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O papel do sesmt

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03/11/2013

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 SESMT / O papel do SESMT
IDÉIASo papel do SESMTServiço Especializado é um bom parceiro para os novos temposCosmo Palasio de Moraes Jr*Um dos objetivos dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho(SESMT) é contribuir decisivamente para a continuidade das operações dos locais onde atua. Quemainda não consegue visualizar desta forma está desatualizado. Mais uma vez, o SESMT é o centrodas atenções. Lamentavelmente, não se trata da discussão necessária para melhorias da atuação domesmo, antes, algumas cabeças tentam provar com argumentos teóricos que os SESMTs oneram asempresas, quando na verdade o que mais onera as empresas e o país são mesmo os teóricos deplantão.Ao mesmo tempo, embutida nesta discussão, volta à tona a forma de tratar saúde comótica política. Se queremos de fato modernizar este país, o âmbito das discussões deve ser sempretécnico e precisamos atrelá-lo a algo que seja o humanismo. Antes de iniciarmos de fato nossoassunto é preciso que façamos algumas consideraçõesbásicas. Algumas pessoas precisam e ainda não entenderam que o mundo mudou econsequentemente o Brasil também mudou e está mudando. Mesmo nos países onde a discussãodos assuntos era totalmente centralizada, o modelo faliu.Embora a mudança seja global, cabe entender que cada região, cada país, tem suas peculiaridades,visto que obviamente já tinham antes graus de evolução, principalmente na relação capital x trabalho,muito diferenciados. Trocando em miúdos, vale lembrar que a globalização atende os interesseseconômicos, mas, com certeza, irá demorar um pouco mais para padronizar outros itens. Portanto,embora não possamos perder o "trem da história", antes não devemos perder a "linha da realidade" eassim, sabermos que até que encontremos a maturidade de outros países precisamos mantermodelos e sistemas que assegurem o funcionamento de nossas instituições. Deixá-las de lado combase apenas em teorias e possibilidades é expôr vidas humanas.Deficiência cultural - Distante das discussões tendenciosas, vale a pena olhar o SESMT com olhos daneutralidade. Um tanto quanto recente, o SESMT veio suprir umadeficiência cultural que até então não foi corrigida. É inegável que o respeito pela integridade físicados trabalhadores evoluiu muito pouco nos últimos anos. Muitosempresários ainda enxergam a mão-de-obra como algo descartável e de fácilsubstituição, usando-a e encaminhando-a à previdência quando a tornam inválida. Ao mesmo tempo,também os trabalhadores chegam ao mercado de trabalho com uma deficiência cultural imensarelativa ao assunto saúde, mesmo porque desde cedo o assunto é tratado com total descaso devido auma série de fatores que não cabem neste texto. Em meio a isso tudo, sobrevive o Estado, que porum lado cria facilidades para a implantação de novas indústrias e por outro, paga as contas dainfortunística. Ao mesmo tempo, fecha os olhos para as gritantes condições de trabalho, mantendo emcondições precárias os órgãos fiscalizadores.Em meio ao jogo, encontram-se também as representações dos empregados, divididas em extremosque vão do radicalismo sem qualquer base técnica à comodidade de quem prefere desconhecer oassunto ou trata-o apenas como mais um item de pauta. Tudo isto encaminha o assunto para umagrande balbúrdia, a qual se juntam os eternos interessados em tirar proveito, aqueles que semqualquer escrúpulo querem sempre ganhar a qualquer custo. E mais do que lamentável observar queum assunto que diz respeito à vida humana e sua dignidade, seja encarado e tratado de tal forma.Afirmar que os SESMTs nada fazem é temeroso, pois, com certeza, ao longo destes anos, sozinhos,fizemos muito mais do que todas as outras partes que se omitiram. Ao mesmo tempo, não é possívelafirmar que os SESMTs tenham conseguido tudo que era preciso. No entanto, são capazes de
 
