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A predestinação

A predestinação

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11/05/2012

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 A predestinaçãoProf. Anísio Renato de Andrade
Predestinação – o que é e a quem se refere?
  “Predestinar” significa planejar ou determinar o destino. Este verbo se encontra na bíblia apenas nasseguintes passagens: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seuFilho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes tambémchamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”.(Rm.8.29-30). “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveisdiante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo,segundo o beneplácito de sua vontade... Nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sidopredestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade.” (Ef.1.4,5,11)A teoria calvinista a respeito da predestinação diz que Deus escolheu os que haviam de se salvar econdenou os demais à perdição eterna, independente do desejo dos indivíduos. É bom observar que ostextos acima não afirmam tal coisa. Tais declarações calvinistas me parecem contrárias ao ensino bíblicogeral bem como ao caráter de Deus expresso na bíblia.Como podemos compreender a predestinação bíblica e relacioná-la ao livre-arbítrio humano?Antes da fundação do mundo, Deus já sabia quem haveria de crer em Cristo e quem haveria de rejeitá-lo. Para os que o aceitariam, ele fez um plano. Ele determinou que eles seriam seus filhos, semelhantes aCristo. A predestinação se baseia na presciência (IPd.1.2) e não numa escolha soberana de Deus.Predestinar é planejar. Deus tem um plano de salvação, mas isso não significa escolher quem será salvo.Por exemplo, a arca de Noé estava predestinada a flutuar sobre as águas do dilúvio, mas quem seriamseus ocupantes? Era uma questão de decisão individual.A predestinação bíblica sempre se refere a grupos, conforme observou o Pr. Silas Malafaia. Seus verbose pronomes sempre estão no plural. O indivíduo deve escolher a qual grupo quer pertencer. Deuspredestinou Israel para uma missão: trazer Jesus ao mundo. Também predestinou a igreja para o céu e osímpios para o inferno. “Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”. (Salmo 9.17).Se considerarmos o versículo acima como uma determinação que deixa o indivíduo sem escolha, entãonão precisaríamos mais pregar o evangelho, pois todos os ímpios já estão condenados. Sabemos, porém,que cada indivíduo ainda tem chance de deixar a impiedade e se converter ao evangelho. Quando, porém,Jesus voltar, todos os que forem ímpios irão para o inferno e todos os que forem justos irão para o céu,pois assim estava predeterminado, não para o indivíduo mas para o tipo de pessoa que ele escolheu ser.A doutrina da eleição é bíblica, mas não elimina o livre-arbítrio. Afinal de contas, não se costuma elegeralguém que não deseja ser eleito. A eleição realizada por Deus não foi algo individual, mas coletiva. Cristoé o eleito de Deus e nós fomos eleitos NELE (Ef.1.4). Quem estiver EM Cristo é eleito e todos quantosquiserem podem se incluir nesse grupo. É como alguém que entra para o partido do governo, mesmoapós as eleições. O indivíduo usufrui dos efeitos da eleição e governa juntamente com O ELEITO.Sabemos que Israel era a raça eleita de Deus no Velho Testamento. O que dizer dos cananeus?Sabemos que eram malditos, condenados, predestinados a tudo de ruim que pudesse existir. Contudo,mesmo naquele contexto, um indivíduo cananeu podia escapar da predestinação de seu povo e entrar napredestinação de Israel. Foi exatamente o que aconteceu com Raabe, a meretriz, que se converteu aoDeus de Israel.
A universalidade do pecado humano e da graça divina.
Na epístola ao romanos, Paulo se esforça para demonstrar a universalidade do pecado. Não eraadmissível que alguém se considerasse uma exceção, como se não fosse um pecador aos olhos de Deus.Da mesma forma, não é admissível que alguém se considere fora do propósito divino de salvação. Peloque está escrito, entendemos que Paulo consideraria absurda tal idéia. Ele insiste que o pecado atingiu atodos e a salvação também é para todos. “Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para TODOS e sobre todos os que crêem, porque NÃOHÁ DISTINÇÃO, pois TODOS pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, porsua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”. (Rm.3.22-24).Se consideramos universal a declaração de “todos pecaram”, não podemos negar a universalidade detodo o contexto, de modo que a graça salvadora e a justificação estejam disponíveis para todos. Sabemosque só os que crêem é que serão salvos, mas todos podem crer. Caso contrário, Jesus não mandaria quese pregasse o evangelho a toda criatura.
Depravação total – incapacidade de crer e decidir?
Os calvinistas afirmam que o ser humano, em seu estado de morte espiritual, não tem condições decrer em Deus nem aceitar sua oferta de salvação. Ao dizerem isso, tem em mente a morte física comopadrão. Um cadáver não tem condições de crer nem escolher. Entretanto, a morte espiritual não guarda
 
