Assimetria entre ricos (Norte) e pobres (sul) na era da globalização Domingos Bihale
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1.
Introdução
Actualmente a sociedade global confronta-se com a tarefa de conciliar a mudança tec-nológica e a integração económica com as estruturas económicas tradicionais, consciêncianacional, necessidades sociais, acordos institucionais e mesmo a maneira de fazer coisas. Asredes de interdependência económica crescem a nível global à medida que os custos de comu-nicação e transporte diminuem, tornando o tempo e o espaço mais ténues do que eram há seten-ta anos atrás. A importância dos mercados cresceu e a atitude em relação ao papel do Estadomudou significativamente a favor dos mercados. Por exemplo, mais de metade de bens indus-triais são produzidos por corporações transnacionais, cujas decisões do que, a quem, como,quanto e onde produzir têm fortes implicações nas economias e políticas domésticas (kennedy,1993:330; Nye, Jr., 2004:191).Por outro, as tradições, os hábitos, os usos e costumes vão mudando dia após dia àmedida que o processo ou fenómeno avança. É empiricamente difícil imaginar-se num mundode hoje sem telefone celular nos centros urbanos. As telenovelas substituem contos tradicionaise influenciam sobremaneira a educação das crianças, no caso do mundo em desenvolvimento.De acordo com Kassotche (1999:35) a Internet (maior símbolo da globalização), tornou-sebiblioteca, loja, correio, jornal, revista, banco, televisão, rádio, telefone. A cultura vai se tor-nando global com semelhanças no estilo de vida dos centros urbanos; a sociedade global pare-ce estar a desenvolver os mesmos gostos, hábitos de consumo e partilha cada vez mais osmesmos riscos: HIV/SIDA, poluição, aquecimento global, diminuição da camada de ozono,entre outros riscos. Em fim, a globalização no campo cultural se confunde o estilo de vida ame-ricano (The
American Style of Life
): comida, roupa, música
hip – hop
, filmes
e outros bens deconsumo
made in USA
.
Porém, o avanço das tecnologias de informação e comunicação, a redução dos custos detransporte, as mudanças nos padrões de consumo, hábitos usos e costumes entre outros aspec-tos concomitantes à globalização não implicam uma universalização nem homogeneização dasociedade global. Existem evidências de que a globalização está a polarizar geograficamente omundo inteiro entre os que têm e os que não têm.Muitos autores são unânimes em afirmar que a globalização é acompanhada pelo cres-cente fosso, em diversos aspectos, entre ricos e pobres (Knnedy, 1993; UNDP, 1997; Agnew,