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Instrumental - Visita Domiciliar

Instrumental - Visita Domiciliar

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08/13/2013

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A prática do assistente social: conhecimento,instrumentalidade e intervenção pro
ssional*The social worker practice: knowledge, instrumental-ity and professional intervention
Charles Toniolo de SOUSA**Resumo:
Este artigo tem por
nalidade apresentar uma re
exão sobre a prática pro-
ssional do Assistente Social, reconhecendo suas dimensões, com o objetivo de situara instrumentalidade do Serviço Social bem como seu arsenal técnico-operativo. Emseguida, serão apresentados, de forma sucinta, alguns dos principais instrumentos detrabalho utilizados pelos Assistentes Sociais no exercício da prática pro
ssional, bemcomo algumas considerações
nais.
Palavras-chave:
Serviço Social, Instrumentalidade, Instrumentos de trabalho do As-sistente Social.
Abstract:
This article has in view to introduce a re
ection about the Social Workerprofessional practice, recognizing dimensions, in order to situate the Social Work ins-trumentality and the technical-operation that the professionals use. After, will be intro-duced, succinctly, some principal tools used for the Social Workers in their professionalpractice, and also some
nal considerations.
Keywords:
Social Work, Instrumentality, Social Workers tools.
Recebido em: 07/04/2008. Aceito em: 30/04/2008.
Este texto é fruto das re
exões e estudos realizados a partir das diferentes experiências adquiridas durante a vida pro
ssional, e, sobretudo,da experiência com a disciplina de Técnicas de Intervenção Social, ministrada para as turmas do curso de Serviço Social da Universidade doGrande Rio. A produção deste artigo teve como objetivo nortear a Semana do Curso de Serviço Social da UNIGRANRIO, realizada em setem-bro de 2006, a
m de orientar estudantes do 1º ao 8º períodos letivos, culminando em atividade de avaliação conceitual requerida à totalidadedos alunos do curso.
∗∗
Assistente Social do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Mestrando em Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiroe Professor da Escola de Serviço Social da Universidade do Grande Rio.
Emancipação
, Ponta Grossa, 8(1): 119-132, 2008. Disponível em <http://www.uepg.br/emancipacao>
 
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Charles Toniolo de SOUSA
Emancipação
, Ponta Grossa, 8(1): 119-132, 2008. Disponível em <http://www.uepg.br/emancipacao>
Na trajetória histórica do Serviço Social, po-demos identi
car várias correntes que discutema questão da sua instrumentalidade, que trazemconsigo um corpo conceitual especí
co que dá aesse tema um determinado signi
cado. Entende-mos por instrumentalidade a concepção desen-volvida por Guerra (2000) que, a partir de umaleitura lukacsiana da obra de Marx, constrói o de-bate sobre a instrumentalidade do Serviço Social,compreendendo-a em três níveis: no que diz res-peito à sua funcionalidade ao projeto reformistada burguesia; no que se refere à sua peculiarida-de operatória (aspecto instrumental-operativo); ecomo uma mediação que permite a passagem dasanálises universais às singularidades da interven-ção pro
ssional.Desde o período em que o Serviço Socialainda fundava sua base de legitimidade na esferareligiosa, passando pela sua pro
ssionalização eos momentos históricos que a constituíram, a di-mensão técnica-instrumental sempre teve um lugarde destaque, seja do ponto de vista do a
rmar de-liberadamente a necessidade de consolidação deum instrumental técnico-operativo “especí
co” doServiço Social (falamos aqui em especial da tradi-ção norte-americana, que teve forte in
uência so-bre o Serviço Social brasileiro, sobretudo entre osanos 40 e 60), seja no sentido de a
rmar o ServiçoSocial como um conjunto de técnicas e instrumen-tais – em outras palavras, uma tecnologia social
1
.Em outros momentos, no sentido de atribuir à ins-trumentalidade do Serviço Social um estatuto desubalternidade diante das demais dimensões quecompõem a dimensão histórica da pro
ssão
2
.Esse debate é apenas introdutório para loca-lizarmos as razões que fazem da instrumentalidadedo Serviço Social uma questão tão importante àpro
ssão, digna de um real aprofundamento teó-rico. Não nos caberá neste artigo aprofundar, doponto de vista teórico-
losó
co, o debate sobre a
1Essa visão pode ser identi
cada como uma componente da cor-rente denominada por Netto (2004) de “modernização conservado-ra”, hegemônica no cenário pro
ssional brasileiro durante o períododa ditadura militar e do movimento de renovação do Serviço Socialno Brasil.2
 