fazê-lo. Com certeza, ao longo de todo este tempo, adquirimos conhecimentos e meios que nospossibilitam hoje, diante de condiçõesfavoráveis e adequadas, dar um salto de evolução para o assunto que nos compete. E preciso mudara rota do avião que já está em vôo. Colocar outro em vôo e perder todos estes anos de trajeto, e asconseqüências, com certeza, seriam catastróficas. O extremismo, com certeza, favorecerá sempreapenas a minoria.Qualquer pessoa um pouco mais razoável e com um pouco de conhecimento sobre trabalho, in loco,sabe das dificuldades que os SESMTs encontram, mesmo porque sua criação o inseria como parte detodo o sistema, sendo que até então, apenas esta parte, o SESMT, funciona de forma mais atuante.Quem faz segurança não é apenas a NR-4, antes é a fiscalização, as representações dosempregados, etc.No entanto, embora jamais tenham se envolvido o suficiente, com brilhantes e rarasexceções, de repente agora desejam fazer do SESMT o bode expiatório, quando apenas este, portodo este tempo, fez sozinho frente aos problemas. Tal forma de agir é injusta e tendenciosa.Precisamos de um grande fórum para fazer funcionar o que temos, não mais apenas pela questão daprevenção de acidentes pura e simplesmente.Rótulos - De tanto ouvirmos falar em modernidade, qualidade e globalização, tais palavrascomeçaram a chamarnos a atenção. A primeira coisa que percebemos é como tantas outras coisasem nosso mundo, vieram somente os rótulos sendo que osconteúdos certamente ficaram por conta dos criadores. A filosofia da coisa em si, ainda está muitodistante, fica quase impossível para um trabalhador de terceiro mundo conceber o que é qualidadequando sua qualidade de vida e valores com que a conduzsão antagonicamente diferentes. As pessoas constroem e elaboram a partir de sua concepção. Isso éinstintivo, faço o que é valor para mim e mesmo sendo treinado e executando correto por um dadoperíodo, acabo em certo momento retornando ao"automático" das minhas convicções. Se quem produz não consegue consumir, também nãoconsegue entender o papel do consumidor, isto é óbvio.Mas o caminho não tem volta, mesmo porque a sobrevivência das macro estruturascomeça a depender destes pequenos detalhes e, portanto, ou seremos produtivos com qualidade, oudeixaremos todos de existir. E a regra do jogo. Mais uma vez estamos diante de um jogo desigual,visto que quem elaborou as regras já tinha saído antes do ponto de início desta corrida. Não nos cabelamentar - estamos falando de sobrevivência , nos cabe correr atrás, utilizarmos de nossareconhecida criatividade.Neste ponto, entre outras coisas, surge a necessidade de termos ambientes de trabalho adequados.Ora, já temos um pais com a população empobrecida e com um nível cultural próximo aos países docontinente africano. Parte de nossa população já trás seqüelas obtidas com as deficiênciasalimentares, nossa malha de transportes foi esquecida como tempo... e mesmo assim, precisamoscompetir. De imediato, não temos nem tempo e menos ainda recursos para consertarmos osproblemas estruturais. No entanto, podemos sim mexer nos locais de trabalho, podemos sim evitarmais perdas com afastamentos e invalidez, podemos, inclusive, a partir do local de trabalho,iniciarmos um processo de educação para a qualidade de vida, invertendo o processo educativo.Mais do que nunca, o SESMT deverá estar atuando, engana-se quem pensa o contrário, porque se odescumprimento das leis não implica geralmente em sanções, asconseqüências deste descumprimento (acidentes, doenças e mortes) não têm como seremdesconhecidas e redundam em prejuízos diretos e indiretos, descontinuidade do processo produtivo,conflitos capital x trabalho e mais recentemente em ações civis de grande vulto. Com certeza, osproblemas não pararão por aqui, visto que num prazo muito curto de tempo, devido às evoluçõesvividas no mundo, empresas que não forem preventivamente corretas terão seus produtos rejeitadospelos consumidores, em especial do primeiro mundo.Antes, vale lembrar que é impossível produzir com qualidade em ambientes hostis e que, portanto, asgrandes somas gastas em treinamentos ou similares acabam não atingindo seus objetivos quandonão gastamos também com a correção do ambiente. E impossível ter concentração para operaçõesem ambientes ruidosos e mal-iluminados, sombrios e cheios de contaminantes químicos.Acreditamos que antes da "histeria da qualidade do produto" é preciso a razoável análise dascondições de qualidade para quem produz. Isso é uma proposta lógica e segura.Revisão de conceitos - Apesar de toda a discussão em tomo do SESMT, é possível com certeza

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