proteja os paísesem desenvolvimento. Esse promete serum dos grandes debates do século XXI",aposta Edna dos Santos-Duisenberg,chee do programa de economia eindústrias criativas da Unctad.
marca". Quem diz é Graça Cabral, vice-presidente do IN-MOD, braço insti-tucional da São Paulo Fashion Week (SPFW), a vitrine mais importante damoda nacional e que deu uma orte dose de vitamina à indústria têxtil.O último SPFW marcou um novo momento na moda brasileira, antesrestrito a setores da indústria: investidores começam a adquirir as principaisgries e a ormar grupos de gestão nos moldes dos que existem na Europa enos EUA. Com isso, empresas que eram negócios quase amiliares passam àsmãos de gestores prossionais com objetivos ambiciosos. A holding I'M Iden-tidade Moda, que havia comprado a Zoomp, arrematou em janeiro as griesHerchcovitch; Alexandre e Fause Haten. A catarinense AMC Têxtil comprou aSommer. Espera-se que a prossionalização do segmento de moda – movidoà criatividade nacional – traga um ciclo virtuoso para toda a cadeia.
Riqueza em toda parte
Pelas características da população – tamanho, renda, escolaridade, aixasetárias – e a desigualdade de renda, o Brasil não pode se dar ao luxo de pres-cindir dos setores agrícola e manuatureiro, que geram empregos e amortecemas instabilidades do comércio internacional. Nem é essa a idéia. "O Brasil temde aproveitar suas vantagens competitivas e entre elas estão as
commodities 
.O potencial e o desao estão em quebrar a dependência com relação a elas",diz Ana Carla Fonseca Reis, especialista em economia criativa e consultora
REPORTAGEM
 
ECONOMIA 
Página 22
 
Março 2008
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