Nu
As representações do nu acompanham toda a história daarte figurativa, naescultura e na pintura. Praticado já pelos egípcios, o nu alcança posiçãoproeminente no interior da arte grega, desde as primeiras esculturas de pedra,em que os gregos reproduzem figuras de pé, marcando divisões do corpo e odesenho dos músculos, de acordo com os ensinamentos das artes egípcia eassíria. Em seguida, a representação do nu na Grécia trilha caminhos própriospela ênfase na observação direta dos corpos. A rigidez das representaçõesanteriores dá lugar às tentativas de fornecer imagens convincentes da figurahumana. As esculturas de atletas permitem o aperfeiçoamento darepresentação do corpo humano em movimento, como mostra o
Discóbolo
,executado pelo escultor ateniense Myron (ativo em ca. 450 a.C.). O atleta nu éflagrado no momento em que está em vias de lançar o disco. O corpo inclinadoe torcido, o braço para trás em movimento de arremesso representam comexatidão a pose de lançamento do disco. A maior liberdade de representaçãodos corpos nus entre os gregos traz consigo a idéia de que o "corpo é oespelho da alma", isto é de que os sentimentos e a vida interior afetamdiretamente o corpo em ação. A isso se associa um ideal de beleza, deperfeição, harmonia e graça que os artistas procuram representar pela simetriae proporção das formas (Praxiteles, ativo entre ca. 375-340 a.C.,
Hermes como Jovem Dionisio
). Nesse sentido, os corpos nus apresentam-se como sefossem reais e, ao mesmo tempo, exemplares aperfeiçoados (
Vênus de Milo
,séc. I a.C.).Descartado no período da Idade Média, o nu reaparece na arte renascentista,especialmente na Itália. O bronze
Davi
(ca.1430) do escultor florentinoDonatello (ca.1386 - 1466) é considerado a primeira figura nua em tamanhonatural feita desde a Antigüidade clássica. Herdeiro de Donatello, MichelangeloBuonarroti (1475 - 1564) realiza nus, seja em estudos de anatomia paracomposições maiores (por exemplo
Estudo para uma das Sibilas
no teto dacapela Sistina) seja em esculturas em mármore, como o jovem nu de quatrometros de altura, o
Davi
(1501-1504), transformado em símbolo da arteflorentina do período. O nu é ainda praticado no interior de obras cujo desafio écombinar a precisão do desenho com a harmonia da composição mais ampla,como no
Nascimento da Vênus,
de Sandro Botticelli (1444/5 - 1510). A imagemda Vênus como símbolo de graça e beleza revelada na forma nua é exploradapor outros pintores do período, por exemplo a
Vênus Deitada
(1509), deGiorgione (1477 - 1510) e a
Vênus de Urbino
(1538), de Ticiano (ca.1488 -1576). A figura feminina saindo do banho é simultaneamente grande eavantajada, e dotada de leveza pela luz que incide sobre ela. A representaçãoda figura feminina despida com forte sensualidade encontra adeptos naAlemanha, por exemplo na obra de Lucas Cranach, o velho (1472 - 1553), que