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A PREDESTINAÇÃO BÍBLICA

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A PREDESTINAÇÃO BÍBLICA
Texto: Pr. Pedro Apolinário
COMO HARMONIZAR A LIBERDADE HUMANA COM A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO?
 Antes do estudo do tema da Predestinação é necessário e muito útil o conhecimento dealgumas idéias calvinistas e da contestação que Armínio e seus seguidores lhes fizeram.Vamos transcrevê-las do livro - Questions on Doctrine, pág. 402 e seguintes.
 Cinco pontos da Predestinação Calvinista
Em 1537, na obra Instruction in Faith (Paulo T. Fuhrmann, 1949, pág. 36), João Calvinodeclarou:"Ora, a semente da Palavra de Deus só se enraíza e produz frutos nas pessoas que o Senhor,por Sua eleição eterna, predestinou para serem filhos e herdeiros do reino celestial. Para todosos outros (que pelo mesmo conselho de Deus foram rejeitados antes da fundação do mundo) aclara e evidente pregação da verdade só pode ser um cheiro de morte para morte."Em 1610 foram apresentados aos Estados Gerais da Holanda os famosos cinco pontosessenciais na teologia calvinista, expostos da seguinte maneira:1.Que Deus (como alguns asseveraram), por um decreto eterno e irrevovel, ordenoualguns dentre os homens (a quem Ele não considerava criados; muito menos caídos) paraa vida eterna; e alguns (que eram por grande diferença a maior parte) para a perdiçãoeterna, sem qualquer consideração a sua obediência ou desobediência, a fim de manifestartanto a Sua justiça como a Sua misericórdia; de tal modo que as pessoas por Eledestinadas à salvação devem forçosa e inevitavelmente ser salvas, e as demais devemforçosa e inevitavelmente ser condenadas.2.Que Deus (como outros ensinaram) considerou a humanidade não só como criada, mastambém como caída em Adão, e, conseqüentemente, sujeita à maldição; tendo Eledeterminado livrar alguns dessa queda e destruição e salvá-los como exemplos de Suamiserirdia; e deixar outros, até mesmo filhos do concerto, sob a maldição, comoexemplos de Sua justiça, sem qualquer consideração a crença ou descrença. Com essafinalidade, Deus usou também certos meios pelos quais os eleitos fossem necessariamentesalvos e os réprobos fossem necessariamente condenados.3.Que, por conseguinte, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, não morreu por todos oshomens, mas somente pelos que foram eleitos de acordo com a primeira ou a segundaforma.4.Que, portanto, o Espírito de Deus e Cristo atuaram nos eleitos com força irresistível a fimde compeli-los à crença e à salvação, mas que aos réprobos não foi dada necessária esuficiente graça.5."Que aqueles que uma vez obtiveram verdadeira fé jamais poderiam perdê-la por completoou terminantemente". A. W. Harrison, The Beginnings of Arminianism (1926), págs. 149 e150.Esse ponto de vista, porém, não se originou com Calvino. Mil anos antes, de acordo com G. F.Wiggers, Agostinho expressou a mesma idéia:"Agostinho introduziu no sistema eclesiástico diversas idéias inteiramente novas. . . . Entreelas encontravam-se a graça irresistível, absoluta predestinação e a limitação aos eleitos daredenção por meio de Cristo". – An Historical Presentation of Augustinism and Pelagianism,pág. 368.
Refutação Elaborada Pelo Arminianismo
 Em oposição e esses pontos de vista, Armínio e seus colaboradores elaboraram uma refutaçãoque apresenta cinco argumentos contrários. Mais tarde eles se tornaram a síntese do que seconhecia por arminianismo. Eram os seguintes:1.Que Deus, por meio de um decreto eterno e imutável em Cristo, antes de existir o mundo,determinou eleger para a vida eterna dentre a caída e pecaminosa raça humana os que porintermédio de Sua graça crêem em Jesus Cristo e perseveram na fé e na obediência; e,pelo contrário, resolveu rejeitar os impenitentes e descrentes, para condenação eterna (S.João 3:36).2.Que, em conseqüência disto, Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos os homens,de modo que obteve, pela morte na cruz, reconciliação e perdão do pecado para todos os
 
