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10 Espiritual enfermagem

10 Espiritual enfermagem

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Published by Vanessa Carvalho
Estudo sobre a espiritualidade no exercício da enfermagem realizada para TCC. Autores mencionados no documento.
Estudo sobre a espiritualidade no exercício da enfermagem realizada para TCC. Autores mencionados no documento.

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ARTIGO DE REVISÃO / REVIEW ARTICLE / DISCUSIÓN CRÍTICA
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São Paulo: 2007: abr/jun 31(2):225-237
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* Enfermeira, pedagoga e psicóloga. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.Docente do Mestrado em Bioética e Membro do Núcleo de Bioética do Centro Universitário São Camilo. E-mail: anacrispsicoenf@uol.com.br** Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Docente do Mestrado em Bioética eMembro do Núcleo de Bioética do Centro Universitário São Camilo. Membro da Sociedade Brasileira de Educação Continuada em Enfermagem.Pró-reitora acadêmica do Centro Universitário São Camilo. E-mail: luciane@scamilo.edu.br
Espiritualidade na enfermagem brasileira: retrospectiva histórica
Spirituality in brazilian nursing: a historical retrospectEspiritualidad en la enfermería brasileña: una retrospectiva histórica
 Ana Cristina de Sá* Luciane Lúcio Pereira** 
RESUMO:
A espiritualidade é um tema que permeia a literatura de enfermagem desde Florence Nightingale. No Brasil, a primeira publi-cação científica data de 1947 e persiste até hoje representada pela Revista Brasileira de Enfermagem. Este periódico reflete as tendênciasdo pensar em enfermagem no país, pois publica os trabalhos melhor avaliados no Congresso Brasileiro de Enfermagem, evento anualda Associação Brasileira de Enfermagem que ocorre desde a mesma época. Procurou-se, dessa forma, fazer uma revisão histórica dopensamento da enfermagem brasileira no que se refere à espiritualidade a partir da busca ativa de artigos publicados na referida revistadesde a década de 50 até o ano de 1999. Foram encontrados 57 artigos sobre o tema, os quais foram classificados em 9 categorias, asaber: espiritualidade como parte do caráter e da moral do indivíduo que escolhe fazer enfermagem; espiritualidade como filosofia detrabalho do enfermeiro; espiritualidade como parte do currículo e formação do enfermeiro; espiritualidade na assistência ao paciente,como necessidade humana básica; significado da espiritualidade para quem é cuidado (paciente/cliente); significado da espiritualidadepara aquele que cuida; espiritualidade e humanização; espiritualidade e morte e morrer; e espiritualidade sob a luz da Ética e da Bioé-tica. Concluiu-se que o pensamento dos enfermeiros no decorrer das décadas sofreu variações em número e categorias, que refletem aevolução da ciência e os questionamentos que esta gera.
PALAVRAS-CHAVE:
Espiritualidade. Enfermagem. Enfermagem-literatura.
ABSTRACT:
Spirituality is a subject present in nursing literature since Florence Nightingale. In Brazil, the first scientific publicationappeared in 1947 and is now represented by the Revista Brasileira de Enfermagem [Brazilian Journal of Nursing]. This periodic reflectsthe trends of thinking about nursing in the country, for it publishes the better evaluated works presented in the Congresso Brasileiro deEnfermagem [Brazilian Congress of Nursing], a yearly event of Associação Brasileira de Enfermagem [Brazilian Association of Nursing]that happens since then. We did a historical survey of Brazilian nursing thought about spirituality from an active search of articlespublished by the said Journal from the decade of 1950 to the year 1999. 57 articles about the subject were found, and classified in 9categories, namely: spirituality as part of the character and morality of the individual that chooses to study nursing; spirituality as aphilosophy of work of nurses; spirituality as part of the curriculum and education of nurses; spirituality in patient assistance as a basichuman necessity; the meaning of spirituality for those who are taken care of (patient/client); the meaning of spirituality for thosewho take care of; spirituality and humanization; spirituality, death and dying; and spirituality according to Ethics and Bioethics. Oneconcluded that the thought of nurses in through these decades passed to variations in number and categories that reflect the evolutionof science and the questions this generates.
KEYWORDS:
Spirituality. Nursing. Nursing–literature.
ABSTRACT:
La espiritualidad es un tema presente en la literatura de enfermería desde Florence Nightingale. En Brasil, la primera publi-cación científica apareció en 1947 y ahora es representada por la Revista Brasileira de Enfermagem [Revista Brasileña de Enfermería]. Eseperiódico refleja las tendencias del pensamiento de enfermería en el país, porque publica los trabajos mejor evaluados presentados enel Congresso Brasileiro de Enfermagem [Congreso Brasileño de Enfermería], un evento anual de la Associação Brasileira de Enfermagem[Asociación Brasileña de Enfermería] que sucede desde entonces. Hicimos un examen histórico del pensamiento brasileño de enfermeríasobre la espiritualidad mediante una búsqueda activa de artículos publicados por la Revista a partir de la década de 1950 hacia el año1999. 57 artículos acerca del tema fueron encontrados, y clasificados en 9 categorías, a saber: espiritualidad como parte del caráctery de la moralidad del individuo que elige estudiar enfermería; espiritualidad como filosofía del trabajo de enfermeros; espiritualidadcomo parte del plan de estudios y de la educación de enfermeros; espiritualidad en la ayuda al paciente como necesidad humana básica;el significado de la espiritualidad para los de quienes son cuidados (pacientes/clientes); el significado de la espiritualidad para quienescuidan; espiritualidad y humanización; espiritualidad, la muerte y el morir; y espiritualidad según la ética y la bioética. Se concluyóque el pensamiento de la enfermería en estas décadas ha pasado por variaciones en número y categorías que reflejan la evolución de laciencia y de las cuestiones que esto genera.
PALABRAS LLAVE:
Espiritualidad. Enfermería. Enfermería–literatura.
 
