Maio 2010
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jornal do
STAL
«P
assados cerca de seismeses sobre o últimoacto eleitoral, o Governode José Sócrates destrói toda equalquer ilusão que a demagogiaeleitoral possa ter criado nos maisincautos cidadãos», assinalou oConselho Geral do STAL, reunidoem 9 de Abril. As orientações políticas e as me-didas apresentadas e aprovadas,«com a conivência/participação dadireita e o aplauso do patronato»,representam a continuação e oaproundamento dos objectivos epolíticas seguidas na anterior legis-latura. Delas decorre a imposiçãode mais sacriícios aos trabalhado-res e às camadas mais desavoreci-das das populações, a privatizaçãode importantes empresas e servi-ços públicos, a degradação de di-reitos sociais undamentais e até daprópria democracia.No quadro de uma ortíssimaoensiva contra os trabalhadores, oConselho Geral do STAL chamou aatenção para a «alta de transparên-cia reinante na gestão da coisa pú-blica», em que se esbatem «as ron-teiras com a própria corrupção», deque é exemplo o «escandaloso a-vorecimento dos grupos económi-cos, como há muito tempo se nãoassistia no País, nomeadamentecom o desvio de undos públicos,arrancados aos salários dos traba-lhadores e às unções do Estado,para apoiar bancos e instituições -nanceiras.»
A repetidaconversa da crise
O STAL alerta que a «repetidaconversa da crise» não passa deum pretexto para diminuir os salá-rios dos trabalhadores, reduzir e eli-minar direitos conquistados e agra-var as condições de vida das maisamplas camadas da população.Em claro contraste com o já gastodiscurso da crise e da austeridadepara o povo, o Governo revela ter«mãos largas para o capital» e con-tinua a promover uma política es-banjadora de recursos na Adminis-tração Pública, contratando umamiríade de serviços externos (estu-dos, auditorias e pareceres jurídi-cos), que podem ser executadospelos serviços do Estado. As aus-tosas despesas de representação eas ostensivas rotas automóveistopo de gama constituem outrosexemplos que demonstram bem adualidade de critérios do Governoem matéria de gastos: para unstudo (ao capital e a si próprio), paraos trabalhadores nada.
Os trabalhadoresdas autarquiasparticiparammassivamentena manifestaçãonacional daAdministraçãoPública,realizada em 5de Fevereiro nacapitalA precariedadee o desempregoforam temascentrais damanifestação de26 de Março,Dia Mundial daJuventude
Contra as políticas retrógradas, pelos
Dar uma respostaà ofensiva
A gravidade do ataque aos direitoslaborais e sociais, particularmenteatravés das medidas previstas noOrçamento do Estado para 2010 e norecentemente anunciado Programa deEstabilidade e Crescimento, exige aintensiicação da luta e a conluênciado descontentamento numa grande jornada nacional de protesto. Dar umaresposta vigorosa às políticas ruinosasdo Governo – tal é o objectivo damaniestação nacional convergenteda Administração Pública e do SectorPrivado marcada para dia 29 de Maioem Lisboa.
Programa de Estágios
Governo camufla desemprego
A regulamentação do Programa de Está-gios da Administração Pública à Adminis-tração Local (PEPAL), concluída no mês deMarço, não é mais do que uma manobrado Governo para camufar o crescente de-semprego entre jovens licenciados.Estes estágios destinam-se a jovens li-cenciados até aos 35 anos de idade à pro-cura do primeiro emprego ou que estejama desempenhar unções que não corres-pondam às qualicações académicas ob-tidas.Poder-se-ia pensar que o objectivo desteprograma é abrir perspectivas de empregoestável aos jovens licenciados, permitindo-lhes aceder à carreira de técnico superiorda Administração Pública. Mas trata-se deuma pura ilusão.Os jovens que orem aceites terão em-prego apenas durante um ano, ndo o qualvoltam obrigatoriamente à situação ante-rior. Acresce que as condições destes es-tágios não renováveis são claramente dis-criminatórias. O salário será inerior ao dostécnicos superiores, sem direito a subsídiode érias e de natal. Não são eectuadosdescontos para a segurança social, o quesignica que aquele período não contarápara a reorma. Na prática serão trabalha-dores a prazo sem quaisquer direitos.Em contrapartida, podem ser utilizadoscomo mão-de-obra barata em unções qua-licadas de carácter permanente e estãosujeitos à polivalência uncional, podendoassim servir para colmatar a alta de recur-sos humanos na Administração Pública.Na Administração Local, este programade estágios é ainda mais escandaloso poisalarga a colocação destes jovens licencia-dos a todo o tecido empresarial (empresasprivadas, escolas jardins de inância, IPSS,entre outras). Na verdade, estamos peranteuma clara tentativa do governo de transerirpara as autarquias responsabilidades do Es-tado, incumbidas aos Institutos de Empregoe Formação Prossional, de onde oram de-calcados os princípios deste programa.Pugnando pela deesa dos direitos des-tes trabalhadores, o STAL apresentou edeendeu na mesa negocial propostasconcretas no sentido da valorização e in-tegração dos estagiários em regime decontrato de trabalho por tempo indeter-minado, com salários e direitos iguais aosrestantes trabalhadores. Todavia, estas justas propostas oram rejeitadas.Os sacriícios exigidos aos trabalha-dores e às camadas mais desavoreci-das das populações são deste mododuplamente injustos e merecem o re-púdio geral dos portugueses.
Protesto amplia-se
Desde o início do ano que os traba-lhadores da Administração Públicatêm desenvolvido importantes ac-ções de protesto e luta. Logo em 5 deFevereiro, mais de 50 mil trabalhado-res do sector maniestaram-se emLisboa contra a política do governo.Em 4 de Março, a greve da Admi-nistração Pública oi uma poderosademonstração do descontentamen-to e condenação das medidasanunciadas, particularmente as gra-ves penalizações decorrentes da
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