homens; de tal forma, porém, que só os fiéis a desfrutaram em realidade (S. João 3:16;1S. João 2:2).3.Que o homem não podia obter fé salvadora por si mesmo ou em virtude de seu própriolivre arbítrio, mas precisava da graça de Deus por meio de Cristo para renovar-se empensamento e vontade (S. João 15:5).4.Que essa graça constitui a causa do início, do desenvolvimento e da conclusão da salvaçãodo homem; de maneira que ninguém poderia crer ou perseverar na fé sem essa graçacooperante, e, conseqüentemente, que todas as boas obras devem ser atribuídas à graçade Deus em Cristo, Todavia, quanto à sua maneira de operar, essa graça não é irresistível(Atos 7:51).5.Que os verdadeiros crentes possuíam suficiente poder, mediante a graça divina, parabatalhar contra Satanás, o pecado, o mundo, sua própria carne, e alcançar a vitória sobreeles; mas, para que pela negligência não apostatassem da verdadeira fé, perdessem afelicidade de uma boa consciência e fossem privados dessa graça, deveriam investigá-lamais cabalmente em conformidade com a Escritura Sagrada, antes de começar a ensiná-la." – Harrison, op. cit., págs. 150 e 151.Essa controvérsia, que foi ativada por Armínio em 1603, atingiu o ponto culminante no Sínodode Dort, em 1618 e 1619, e teve amplas conseqüências. Os seus efeitos se fizeram sentir nãosomente na igreja holandesa, mas as divisões alemã, suíça, escocesa, inglesa e francesa, daigreja cristã, também participaram dessa controvérsia ou se dividiram por sua causa. Desdeentão, o arminianismo se tornou o termo usado para exprimir conceitos teológicos contráriosao calvinismo. Entretanto, os seguidores de Armínio foram mais além em suas declarações doque o seu próprio mestre. Com efeito, ele ficaria surpreso e até indignado se pudesse ler asinterpretações teológicas de alguns que têm sido classificados como arminianos. E o mesmo sepode dizer no tocante aos adeptos de Calvino. Parece até que o calvinismo atual sofreumaiores modificações que o arminianismo.A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é calvinista nem totalmente arminiana em sua teologia.Reconhecendo os méritos de ambos esses sistemas, procuramos assimilar o que nos pareceser o claro ensino da Palavra de Deus. Embora creiamos que João Calvino foi um dos maioresreformadores protestantes, não adotamos a idéia de que algumas pessoas "são predestinadaspara a morte eterna sem qualquer derito de sua parte, simplesmente por causa dasoberana vontade de Deus" (Calvino, Institutes, Livro 3, cap. 23, § 21). Ou que os homens"não são todos criados com o mesmo destino; mas a vida eterna é preordenada para alguns,e, para outros, a condenação eterna" (Idem, Livro 3, cap. 21, § 5).
Pelo contrário,
cremos que a salvação é acessível a todo e qualquer membro da raçahumana, pois "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para quetodo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (S. João 3: 16). Exultamos com oapóstolo Paulo porque "antes da fundação do mundo" (Efés. 1:4) Deus resolveu suprir anecessidade do homem, se ele pecasse. Esse "eterno propósito" abrangia a encarnação deDeus em Cristo, a vida sem pecado e a morte expiatória de Cristo, Sua ressurreição dentre osmortos e o Seu ministério sacerdotal no Céu, o qual culminará nos grandiosos aspectos do julgamento.
Cremos
que nosso ensino a respeito do assumo do julgamento está inteiramente de acordocom a Bíblia e é a conclusão lógica e inevitável de nosso conceito acerca do livre arbítrio.Temos a convicção de que, como indivíduos, cada um de nós é responsável perante Deus.Declara o apóstolo Paulo: "Todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Como estáescrito: Por Minha vida, diz o Senhor, diante de Mim se dobrará toco joelho, e toca língua darálouvores a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus." Rom. 14:10-12.
Livre Arbítrio e Predestinação Afirma a blia que livre artrio, liberdade de escolha e ao mesmo tempopredestinação?
Que a palavra de Deus declara que o homem é livre para escolher ninguém duvida, mas se elatambém fala em predestinação, é necessário saber a que predestinação se refere.A Bíblia não se contradiz, não pode apresentar doutrinas antagônicas, portanto não podeensinar o livre arbítrio e a predestinação calvinista.
Que é livre arbítrio?
 
