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ENFRENTANDO UMA GRANDE PERDA
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Maria José Gomes S. Nery – Psicóloga Clínica*
A morte não é nada. Eu só me esgueirei até o quarto ao lado.Eu sou eu, você é você.Seja o que for que tenhamos sido um para o outro, ainda somos.Chama-me pelo meu nome de sempre. Converse comigo daquele forma espontânea que vocêsempre usou.Não use um tom diferente. Não faça um ar forçado de solenidade ou sofrimento.Ria como sempre ríamos das brincadeiras que nos divertiam.Brinque...ria...pense em mim...reze por mim.Deixe meu nome ser o nome familiar que sempre foi.Deixe que seja pronunciado sem ênfase, sem um fantasma ou sombra nele. A vida tem todo o significado que sempre teve. É a mesma que sempre foi.Não há absolutamente nenhuma quebra de continuidade.O que é a morte além de um pequeno acidente? Por que devo ficar fora de seu coração só porque estou fora de sua vista? Estou esperando por você – esse é só um intervalo.Em algum lugar muito perto – virando a esquina.Está tudo bem.
Henry Scott Holland,
‘Sermão no Domingo de Ramos’
, trecho, 1910
Muitas situações na vida nos trazem a sensação de um mal irreparável, geralmente envolvendoperdas ou grandes mudanças: doenças, morte de alguém, mudança de cidade, de emprego,condição social, separação, perda de um sonho ou ideal e outras. As situações mais dolorosasreferem-se à perda de um ente querido.As pessoas ficam com a sensação de terem sido roubadas em algo a que tinham direito.Passam por um processo doloroso que envolve sofrimento, medo, revolta, raiva, culpa,depressão, isolamento, desinteresse pelas atividades costumeiras ou excesso de atividades(fuga); apresentam sintomas físicos e psicológicos de estresse, podendo até vir a adoecer.O tempo requerido para o “luto” (fase de maior sofrimento) e a maneira de vivê-lo dependemuito das circunstâncias da perda, o significado desta para a pessoa, seu modo particular delidar com situações de crise, apoio disponível no seu meio familiar e social, como a comunidadeonde vive encara esta perda, suas próprias crenças e outros aspectos.A recuperação de uma perda significativa leva de alguns meses a dois anos e, mesmo aí,alguns aspectos podem continuar não muito bem resolvidos.Mas, além da tristeza, as situações dolorosas podem fazer com que descubramos em nósmesmos forças antes desconhecidas, faz com que repensemos nossas vidas e nossos valores,passando a perceber o que realmente é importante e o que é supérfluo, e podem nostransformar em pessoas mais ricas espiritual e emocionalmente.Apesar das pessoas sentirem e reagirem diferentemente, existem pontos em comum nassituações de perda, quando geralmente passam por fases semelhantes. Quando descobremque estão com uma doença grave ou isto acontece com uma pessoa muito próxima, a morteinesperada de alguém que amam, ou com quase todos os outros tipos de perda, primeiropassam pelo estágio de choque e negação, não querendo acreditar na realidade. Depois vem afase da raiva, revolta (contra tudo, todos e até contra Deus) e muita mágoa. Mais tardepassam a negociar com Deus e com a vida, tentando fazer trocas e promessas; depois ficamdeprimidos, perguntando-se “por que eu?”, “por que ele(ou ela)?”ou “por que comigo(ou
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Marcio Schulerleft a comment
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