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O humor no jornalismo

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Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br)site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/
 
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINASCENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO
Humor na imprensa
AMARAL, Luiz.
 Jornalismo: matéria de primeira página
. Rio deJaneiro : Tempo Brasileiro/ MEC, 1978, p. 113-124
O humor
, seja "a polidez do desespero" (Mark Twain), "a amável contemplaçãodas incongruências da vida" (Leacock), "uma revolta superior do espirito" (AndréBreton) ou "uma forma de espírito que diverte sem querer e faz rir sem ter rido" (Mmede stael) ,
tem presença disputada nos veículos de comunicação social
. Além depoder manifestar-se através das diversas matérias redacionais, detém espaçosexclusivos e permanentes, e constitui motivos de um número sem conta de revistas e jornais especializados.
As funções do humor vão desde o puro entretenimento
, com o intuito declarear um pouco o conjunto de textos ditos sérios,
à atuação política e ideológica
,ao humor engajado que faz rir para refletir e, assim, quebrar a indiferença da opiniãopública. Expressões consagradas no gênero são as publicações Le Canard Enchainé(Paris), Codorniz (Madri), Punch (Londres), Krokodil (Moscou) e Pasquim (Rio deJaneiro).
Durante os conflitos bélicos, o humor surge como uma arma decombate, na medida em que, exorcizando a angústia, dá confiança aocombatente, e, esvaziando a ameaça, priva o adversário de sua armapsicológica
. Assim aconteceu, por exemplo, na II Grande Guerra, na Inglaterraameaçada pelas bombas V-2 de Hitler, na Franç8. ocupada pelos alemães, na UniãoSoviética.Goebbels, mestre da propaganda, dele se valeu para dar ânimo ao povo alemãoe levá-lo às culminâncias da produção de guerra e da resistência ao sofrimento.Terminado o conflito armado, outra guerra, não menos importante, a guerrafria, viria aproveitar-se do humor. Firmaram-se os features sindicates nos EstadosUnidos, exportando histórias em quadrinhos e cartoons (com muitos dos seuspersonagens figurando também em desenhos animados) e, com eles, ideologia efilosofia de vida para todo o campo ocidental. O mesmo fenômeno ocorreu no mundosocialista, onde se multiplicaram os esforços da imprensa sob a tutela do Estado. Emépocas de relativa tranqüilidade, o humor alterna sua dosagem entre o otimismo tristee o pessimismo alegre e se desenvolve à plena luz da consciência, em uma dialética dasátira que põe em causa os homens e os deuses. Segundo a própria natureza do autor,este tipo de humor pode nem chocar nem reconfortar a natureza humana: apenasobserva com um sorriso.Seria difícil apresentar, como compartimentos estanques, as diversas funçõesdo humorismo, e estabelecer até que ponto a graça ligeira, circunstancial, não é críticade costumes, ou não envolve crítica social ou política ou administrativa. As fronteirasrestam sempre indefinidas e os mesmos princípios básicos do humor e a atitude dospersonagens diante dos homens, dos fatos e da vida, são aplicáveis a todas asfunções. Quanto aos meios de expressão do humor na imprensa - a caricatura (doitaliano caricatura, do latim caricare, carregar, atacar, exagerar, acusar, ridicularizar) eo texto - podemos estabelecer as seguintes distinções:Caricatura: portrait-charge - Retrato caricatural de uma pessoa determinada,em cuja composição podem entrar também elementos alusivos às razões por que sedistingue a personalidade. Gênero de larga aceitação na imprensa brasileira até 25
 
 
Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br)site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/
 
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anos atrás, tendo em Alvarus. Mendez e Lan os seus mais recentes representantes, oportait-charge foi usado para ilustrar notícias políticas, páginas de esporte,colaborações literárias, seções de mundanismo e as mais diversas colunas assinadasem que o caricaturado era permanentemente o próprio colunista.Com o desenvolvimento das técnicas gráficas de reprodução, permitindo o bomaproveitamento de fotos, de que o protrait-charge era substituto, e com a consequentedinamização do estilo jornalístico, este gênero, por suas exigências de elaboração,desapareceu praticamente dos nossos jornais e revistas. Na imprensa estrangeiraverificamos, porém, que o portrait-charge conseguiu sobreviver, recorrendo àespecialização: em função de figuras esportivas (Argentina, Peru, Uruguai), deliteratos, pintores e escultores (França), de artistas de cinema e teatro (Inglaterra), depersonalidades da música popular e da politica (Estados Unidos).Charge - Caricatura referente a acontecimentos imediatos, geralmente políticos,veiculando necessariamente uma critica.A charge política no Brasil, usada desde os tempos do Império, pela RevistaIllustrada, de Angelo Agostini, até o Estado Novo, teve acentuada participação nascampanhas pela Abolição e Proclamação da República e, mesmo no Estado Novo, nacampanha de mobilização contra o Eixo. Derrubado o Estado Novo, para cujo desgaste,veladamente, sempre contribuiu, a charge, entretanto, não mais recuperaria a forçaantiga, pois, uma vez iniciado o processo de industrialização do país, as folhas setransformaram em empresas jornalísticas, perdendo aquela liberdade de quedesfrutavam antes.Os chargistas de então (Augusto Rodrigues, Nássara, Théo, para citar os maisatuantes) já faziam incursões pelo cartoon, forma de humor mais amena, que seoriginara da critica de costumes como a realizavam, entre nós, Raul Pederneiras,Kalixto, J. Carlos e Fritz.Comenta o caricaturista Ziraldo que
a preocupação dos jornais em sobreviverem como empresas, com papel subvencionadoe vínculos indiscutíveis com o Poder, talvez não tenha permitido o aparecimento denovos chargistas que pudessem exercer sua arte em toda a plenitude. Sem realliberdade de expressão, não pode existir o chargista. Contido, este artista não existe,pois o nome de sua arte é preciso: ele tem que estar na frente da batalha,comandando a artilharia, mandando sua bala. O chargista é, sem dúvida nenhuma, umdos editorialistas do jornal em que trabalha. O mais objetivo, direto, sintético. Se alinha do jornal dança conforme a música, o chargista cai duro. Chargista não sabedançar.
Atualmente a charge política, que teve como últimos representantes Hilde Weber eAppe, vem sendo praticada também por cartunistas. Segundo o humorista Fortuna,para quem ser apresentado como chargista é "o maior desprestígio hierárquico para ohumorista, há mui
to na ativa”, o fato se deve a que
 