ESPIRITUALIDADE NA ENFERMAGEM BRASILEIRA: RETROSPECTIVA HISTÓRICA
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Introdução
O nascimento da EnfermagemCientífica data de pouco mais de200 anos, com Florence Nightin-gale, que, desde 1854, leva 38 en-fermeiras voluntárias à Guerra daCriméia, na Turquia, no hospital deScutari, com o intuito de cuidar dossoldados ingleses feridos em bata-lha (Gill, 2004).Florence fazia questão de ofere-cer, pessoalmente, especial atençãoaos doentes em fase terminal oumais gravemente feridos, lendo-lhes trechos da bíblia ou trazen-do-lhes conforto em suas palavrase visitas à noite. Nessas ocasiões,carregava consigo uma lamparinade óleo para iluminar sua ronda,gesto pelo qual passou a ser cha-mada carinhosamente pelos sol-dados e pela imprensa inglesa porDama da Lâmpada e do qual derivaa lâmpada de óleo como símbolo daenfermagem mundial (Turkiewicz,1995).Florence Nigthingale era umadama da corte inglesa e, como tal,vivia num mundo em que o con-tato com doentes ou soldados eraum ato inadmissível do ponto devista social, pois feria a hierarquiade classes inglesa. Mesmo assim,Florence dizia ter recebido um“chamado de Deus” que a levou aconcretizar os ensinamentos mais belos que o Cristo nos deixou, taiscomo a tolerância, a compaixãopelo ser humano, a destituição depreconceitos e o respeito pelo outroe pela vida humana, além da ma-nutenção da dignidade no cuidardo ser que sofre. Mais que isso, elaconseguiu vencer a rígida hierar-quia médica dos hospitais militares,que não admitia mulheres nem aassistência digna aos soldados ra-sos, demonstrando que o cuidarcom base científica trazia sucessosgarantidos de sobrevida, diminuin-do drasticamente a mortalidade nohospital em Scutari (Dornelles et al,1995; Miranda, 1996).Florence nos deixou, dentre vá-rios, esse legado para aqueles queescolhem a Enfermagem comoprofissão: enxergar o ser humanode forma holística, ou seja, comoum ser biopsico-sócio-espiritual,que transcende o aspecto físico(Nightingale, 1989).No final da década de 60 e inícioda década de 70, surgem as Teoriasde Enfermagem, quase todas tendocomo referencial teórico a Teoria deSistemas de Bertalanfy, reforçandoa visão holística de ser humano noque se refere ao cuidar.No Brasil, Wanda de AguiarHorta, enfermeira e filósofa, dou-tora em enfermagem pela Univer-sidade de São Paulo, defende e pu- blica sua Teoria das NecessidadesHumanas Básicas colocando a Espi-ritualidade como uma necessidade básica do ser humano a ser obser-vada e cuidada pelo enfermeiro emseu planejamento de assistência(Horta, 1970).Nas décadas de 80 e 90, teoris-tas de enfermagem, como MarthaElizabeth Rogers, Margareth New-man, Rosemary Rizzo Parse e JeanWatson, escrevem sobre a Espiri-tualidade Humana como dimensãoessencial do cuidado e do cuidarem enfermagem, teorias das quaisderivam dissertações de mestradoe teses de doutorado sobre o temaem termos mundiais (Tomey et al,2001; George, 2003).Atualmente, nos âmbitos nacio-nal e internacional, não há eventona área de enfermagem em que nãose aborde os temas Bioética, Finitu-de, Compaixão e Espiritualidade.Assim, na literatura de enfer-magem desde o século passado, estaárea profissional vem se mostrandopioneira e corajosa em abordar a es-piritualidade como preocupação dequem cuida dos seres humanos.Esta pesquisa, transversal, des-critiva, de caráter bibliográfico re-trospectivo, tem por objetivo deli-near as tendências apresentadas naspublicações de enfermagem no Bra-sil, no que se refere ao tema Espiri-tualidade, tendo como referencial osartigos publicados na Revista Brasi-leira de Enfermagem (REBEn).A REBEn, além de ter sido o pri-meiro periódico em publicações decaráter científico em enfermagem,sempre representou as tendênciasdo pensamento e atuação na áreaem âmbito nacional por publicaros trabalhos melhor avaliados porocasião do Congresso Brasileiro deEnfermagem, organizado pela As-sociação Brasileira de Enfermagem(ABEn) e que ocorre no país anual-mente desde 1947.A primeira edição deste perió-dico data de 1932 e, nessa época,era denominado “Anais de Enfer-magem”, que, em 1955, passa a serdenominado “Revista Brasileira deEnfermagem”.Historicamente, fica explícitonos artigos até os anos 60 que hou-ve uma entidade, a União Católicade Enfermeiros do Brasil (UCEB),que tinha como objetivo a “recris-tianização da sociedade no setorda enfermagem”. Essa entidadesobreviveu de 1944 até os anos 60com influência bastante presentena ABEn e no pensamento que do-minava os cursos de enfermagemno país, no que se refere à espiri-tualidade, atrelando o espiritual àmoral cristã e aos valores da IgrejaCatólica (Germano, 2007).
Metodologia
Foi realizada busca ativa por ar-tigos que versassem sobre o temaEspiritualidade em todo o acervoda REBEn presente na Bibliotecada Escola de Enfermagem da Uni-versidade de São Paulo, por ser estauma biblioteca especializada e re-ferência sul-americana em perió-dicos de Enfermagem. Este acervoremonta às publicações da REBEndesde a década de 50 (século XX)até o ano de 1999.
 