Novamente nos reportamos ao chamado Movimento de Recon-ceituação do Serviço Social, em que algumas correntes tentavamatribuir ao Serviço Social o
status 
de Ciência, questionando sua di-mensão interventiva.
instrumentalidade. Porém, não é possível falar se-riamente sobre a questão se não situamos o debateem alguns de seus fundamentos cientí
cos maiselementares – caso contrário, caímos nas “teias”do senso comum.Ora, o debate sobre a instrumentalidade doServiço Social percorre a história da pro
ssão emrazão da própria natureza desta: o Serviço Socialse constitui como pro
ssão no momento históricoem que os setores dominantes da sociedade (Es-tado e empresariado) começam a intervir, de for-ma contínua e sistemática, nas conseqüências da“questão social”, através, sobretudo, das chama-das políticas sociais. Segundo Carvalho & Iama-moto (2005), o Serviço Social é requisitado pelascomplexas estruturas do Estado e das empresas,de modo a promover o controle e a reprodução(material e ideológica) das classes subalternas, emum momento histórico em que os con
itos entreas classes sociais se intensi
cam, gerando diver-sos “problemas sociais” que tendem pôr a ordemcapitalista em xeque (Netto, 2005).Torna-se mister situar essa questão, poisela revela um dado que é crucial para o debatesobre a instrumentalidade: o Serviço Social surgena história como uma pro
ssão fundamentalmente
interventiva 
, isto é, que visa produzir mudanças nocotidiano da vida social das populações atendidas – os usuários do Serviço Social. Assim, a dimensãoprática (técnico-operativa) tende a ser objeto privi-legiado de estudos no âmbito da pro
ssão.Mais ainda: no momento de sua emergên-cia, o Serviço Social atua nas políticas sociais comfunções meramente
executivas 
, também chama-das de funções
terminais 
. A concepção e o pla-nejamento das políticas sociais
cavam ao cargode outras categorias pro
ssionais e dos agentesgovernamentais – ao Serviço Social cabia apenasexecutá-las, na relação direta com os “indivíduos,grupos e comunidades” que de algum modo eramatendidos pelos serviços sociais públicos. Temosaqui a clássica separação entre trabalho intelec-tual (quem pensa as políticas sociais) e trabalhomanual (quem executa as políticas sociais)
3
. Nesta
3
 
Guerra (2004), ao pensar o Serviço Social como uma pro
ssãoinscrita na divisão social do trabalho, apropria-se do debate marxia-no sobre a divisão entre trabalho manual e intelectual para pensar apro
ssão.
 
