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Baruch de Spinoza - A separação entre Filosofia e Teologia segundo Spinoza

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Revista Eletrônica
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Metavnoia
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Metavnoia.
São João del-Rei, n. 3. p. 55-59, jul. 2001
A SEPARAÇÃO ENTRE A FILOSOFIA E A TEOLOGIA SE-GUNDO SPINOZA
Danilo Santos Dornas (PIBIC/CNPq - FUNREI)
Orientador: Prof. Dr. José Maurício de Carvalho 
Resumo:
Estudaremos, nesse trabalho, a idéia de Religião e Filosofia no pensamentode Baruch de Spinoza (1632-1677). Distinguiremos essas duas disciplinas para elucidar opleno exercício da liberdade que a Modernidade instaurou.
Palavras-chave
:
Religião. Filosofia. Liberdade.
Abstract:
In this work we'll study the idea of Religion and Philosophy in Baruch de Spi-noza's thought (1632-1677). We'll distinguish these two subjects for to elucidate the fullexercise of the liberty that the Modernity established
.
Key words:
Religion. Philosophy. Liberty
.
1. Introdução
uando o homem sente medo,ordinariamente não procurasalvar-se por si mesmo, eleaspira ao auxílio divino ou à algumasolução mágica para suas aflições.Baruch de Spinoza (1632-1677) en-tende que é superstição recorrer atais expedientes para resolver osproblemas da vida diária.Spinoza se empenha em uma análisehistórica das Sagradas Escriturasrevelando as contradições existentese demonstrando que a fonte que fun-damenta a Teologia está repleta deerros históricos. Assim, as passagense as leis contidas na Bíblia não sãoconfiáveis e podem induzir ao erro seforem aceitas como instrumento deconhecimento. O propósito do filósofoé incentivar uma experiência moralcom características racionais, o quenão era comum no seu tempo, comoobserva José Maurício de Carvalhono primeiro capítulo de
Caminhos da moral moderna 
(1995).O filósofo defende a liberdade defilosofar com o objetivo de estabele-cer regras que ajudem no convíviosocial. A capacidade de reflexão decada indivíduo deve ser incentivadapara que haja uma harmonia entre ohomem e a sociedade. Nesse traba-lho, elucidaremos como Spinoza dife-renciou os objetivos da Religião e daFilosofia para justificar a liberdade depensar.
2. As superstições dificultaminterpretar as Sagradas Escritu-ras
Para Spinoza, as crendices dos ho-mens são reafirmadas pela supersti-ção. Elas provêm de um conheci-mento revelado, que se impõe pelaautoridade de quem o anuncia e exi-
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 A Separação entre a Filosofia e a Teologia segundo Spinoza
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ge a obediência dos crentes. A esseconhecimento revelado, Spinozachama de profecia.Nas primeiras frases do
Tratado Te- ológico-Político 
, Spinoza coloca ohomem como possuidor de uma an-gústia que transporta para o exteriora capacidade de realização de seusprojetos. Por isso, acaba fundamen-tando suas crenças numa força queos transcende, cuja vontade desco-nhece e da qual tudo depende.
Se os homens pudessem, em todas ascircunstâncias, decidir pelo seguro, ouse a fortuna lhes mostrasse semprefavorável, jamais seriam vítimas dasuperstição (Spinoza, 1988. p.
111).O filósofo explica que a causa queorigina, conserva e alimenta as su-perstições do homem é o medo. Essemedo faz surgirem idéias confusas emutiladas que são desenvolvidaspela imaginação. Assim, a imagina-ção não é clara e distinta como preci-saria ser, deixando no homem a dú-vida de um futuro incerto.No sentir de Spinoza, a dúvida sobreo futuro gera, no homem, conflitosentre seus sentimentos. Desses con-flitos resultam o medo e a esperança,que são paixões contrárias e se en-frentam na alma humana. A impossi-bilidade de determinar o futuro fazcom que prevaleça a angústia e aansiedade e nesse meio a supersti-ção. A superstição aflora quando oshomens se entregam delirantementeàs paixões negativas que povoamsua imaginação. Eis o que diz o filó-sofo:
como se encontram freqüentementeperante tais dificuldades que não sa-bem que decisão hão de tomar, ecomo os incertos benefícios da fortunaque desenfreadamente cobiçam os fa-zem oscilar, a maioria das vezes, entrea esperança e o medo, estão sempre apontos a acreditar seja o que for. (Spi-noza, 1988. p. 111).
Spinoza também analisa o meio pri-vilegiado pelo qual se dá a revelação.Esse meio é a profecia. O fenômenoprofético aparece nas Sagradas Es-crituras, onde se encontra a revela-ção.O principal problema que o filósofoenxerga nas profecias é o modocomo são interpretadas. O métodoproposto por Spinoza é refazer ashistórias dos textos bíblicos exami-nando a língua utilizada, o objetivo deseus autores e a vida e costumesdaqueles para os quais foram dirigi-dos.Vale ressaltar que Spinoza não pre-tende recuperar a originalidade dostextos bíblicos, e sim procurar com-preendê-los a partir da época na qualforam escritos.A língua hebraica, para o filósofo,apresenta dificuldades que dificultama interpretação das Sagradas Escritu-ras porque permanece sob a respon-sabilidade de um grupo restrito desacerdotes. Desse modo, resta aoshomens comuns se submeterem atais interpretações e tomá-las como overdadeiro sentido da palavra divina.Além do mais, se cada homem tives-se oportunidade de interpretar as leisdivinas conforme seus interesses, aautoridade clerical não conseguiria sesustentar, completa Spinoza.Spinoza, em sua análise, procuraentender o motivo que levou Deus aentregar suas leis ao povo hebreu.Concluiu que o povo hebreu era su-
 
