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Perfil funcional da deglutição em unidade de terapia intensiva clínica

Perfil funcional da deglutição em unidade de terapia intensiva clínica

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05/18/2012

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einstein. 2007; 5(4):358-362358
Padovani AR, Andrade CRF
ARTIGO ORIGINAL
RESUMO
Objetivo
: Descrever o perfl uncional da deglutição e alimentaçãoem pacientes de uma unidade de terapia intensiva de emergênciasclínicas.
Métodos
: Levantamento dos atendimentos onoaudiológicosrealizados na unidade de terapia intensiva de emergências clínicas,no período de maio a agosto de 2006, e determinação de indicadorespara descrição do perfl uncional de deglutição. Foram incluídosneste estudo os pacientes encaminhados por suspeita de disagiaapós período prolongado de ventilação mecânica e/ou traqueostomiae excluídos os pacientes encaminhados por suspeita de disagianeurogênica.
Resultados
: Observou-se uma prevalência de 65% dedisagia oroaríngea em quatro meses de assistência onoaudiológica.Entre os pacientes submetidos previamente à intubação orotraqueal,observou-se prevalência de disagia oroaríngea em 64% dasavaliações, sendo constatada redução da gravidade da disagia apósintervenção onoaudiológica. Houve necessidade de prosseguir coma intervenção onoaudiológica na enermaria em 39% dos casos.
Conclusão
: A assistência onoaudiológica às disagias de causa não-neurogênica na Unidade de Terapia Intensiva de emergências clínicasenoca principalmente os pacientes que fcaram intubados por períodosuperior a 48 horas. Estes pacientes benefciam-se da intervenção,mediante a utilização de técnicas terapêuticas que contemplam todosos critérios necessários para a alimentação segura.
Descritores:
Transtornos da deglutição; Intubação; Traqueostomia;Unidades de terapia intensiva; Alimentação
ABSTRACT
Objective
To describe the unctional profle o swallowing and eedingin patients admitted to a clinical intensive care unit.
Methods
: Asurvey on the speech therapy care provided at clinical intensive careunit, rom May to August 2006, to establish indicators to describeswallowing unctional profle. In this study we included patients reerredor suspected dysphagia ater undergoing long periods o mechanicalventilation and/or tracheostomy, and we excluded those suspectedo neurogenic dysphagia.
Results
: We observed a 65% prevalence ooropharyngeal dysphagia in our months o speech therapy. Amongthe patients who were previously submitted to orotracheal intubation,we observed oropharyngeal dysphagia in 64% o assessments, and wenoticed a reduction in dysphagia severity ater speech therapy. Thirty-nine percent o cases required urther speech therapy.
Conclusion
:Speech therapy in non-neurogenic dysphagia in clinical ICU ocusesmainly on patients who were intubated or more than 48 hours. Thesepatients benefted rom the intervention through the use o therapeutictechniques based on the necessary criteria or sae eeding habits.
Keywords
: Deglutition disorders; Intubation; Traqueostomy; Intensivecare units; Feeding
INTRODUÇÃO
 A avaliação onoaudiológica na unidade de terapiaintensiva (UTI) clínica é especialmente indicada paraos pacientes com suspeita de disagia, considerando oacidente vascular enceálico
(1-3)
, a intubação orotraqueal(IOT) prolongada
(4-5)
e a traqueostomia
(4,6)
como osprincipais atores de risco. A literatura tem descrito com reqüência as alterações dadeglutição decorrentes das lesões provocadas pela intubaçãoorotraqueal, incluindo a alteração do refexo de deglutição
(7)
. A lesão laríngea após IOT pode ser decorrente da colocaçãotraumática do tubo orotraqueal, da necessidade de ventilaçãomecânica prolongada (≤ 48 horas), da agitação do pacientecausando atrito do tubo contra a mucosa laríngea ou pelamera presença do tubo
(4,8)
.Na UTI, a traqueostomia é reqüentemente indicadaapós período prolongado de ventilação mecânica ou alhana extubação
(9)
. Esse procedimento tem sido descritocomo ator desencadeador de distúrbios da deglutição,ocasionando redução da reqüência dos relexos dedeglutição e tosse, redução da elevação e anteriorizaçãolaríngea, diminuição da sensibilidade aríngea e laríngea;atroa da musculatura laríngea; incoordenação e reduçãodo tempo de echamento glótico; compressão do esôagopelo
 cuff 
e diminuição da pressão subglótica
(4)
. A avaliação onoaudiológica na UTI visa a identicaras possíveis alterações uncionais que intererem nasases oral e aríngea da deglutição. Para uma avaliaçãoclínica dedigna, é necessária a utilização de métodos
Perfl uncional da deglutição em unidade deterapia intensiva clínica
Functional prole o swallowing in clinical intensive care
 Aline Rodrigues Padovani
1
, Claudia Regina Furquim de Andrade
2
Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil.
1
Fonoaudióloga, Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP, São Paulo (SP), Brasil.
2
Proessora Titular, Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP, São Paulo (SP), Brasil.Autor correspondente: Claudia Regina Furquim de Andrade – Rua Cipotânea, 51 – Cidade Universitária – CEP 05360-000 – São Paulo (SP), Brasil – Tel.: 11 3091-8406 – e-mail: clauan@usp.brData de submissão: 30/7/2007 – Data de aceite: 9/11/2007
 