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Foram encontrados artigos deinteresse para esta pesquisa, emnúmeros absolutos por década, 07artigos na década de 50; 12 na dé-cada de 60; 13 na década de 70, 05na década de 80 e 10 na década de90, perfazendo o total de 57.Os artigos foram, então, classifi-cados pelas autoras de acordo comcategorias (nove ao todo), que re-velam a tendência do conteúdo, asaber: 1) espiritualidade como partedo caráter e da moral do indivíduoque escolhe fazer enfermagem; 2)espiritualidade como filosofia detrabalho do enfermeiro; 3) espiri-tualidade como parte do currículo eformação do enfermeiro; 4) espiri-tualidade na assistência ao paciente,como necessidade humana básica;5) significado da espiritualidade paraquem é cuidado (paciente/cliente);6) significado da espiritualidade paraaquele que cuida; 7) espiritualidadee humanização; 8) espiritualidade emorte e morrer; 9) espiritualidadesob a luz da Ética e da Bioética.Apesar dessas categorias semesclarem quando se pensa osconteúdos da Ética, da Bioética eda Humanização, elas se destacamnos textos dos artigos de forma bemdistinta.Procuramos comentar as cate-gorias surgidas por década deno-tando a tendência dos autores aose referirem à questão da espiri-tualidade humana e destacamosalguns trechos de artigos para queo leitor possa compreender essatendência.
Tendências detectadasdécada a década
Década de 50
Dos 07 artigos avaliados nestadécada, denota-se que a preocupa-ção principal dos autores enfoca aformação do profissional, tendo aespiritualidade implícita no que de-nominam “formação cristã” e comocaracterística ética e moral que servede critério para admissão dos candi-datos tanto aos cursos de enferma-gem quanto a vagas em empregos.Fala-se, ainda, da importância dosvalores espirituais e cristãos que odocente de enfermagem deve pos-suir e ensinar aos discentes.Essas características tambémaparecem nas publicações dos anos40, mas infelizmente não tivemosacesso aos textos; apenas a artigoscitados por autores em edições deanos posteriores.Isolamos as categorias 1, 2, 3, 5e 9: espiritualidade como parte docaráter e da moral do indivíduo queescolhe fazer enfermagem; espiri-tualidade como filosofia de traba-lho do enfermeiro; espiritualidadecomo parte do currículo e formaçãodo enfermeiro; significado da espi-ritualidade para quem é cuidado(paciente/cliente) e espiritualidadesob a luz da Ética e da Bioética.
1) espiritualidade como parte docaráter e da moral do indivíduo queescolhe fazer enfermagem.
Alguns artigos trazem a questãoda espiritualidade como um valorque assegure a missão caritativa equase sobre-humana que permeiao ser enfermeiro.Paixão (1956) afirma sobre seuartigo que “a filosofia que orientaeste pequeno trabalho é a cristã,diametralmente oposta à mate-rialista”. A autora coloca, ainda, oescolher enfermagem como umaespécie de “missão calcada em va-lores espirituais”, como se perce- be no trecho a seguir: “de estrita justiça é ainda o dever de assistir odoente, mesmo com algum sacrifí-cio do próprio tempo, das própriasforças ou dos próprios planos, nãoo deixando sem assegurar-lhe (…)a continuidade dessa assistência”.Forjaz (1959)
 