Nas graves conjunturas, quando a chamada sensatez manda calar, o humorista sabeque o mais sensato é rir alto para espantar os fantasmas.Esta é uma atitude ditada pelo particular bom-senso, que nasce do senso de humor dizFortuna - É que o humorista, não passando ele porta-voz da voz geral, amplia-anaturalmente, mesmo quando ela apenas sussurra (a função persiste, mesmo se a vozse cala, ocasão em que o porta-voz amplia insuportavelmente o silêncio). Essa aprincipal razâo por que eu, como Jaguar e Claudius, no livro Hay Gobierno?, mais oZiraldo e o Millôr na revista Pif-Paf, botamos a boca no mundo quando a situação ficoumal parada.O problema básico do chargista - prossegue Fortuna - até onde pude sentir nesterecente conlato com a caricatura política (e mais especialmente nos intervalos
 
 
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forçados), é o acesso aos órgãos de divulgação, em outras palavras, a liberdade deimprensa. Não muito diferente, em seus efeitos, da censura oficial, que durante oEstado Novo impediu a charge no Brasil, é a autocensura peculiaríssima de cada jornal,que depois do Estado Novo não permitiu o ressurgimento do gênero. Isso que estamosproduzinclo não é nem sombra de charge, com todo o seu impacto pela violência oupelo grotesco, e sim cartoons políticos, como diz Jaguar. E por isso, digo eu,conseguimos publicá-los.
Entretanto, a tradicional charge de sentido apocalíptico, apoteótíco, alegórico,sem maiores compromissos com o humor, às vezes mesmo pura síntese de umacontecimento, está firme nos jornais de todo o mundo, mas sem a qualidade dedesenho dos excepcionais artistas que a exerceram no passado, como Daumier eForain. Apresenta-se, na sua forma mais avançada, como ilustração de ilustrações deensaios políticos, em páginas inteiras, a cores, nas melhores revistas. O caso de TomiUngerer, no Esquire.Lembra, ainda, Fortuna que
O aguçamento do lápis é proporcional ao aguçamento das crises. Para isso somos hojechargistas políticos, embora de uma nova modalidade, em que o primeiro compromissoé com o humor. Acontece apenas que o humor, sendo uma jorma de pensamento, nãose vai pôr a serviço exatamente dos que pretendem suprimir a sua livre manifestação.
Para encerrarmos, cumpre esclarecer que a charge, gênero político porexcelência (nos jornais norte-americanos, o chargista político é chamado
editorialist 
),pode ser exercida, com as mesmas características, visando a outras atividades, desdeque estas monopolizem ponderáveis setores do interesse público. Um bom exemplo,no Brasil, é a charge esportiva que se prolonga até hoje com Otelo.
Cartoon
- Palavra inglesa que quer dizer cartão. A princípio, era o cartão-modelo em que os tapcceiros faziam o estudo inicial. Passou a significar, em seguida,cada um dos "desenhos do desenho animado" e a caricatura isolada ou em sequência,transmitindo uma situação ou uma idéia humorística, com ou sem palavras.Podemos localizar a origem do cartoon na caricatura de costumes do séculoXIX: personagens ilustrando pequenos diálogos de intenção humoristica, já emcomposição tipográfica sob os desenhos. Então, o elenco inteiro de cada cena podiafalar, sendo frequente mesmo o emprego de marcações teatrais nos diálogos: pausa,levantando a voz, dando um passo à frente.Aos poucos, o diálogo se foi resumindo, até chegar a duas falas, surgindo afórmula das duas figuras, em que uma funciona como escada, ainda como no teatro.para a frase de efeito humorístico da outra. Já aqui os personagens, ambientes ousituações por vezes não apenas ilustram, mas complementam o humor do diálogo. Oexemplo brasileiro mais característico é Oswaldo, dos caipiras da Careta.A inversão dessa fórmula - a legenda passando a complemento do desenho, emque se concentraria o plot humorístico - é atribuida a Harold Ross, fundador do NewYorker, onde se divulgaram os cartoons de apenas uma fala, correspondendo aopersonagem desenhado de boca aberta, passando a figura do escala à condição deouvinte. Fortuna suprimiu esse indefectível personagem e inventou o cartoon depersonagem único, que se dirige imediatamente ao leitor. Jaguar redescobriu oscartoons com uma legenda, bem extensa, depois da fase Borjalo. E Ziraldo manteve nocartoon o balão característico das histórias em quadrinhos, dispensando o personagemde boca aberta, a exemplo de Péricles, no Amigo da Onça. A verdade é que aeliminação do diálogo abriu caminho para uma série de inovações no gênero cartoon,permitindo a redução das legendas a uma simples palavra e, afinal, os desenhos sempalavras.

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