 
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perior aos outros povos pela formafeliz como geria aquilo que lhe davasegurança na vida. A nação hebraicafoi escolhida não por sua inteligênciaou serenidade, mas pela organizaçãosocial e pela solidez da estrutura po-lítica. A vocação dos hebreus con-siste na prosperidade temporal doEstado. Ao entregar a lei aos he-breus, Deus não excluiu os outrospovos de seus planos, também elestiveram ensinamentos de Deus:
é evidente que outras nações tiveramtambém, à semelhança dos judeus, osseus profetas e que estes profetizamtanto para eles como para os próprios judeus (Spinoza, 1988. p. 158).
Spinoza contesta a autoria de algunslivros das Sagradas Escrituras. Parafazê-lo, emprega a análise histórica eobserva que os verdadeiros autoresviveram séculos depois dos autoresconsiderados verdadeiros.Os ensinamentos e práticas contidosna Bíblia, em virtude de sua contami-nação histórica, só são sagradosquando considerados religiosamente.Spinoza adverte que, nada é sagradoou profano, só em função do uso setornará uma coisa ou outra. Isso si-gnifica que as Escrituras só podemser consideradas palavra de Deus naperspectiva religiosa. Também afirmaque a metodologia de estudo dasEscrituras não se conserva intactapelos séculos, mas o significado divi-no da mensagem ficou preservado. Alei universal se resume na máximaevangélica: "Amar a Deus sobre to-das as coisas e ao próximo como a timesmo" (1988. p. 282).O filósofo ainda afirma que as Escri-turas ensinam uma mensagem com-preensível por qualquer pessoa. Daí,conclui que a doutrina da Escrituranão demanda altas especulações. Sealguns insistem em dizer que os en-sinamentos ali contidos são profun-díssimos, tratam a Igreja como Aca-demia e a Religião como Ciência, eelas não são nem uma coisa nemoutra. O resultado acaba sendo dis-putas e distorções dispensáveis,completa Spinoza.
3. A distinção entre Teologia eFilosofia
Além de determinar a separação en-tre a Filosofia e a Teologia, Spinozapretende esclarecer que essas disci-plinas se distinguem também pelasatitudes que promovem. A Teologiase apóia na autoridade daqueles queinterpretam as Sagradas Escrituraspara impor obediência aos homens.A Filosofia busca a verdade, de modoque tem como autoridade a própriaRazão e só a ela se submete.O filósofo explica que a Teologiadita à Razão de seus crentes os ide-ais cuja origem desconhecem. Porisso, o pensar que fundamenta a Te-ologia está imerso em preceitos edogmas aos quais todos devem ser-vir. Essa imposição retira do homema liberdade para pensar ou agir.Ele observa que a Teologia só podeser estruturada pelas profecias, quesão frutos da imaginação daquelesque as formulam. Elas são demons-tradas por sonhos dos profetas. Sen-do assim, as profecias podem induzirao erro por se manifestarem quandoos profetas estão mais vulneráveis apraticá-lo.A Filosofia, para Spinoza, está alicer-çada na busca da verdade pela Ra-

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