perfeita semelhança com a morte física, pois, se assim fosse, o fato fato de estarmos “mortos para opecado” (Rm.6.11) significaria que somos incapazes de pecar. Sabemos que não é assim. Da mesmaforma, embora mortos, separados da vida de Deus, os ímpios não são incapazes de se arrependerem, decrerem no evangelho ou de escolherem a vida.Vejamos o que Jesus disse a um grupo de judeus: “E o Pai que me enviou, ele mesmo tem dadotestemunho de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma; e a sua palavra nãopermanece em vós; porque não credes naquele que ele enviou. Examinais as Escrituras, porque julgaister nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdesvida.” (João 5.37-40).Aqueles judeus estavam mortos espiritualmente; tanto é assim, que Jesus lhes ofereceu vida.Entretanto, tal condição de morte espiritual não representava incapacidade de crer, pois Jesus lhesrepreendeu por sua incredulidade. Sua morte espiritual também não significava ausência de livre-arbítrio.Jesus lhes disse: “NÃO QUEREIS vir a mim para terdes vida”. Outros mortos quiseram e foram vivificados.
Perseverança dos santos – automática e irreversível?
Se a salvação dependesse única e exclusivamente de Deus, seria natural que todos os escolhidos paraa salvação perseverassem até o fim. Mas, como sabemos que a salvação depende também da vontadehumana, deduzimos que o homem pode também rejeitá-la após tê-la abraçado. O homem pode cair dagraça divina, conforme afirma o apóstolo Paulo aos Gálatas: “Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E denovo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separadosestais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes”. (Gal.5.2-4).O apóstolo escreveu para cristãos verdadeiros. Eles estavam inclinados a adotarem a lei judaica comocondição para a salvação. Se assim fizessem, e talvez alguns já tinham feito, eles teriam caído da graça,estariam separados de Cristo e ele de NADA lhes aproveitaria. É óbvio que não estariam salvos. Não écorreto afirmar que, se não estariam salvos é porque nunca estiveram. Paulo não pensava desta forma.Se pensasse, o lhes teria enviado uma epístola. O apóstolo haveria de escrever doutrinas eadmoestações para pessoas que nunca foram salvas?De fato, elas eram salvas e corriam o risco de se desviarem. A estas mesmas pessoas, Paulo continuaadvertindo: “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria,a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as discórdias, as dissensões, as facções, asinvejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antesvos preveni, que os que tais coisas praticam NÃO HERDARÃO o reino de Deus”. (Gal.5.19-21).Se a perseverança dos santos fosse algo automático e irreversível, que dependesse apenas de Deus, oNovo Testamento não estaria repleto de advertências. Afinal, o Novo Testamento não precisaria ser tãoextenso, se tudo já estivesse predeterminado por Deus para cada um de nós, de modo que nadapudéssemos fazer ou escolher para mudar nosso rumo espiritual.As Escrituras estão repletas de textos CONDICIONAIS. Deus estabelece planos que vão se cumprir emnós somente SE satisfizermos uma série de condições pré-estabelecidas. Senão, eles se cumprirão emoutras pessoas que atenderão aos requisitos divinos.Se a situação de cada indivíduo estivesse predeterminada, os textos bíblicos teriam afirmaçõesincondicionais, visto que aconteceriam de qualquer forma. “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quempermanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem nãopermanece em mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo equeimadas. Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o quequiserdes, e vos será feito” (João 15.5-7).Aquela vara que não permaneceu na videira era um verdadeiro cristão, pois esteve ligado a Cristo. Noentanto, resolveu abandoná-lo. Jesus estava certo dessa possibilidade e, por isso, estava advertindo seusdiscípulos. “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossaconfiança inicial” (Heb.3.14). O autor tinha dúvidas sobre sua salvação? Não, mas estava consciente sobrea necessidade de sua perseverança e que esta não seria automática nem irreversível. “Se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelhoque ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituídoministro” (Col.1.23). “Dis eno: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Esbem; pela suaincredulidade foram quebrados, e tu pela tua fé estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme; porque, seDeus não poupou os ramos naturais, não te poupará a ti. Considera pois a bondade e a severidade deDeus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessabondade; do contrário também tu serás cortado. E ainda eles, se não permanecerem na incredulidade,serão enxertados; porque poderoso é Deus para os enxertar novamente” (Rm.11.19-23).
 