einstein. 2007; 5(4):358-362359
Perl uncional da deglutição em unidade de terapia intensiva clínica
descritos na literatura, como o teste da água
(1,10)
, aoximetria de pulso
(1)
e ausculta cervical
(11)
. A partirdos resultados da avaliação, podemos traçar o perluncional da deglutição e alimentação, denido pormeio de escalas de resultado e gravidade da disagia,como a escala de O’Neil
(12)
, que nos permite classicar odistúrbio de deglutição quanto à gravidade, necessidadede supervisão e possibilidade de ingestão oral. Alémdisso, a utilização da escala pode permitir caracterizar aevolução do distúrbio de deglutição durante o períodode tratamento onoaudiológico. A partir dos dados da avaliação, a intervençãoonoaudiológica na UTI permite contribuir na indicaçãoda decanulação de indivíduos traqueostomizados,averiguar a possibilidade de alimentação via oral,determinar o método mais adequado de alimentação viaoral, selecionar as consistências da dieta, especicar osriscos e precauções durante a alimentação, determinar oscandidatos à intervenção terapêutica, escolher as técnicase manobras terapêuticas, discutir os casos junto à equipee orientar a equipe e os cuidadores
(13)
.
OBJETIVO
Neste estudo, pretende-se descrever o perl uncional dadeglutição e alimentação de pacientes de uma unidade deterapia intensiva de emergências clínicas, encaminhadospor suspeita de disagia de causas não-neurogênicas, pormeio de uma escala de resultados
(12)
.
MÉTODOS
Foi realizado um estudo retrospectivo, com base nacoleta de dados dos prontuários dos pacientes internadosna UTI de emergências clínicas, do pronto-socorro doHospital das Clínicas da FMUSP. Foram incluídos napesquisa os pacientes encaminhados para avaliaçãoonoaudiológica, pela equipe de médicos intensivistas,no período de maio a agosto de 2006.Para este estudo, oram incluídos apenas os pacientesencaminhados por suspeita de disagia de causas não-neurológicas, sendo excluídos os pacientes encaminhadospor suspeita de disagia neurogênica.
Análise estatística
Para este trabalho nós utilizamos os testes não-paramétricos de igualdade de duas proporções, Mann-Whitney e qui-quadrado para independência. Nacomplementação da análise descritiva, zemos uso datécnica de intervalo de conança para média.Foi denido um nível de signicância de 5% (p ≤0,05), sendo todos os intervalos de conança construídoscom 95% de conança estatística.
RESULTADOS
Foram incluídos no estudo 23 pacientes, sendo 11 dogênero masculino e 12 do gênero eminino, com médiade idade de 43 anos. Entre os diagnósticos na internação,oram observados: pneumocistose, doença pulmonarobstrutiva crônica, metástase de coluna lombar,pneumonia, ratura de coluna torácica, convulsão,linoma, parada cardiorrespiratória, nerolitíase, choqueséptico, estenose traqueal, meningite pneumocóccica,metástase pulmonar, enterorragia, inecção pulmonar,hipernatremia e pielonerose. As avaliações onoaudiológicas oram realizadas à beirado leito e os métodos de avaliação incluíram o teste daágua
(1,10)
, a utilização da oximetria de pulso
(1)
e da auscultacervical
(11)
. O diagnóstico onoaudiológico oi dado pelaEscala de Resultados e Gravidade da Disagia
(12)
.Na terapia onoaudiológica indireta oram utilizadasas técnicas de estimulação sensório-motora. Na terapiadireta oram realizadas orientações especícas quanto aoutensílio, postura, necessidade de supervisão, velocidadee quantidade de oerta, além da adaptação de manobrase posturas compensatórias.Podemos vericar (Tabela 1) que o número médio desessões oi de 3,09 ± 1,17 e a média de idade oi de 43,09± 6,24 anos. Notamos também que a variabilidade emnúmero de sessões é alta (CV de 93,1%).
Tabela 1.
Caracterização da amostra
DescritivaIdadeNúmero de sessões
Média 43.09 3.09Desvio-padrão 15.26 2.87CV* 35.4% 93.1%IC** 6.24 1.17
CV* = coefciente de variação;IC** = intervalo de confança
 