Livre arbítrio é um princípio escriturístico que declara que o homem é livre para tomardecisões, para decidir a questão do seu destino.
Que é predestinação?
Predestinação pode ser definida no sentido geral e no sentido bíblico.No consenso do povo é crer que Deus traçou um plano para a nossa vida e devemos segui-losem o direito da escolha. Em outras palavras – somos autômatos, desempenhando um papelpreviamente estabelecido por Deus.Calvino, ampliando idéias já antes defendidas por Santo Agostinho, afirmou que desde aantigüidade Deus estabeleceu dois decretos: Um selecionando um grupo para a salvação ouvida eterna e um outro decreto selecionando aqueles que serão destruídos. O próprio Calvinoqualificou-o como terrível decreto de Deus.Estaria este ensino em harmonia com as doutrinas bíblicas? De modo nenhum. Porque a duplapredestinação ensina que se não fomos arbitrariamente escolhidos para a salvação, não háesperança, mesmo que almejemos ardentemente esta graça.
A Bíblia não diz isto.
Predestinação bíblica, é o decreto de Deus que possibilita a salvação a todos os que aceitarema Cristo.É importante compreender melhor e expor com clareza esta doutrina aos outros, emborareconhecendo, que ele é complexo, e em alguns aspectos transcende a nossa limitadacompreensão.Disse
Russel Norman Champlin
em O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo:"As questões relativas à predestinação e à eleição não podem ser explicadas por raciocíniohumanos."
Concordamos –
Elas são explicadas pelo raciocínio divino, isto é, pela Palavra de Deus."A doutrina da predestinação de uns para o bem e a felicidade e de outros para a mal e ainfelicidade, parece ter nascido da necessidade de alguns teólogos de conciliarem amisericórdia com a Justiça Divina. Deus é justo com os que predestina ao mal e misericordiosocom os que predestina para a salvação. As passagens de Isaías 1:27 e Rom. 3:25 negam quea misericórdia e a justiça sejam atributos divinos distintos; Deus não é metade misericórdia emetade justiça, mas inteiramente misericórdia e inteiramente justiça." – Hans K. LaRondelle,Apostila Predestinação Bíblica.
Em que passagens e fatos bíblicos se baseiam os defensores da predestinação divinapara a perdição?
As passagens mais enfáticas para eles são:
Prov. 16:4; Rom. 9:18; 8:29 e 30; Efés. 1:5,11.
Leitores apressados da Bíblia, deslocando,às vezes, estas passagens do seu contexto, concluíram, que Deus arbitrariamente predestinoualgumas pessoas para serem salvas e outras para se perderem.Dentre os fatos mais citados estes se destacam:
a)
O endurecimento do coração de Faraó.
b)
Judas predestinado para trair a Jesus.
c)
A declaração de Rom. 9:13: "Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú.A palavra predestinação não aparece na Bíblia, mas o verbo predestinar, em grego
prooridzo
,é empregado quatro vezes, isto é, em
Rom. 8:29 e 30; Efés 1:5 e 11
. (Alguns manuscritos otrazem também em Atos 4:28 e 1 Cor. 2:7). A palavra é formada de p r o (pró), antes e overbo dorizw (horidzo) definir, limitar. Este verbo é usado em português na palavrahorizonte, como círculo limitante do campo da nossa observação.
Prooridzo
pode sertraduzido por demarcar de antemão, ser determinado anteriormente.
A Hermenêutica e a Predestinação
 
Três úteis princípios hermenêuticos ou interpretativos nos ajudarão a compreender oproblema da predestinação.1º)
É a regra áurea da interpretação, chamada por Orígenes de "Analogia da Fé". O texto deveser interpretado através do conjunto das Escrituras e nunca através de passagens isoladas.Não podemos basear uma doutrina numa só passagem.
2º)
Para compreender bem uma passagem é precisa consultar as passagens paralelas. Sãoaquelas que tratam do mesmo assunto.
3º)
Observar bem o contexto. Ver o que vem antes e depois para saber de que autor estátratando.

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