Os escritores do Novo Testamento se mostram preocupados e temerosos em relação à condiçãoespiritual dos irmãos. Se nosso destino espiritual estivesse traçado e fosse inalterável, eles não sepreocupariam. “Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todospassaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés, e todos comeram domesmo alimento espiritual; e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedraespiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo.Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto. Ora, estascoisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer ea beber, e levantou-se para folgar. Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num sódia vinte e três mil.E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes. E nãomurmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes aconteciacomo exemplo, e foi escrito para AVISO NOSSO, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele,pois, que pensa estar em pé, olhe não caia.” (ICo.10.12). “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam dealguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há emCristo” (IICo.11.3). “Ora, quero lembrar-vos, se bem que já de uma vez para sempre soubestes tudo isto, que, havendo oSenhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram”. (Jd.5). “Temo a vosso respeito não haja eu trabalhado em vão entre vós” (Gal.4.11).
O grupo e o indivíduo
Na história de Israel, verificamos que o plano de Deus para a nação estava em execução. Nãoobstante, muitos indivíduos se excluíram deste processo. O mesmo pode acontecer na igreja, hoje.O autor da carta aos hebreus parece ter em mente este fato ao escrever: “Portanto, tendo-nos sidodeixada a promessa de entrarmos no seu descanso, temamos não haja algum de vós que pareça terfalhado.Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregaçãonada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram.Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minhaira: Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação domundo” (Heb.4.1-3).Todos os israelitas estavam predestinados para participarem do propósito divino, mas não eramobrigados a isso.O endurecimento de Israel como nação parece ter sido um ato divino. Entretanto, isto não impediu quemuitos israelitas, individualmente, agissem de modo diferente da tendência nacional. Os apóstolos deJesus, e também Paulo, eram judeus, mas usaram seu direito de escolha para aceitarem o evangelho.Embora Paulo tenha se convertido em situação nada convencional, não podemos concluir que ele nãousou seu livre-arbítrio. Em seu testemunho, ele disse: “Não fui desobediente à visão celestial”. Então,poderia ter sido (At.26.19).
O livre-arbítrio
 A bíblia contém uma série de textos em que o direito humano de escolha fica claro:Adão e Eva, no jardim do Éden, podiam escolher o fruto que comeriam. Escolheram a desobediência eforam castigados por causa dela. Se estivessem predestinados a pecar, Deus não os condenaria.Depois vieram Caim e Abel. Deus deixou claro para Caim que, se ele mudasse sua atitude, sua ofertapoderia ser aceita (Gn.4.7). Por outro lado, havia a opção pelo pecado. Se tudo estivesse predestinado epredeterminado por Deus, por quê o Senhor haveria de alertá-lo? É bom observarmos que Caim estavamorto espiritualmente, mas isso não significava incapacidade de ouvir a voz de Deus, crer e decidir.Outras passagens interessantes são estas: “Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses aquem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terrahabitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js.24.15). “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, abênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt.30.19).
A realidade da apostasia
Um filho pode deixar de ser filho? Não, mas isso não significa que ele será salvo. Os israelitas foramchamados de filhos de Deus. “A eles pertence a adoção...” (Rm.9.4). Vejamos, porém, o que Jesus disse: “Também vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão,Isaque e Jacó, no reino dos céus; mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haveráchoro e ranger de dentes” (Mt.8.11-12).Assim também, na igreja, não basta sermos filhos, precisamos ser obediente, fiéis até o fim.

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