assinala: “real-mente, a Escola de Enfermeiras doHospital São Paulo tem qualquercoisa de excepcional; o espíritoevangélico foi a sua semente (…);suas enfermeiras são como os após-tolos da caridade”.
 2) espiritualidade como filosofiade trabalho do enfermeiro; e 3)espiritualidade como parte docurrículo e formação do enfermeiro.
Em 1956, o artigo de uma do-cente de História da Enfermagem
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 traz ainda alguns trechos interes-santes sobre o pensamento da épo-ca, no que se refere ao ensino daÉtica e quanto a características das“moças” que optam por fazer en-fermagem: “desde seu início, as es-colas de enfermagem se preocupamcom o valor moral de suas alunas”.A autora frisa, porém, que a moralpode ainda ser
aperfeiçoada
duranteo curso: “algumas alunas resistirãoa essa boa influência (a da forma-ção moral cristã), mas a maioriase deixará por ela influenciar”. Ecompleta: “para que esse ambientese estabeleça e se mantenha, é degrande importância a eleição docorpo docente e das chefes de ser-viço onde estagiam as alunas”.Em artigo que discorre sobre ainterferência do pensamento cató-lico na origem das escolas de enfer-magem no Brasil, um discurso doProf. Almeida Júnior quando para-ninfo da primeira turma da entãoEscola Paulista de Enfermagem emque ressalta “se, de um lado, nós daEscola (de Medicina) nos interessá-vamos pela face técnico-científicada enfermagem, outra entidadehavia em São Paulo que se preo-cupava com o aspecto espiritual daprofissão (…) e a necessidade deconsolidar em nosso meio a tradi-ção hospitalar dos primórdios docristianismo” (Forjaz, 1959).Albold (1957) cita a espiri-tualidade como parte da visão demundo a ser ensinada nos currí-culos, definindo enfermagem naspalavras da Irmã Olívia da Uni-versidade Católica de Washingtoncomo “uma arte e uma ciência que

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