Em relação à idade, observou-se aumento gradual dadisagia conorme aumento da idade (Figura 1).Para caracterizar a amostra para as variáveisqualitativas, oi utilizado o teste de igualdade de duasproporções, comparando os percentuais de resposta.
Figura 1.
Diagnóstico onoaudiológico inicial e idade
 
einstein. 2007; 5(4):358-362360
Padovani AR, Andrade CRF
De acordo com a Figura 2, existe estatisticamente maiorporcentagem de indicação de avaliação onoaudiológica porintubação orotraqueal prolongada (IOT ≤ 48 horas). Aprevalência da disagia após IOT prolongada oi de 64%.Na Tabela 2, podemos comparar os resultados dodiagnóstico onoaudiológico na avaliação inicial e apósa intervenção onoaudiológica.
Figura 2.
Caracterização da amostra segundo variáveis qualitativas
Tabela 2.
Diagnóstico onoaudiológico inicial e fnal
Diagnósticofonoaudiológico
 
InicialFinaln%p valorn%p valor
Deglutição normal e/oufuncional8 34.8%0.039*13 56.5%0.139Disfagia 15 65.2% 8 34.8%Óbito 0 0.0% 2 8.7%
*p ≤ 0,05
No momento inicial observamos maior porcentagemde disagia (65,2%) estatisticamente signicativa emrelação aos demais percentuais. Na avaliação inal,notamos que a maior porcentagem é de deglutiçãonormal e/ou uncional (56,5%), porém não existedierença estatisticamente signicativa para o percentualde 34,8% de disagia.Em uma análise descritiva, conorme classicaçãodo distúrbio deglutição pela escala de O’Neil, observa-se uma redução signicativa de disagia grave após otratamento e um aumento da porcentagem de sujeitoscom deglutição normal e uncional (Tabela 3), indicativoda redução da gravidade do distúrbio.
Tabela 3.
Perfl evolutivo da disagia
DiagnósticofonoaudiológicoPré-tratamentoPós-tratamentop-valorn%n%
Deglutição normal ou funcional 8 34.8% 13 56.5% 0.139Disfagia leve a leve-moderada 6 26.1% 7 30.4% 0.743Disfagia moderada amoderada-grave2 8.7% 1 4.3% 0.550Disfagia grave 7 30.4% 0 0.0% 0.004*Óbito 0 0.0% 2 8.7% 0.148
*p ≤ 0.05
Pela análise da Figura 3, observamos a distribuiçãodos pacientes entre os diagnósticos propostos pelaescala, observando o aumento das disagias do tipo levee deglutição normal/uncional.Em relação ao tratamento onoaudiológico,encontramos signicância estatística para o procedimentoonoaudiológico de reintrodução alimentar, e 73,9% dossujeitos oram submetidos a este procedimento após aavaliação ou durante o tratamento. Ressaltamos queos pacientes que realizaram terapia onoaudiológicae apresentaram melhora da unção de deglutiçãorealizaram posteriormente o procedimento dereintrodução alimentar (Tabela 4). Entre os pacientesque não realizaram o procedimento de reintrodução dadieta, 3 apresentaram deglutição normal na avaliaçãoonoaudiológica, 2 tiveram deglutição uncional e 1 oia óbito durante o tratamento.
Figura 3.
Perfl evolutivo da disagia
Tabela 4.
Intervenção onoaudiológica
TerapiaReintrodução alimentarContinuidade dotratamento em enfermariaSimNãoSimNãoSimNão
56.5% 43.5% 73.9% 26.1% 39.1% 60.9%p = 0.376 p = 0.001* p = 0.140
*p
 
≤ 0.05
Em relação à indicação de alimentação por via oral(Tabela 5), 52,2% dos sujeitos oram considerados aptosa iniciar a alimentação via oral após avaliação inicial, e naavaliação nal, após intervenção onoaudiológica, 91,3% dossujeitos estiveram aptos a alimentar-se por via oral, em pelomenos uma consistência, e este número é estatisticamentesignicativo em relação ao anterior. Ressaltamos que doissujeitos oram a óbito durante o tratamento, não sendopossível realizar a avaliação nal destes.
Tabela 5.
Possibilidade de indicação de alimentação por via oral
Pré-tratamentoPós-tratamentopn%n%
12 52.2% 21 91.3% < 0.001*
*p
 
≤ 0.05

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