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A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e intervenção pro
ssional
Emancipação
, Ponta Grossa, 8(1): 119-132, 2008. Disponível em <http://www.uepg.br/emancipacao>
analogia, ao Assistente Social caberia a tarefa do“trabalho manual”.O Movimento de Reconceituação do Servi-ço Social, com toda a diversidade que lhe foi pró-prio, criticou duramente essa divisão, e propor-cionou um aprofundamento teórico-metodológico(principalmente a partir do diálogo com a tradiçãomarxista e, sobretudo, com a obra marxiana) quepossibilitou à pro
ssão romper com esse carátermeramente executivo e conquistar novas funçõese atribuições no mercado de trabalho, sobretudodo ponto de vista do planejamento e administra-ção das políticas sociais. Assim, essa dicotomiafoi superada no âmbito pro
ssional, e tal conquis-ta encontra-se expressa no Art. 4º, Inciso II da Leide Regulamentação da Pro
ssão (Lei nº 8662 de07/06/1993):
Art.4º.São competências do Assistente Social:
II. elaborar, coordenar, executar e avaliar pla- nos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil 
(CFESS: 2002; p. 17).
Ambas as dimensões previstas no inciso ci-tado – elaboração, coordenação e execução – eque são uma realidade do mercado de trabalhodo Assistente Social na atualidade, requerem odomínio de um instrumental técnico-operativo quepossibilite a viabilização da intervenção a que oAssistente Social foi designado (ou se designou)a realizar. Porém, ele não é o su
ciente para ga-rantir o objetivo
nal da intervenção pro
ssional,conforme veremos a seguir.
1 As competências do Serviço Social na con-temporaneidade: política, ética, investigação eintervenção
Se no momento da origem do Serviço Socialcomo uma pro
ssão inscrita na divisão do traba-lho, era apenas a sua dimensão técnica que lhegarantia os estatutos de e
cácia e competênciapro
ssional (isto é, era a forma e os resultadosimediatos de sua ação que lhe garantiam legitimi-dade e reconhecimento da sociedade), o Movimen-to de Reconceituação buscou superar essa visãounilateral. No universo das diversas correntes queatuaram nesse movimento
4
, a principal motivaçãoera dar ao Serviço Social um estatuto cientí
co.E mais propriamente, no âmbito da corrente queNetto (2004) denominou de “Intenção de Ruptu-ra” (que para ele signi
ca o rompimento com asvisões conservadoras da pro
ssão), foi levantadaa necessidade de que a pro
ssão se debruçassesobre a produção de um conhecimento crítico darealidade social, para que o próprio Serviço So-cial pudesse construir os objetivos e (re)construirobjetos de sua intervenção, bem como responderàs demandas sociais colocadas pelo mercado detrabalho e pela realidade. Assim, pôde o ServiçoSocial aprofundar o diálogo crítico e construtivocom diversos ramos das chamadas Ciências Hu-manas e Sociais (Economia, Sociologia, CiênciaPolítica, Antropologia, Psicologia).A partir de então, entramos no período emque os autores contemporâneos da pro
ssão cha-mam de “maturidade acadêmica e pro
ssional doServiço Social” (Netto, 1996), que procurou de
-nir novos requisitos para o
status 
de competênciapro
ssional. Iamamoto (2004), após realizar umaanálise dos desa
os colocados ao Serviço Socialnos dias atuais, apontou 03 dimensões que devemser do domínio do Assistente Social:
Competência ético-política 
– o AssistenteSocial não é um pro
ssional “neutro”. Sua práticase realiza no marco das relações de poder e deforças sociais da sociedade capitalista – relaçõesessas que são contraditórias. Assim, é fundamen-tal que o pro
ssional tenha um posicionamentopolítico frente às questões que aparecem na rea-lidade social, para que possa ter clareza de qualé a direção social da sua prática. Isso implica emassumir valores ético-morais que sustentam a suaprática – valores esses que estão expressos no Có-digo de Ética Pro
ssional dos Assistentes Sociais(Resolução CFAS nº 273/93)
5
, e que assumemclaramente uma postura pro
ssional de articular
4
 
Uma sintética análise desse movimento tão plural e complexo seencontra em Netto (2004).5
 
O Código de Ética pro
ssional vigente defende o reconhecimentoe a defesa de 11 princípios fundamentais. São eles:
liberdade, di- reitos humanos, cidadania, democracia, eqüidade e justiça social,combate ao preconceito, pluralismo, construção de uma nova ordem social (sem dominação-exploração), articulação com movimentos de trabalhadores, qualidade dos serviços prestados e combate a toda espécie de discriminação.

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