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Aristoteles - Comportamento

Aristoteles - Comportamento

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COMPORTAMENTO em Aristóteles
Aristóteles diz coisas sobre a qualidade moral das ações humanas o bastante paraextrairmos dele uma teoria do comportamento, apesar do próprio filósofo não haver apresentado suas idéias sob essa forma. No primeiro livro da Ética a Nicômaco, Aristóteles se pergunta qual o bem cuja busca éa
motivação
fundamental do comportamento humano. Apesar de filósofo, ele não partede deduções filosóficas, mas da opinião que as pessoas têm sobre qual a finalidade queas atrai naquilo que fazem. E revela: "Em palavras, o acordo quanto a este ponto é quasegeral; tanto a maioria dos homens quanto as pessoas mais qualificadas dizem que este bem supremo é a felicidade, e consideram que viver bem e ir bem (ser bem sucedido)eqüivale a ser feliz" (Et. a Nic., Cp. I, 4, 1095 a; o parênteses é nosso).O que será, então, para essas pessoas mais qualificadas, viver bem ou "ir bem"? DizAristóteles, dos indivíduos mais qualificados, que estes "parecem perseguir as honrariascom vistas ao reconhecimento de seus méritos; ao menos eles procuram ser honrados por pessoas de discernimento, e entre aquelas que os conhecem, e com fundamento emsua própria excelência (Et. a Nic., Cp. I, 5, 1096 a). E mais adiante: "Na realidade, sãonossas atividades conformes à excelência que nos levam à felicidade, e as atividadescontrárias nos levam à situação oposta" (idem, 10, 1100 a/b).Passemos ao De Anima, Livros I, II e III. Este é um tratado referente às funções daalma. Para Aristeles, a alma mais simples é própria dos vegetais. Ela éfundamentalmente "vegetativa", no sentido de que suas funções principais são anutritiva e a reprodutiva. Mas é nos animais dotados de movimento que estas funções setraduzem em comportamentos.Os animais têm na alma faculdades outras além daquelas próprias da alma vegetativa, pois se movimentam e buscam objetos que desejam, ou fogem do que lhes assusta.Possuem almas sensitivas que somam funções da alma vegetativa às funções que lhessão próprias, como animais, e que não existem nos vegetais. Entre as ocupações que sevinculam à alma sensitiva dos animais está a busca do prazer. Mas, a alma humana é amais completa de todas, e assim sendo, além das funções que encontramos nas almasdos vegetais e dos animais, tem mais uma outra, que é a função da racionalidade, demodo que o seu comportamento mais próprio e mais excelente seria aquele governado por essa última e mais alta fuão. Porém, diz Aristeles, incisivamente: "Ahumanidade em massa se assemelha totalmente aos escravos, preferindo uma vidacomparável à dos animais".Podemos, do que foi dito, concluir que o homem busca ser feliz, seja tanto diretamenteno contacto e na posse de objetos de prazer, quanto por via transacional, em que recebedo outro o reconhecimento de sua excelência pessoal. No primeiro caso, busca a possedireta de objetos da sensualidade, na satisfação de necessidades vitais, incluído o objetosexual, porém segundo uma conveniência racional. No segundo caso, podemosaproveitar a referência clara de Aristóteles às pessoas que procuram ser reconhecidas por seus méritos. E é fácil verificar que o homem também pode sentir-se feliz por estar  bem, quando é ele próprio que se reconhece, ao buscar algo com que se premiar. Esse éum comportamento objetivo, no sentido de que lida com objetos, e que existem objetos
 
com valor em si mesmos que podem ser buscados e consumidos no viver bem e no ser feliz de uma pessoa, sem envolvimento de alguém mais.Há, portanto, um comportamento que é
objetivo
e outro que é
transacional 
, e apesar deque possam ocorrer juntos em uma mesma emoção, o primeiro envolve sensações e osegundo envolve sentimentos em relação a si mesmo ou a pessoas.Estamos, ainda, obrigados a reconhecer que os comportamentos de quaisquer dascategorias acima, poderão, por sua vez, ser 
ativos
,
enquanto o indivíduo busca o objetode seu desejo, ou
 passivos
, enquanto recebe e usufrui o objeto conquistado ou com oqual eventualmente é presenteado, pois o homem pode ser reconhecido e louvado sem procurar por isso, apenas por obedecer a um ideal, e pode receber um objeto cuja posseo deixa feliz, sem ter buscado por ele.
 
Poderíamos chamar os comportamentos voltados para os objetivos mais primários denutrição, defesa, ataque, e reprodução
Comportamentos apetitivos-impulsivos.
Pode-sedizer então que as funções vegetativas e sensitivas correspondem ao elemento irracionalda alma humana. Porém, Aristóteles se apressa em esclarecer que esse elementoirracional, conquanto gere seus próprios comportamentos, pode também subordinar-se,em parte, à razão. É quando ele diz: "Seja como for, não devemos duvidar de que hajana alma um elemento além da razão (o elemento irracional), resistindo e opondo-se aela" (a razão)..."Mas mesmo este elemento (que se opõe à razão) parece participar darazão, como dissemos; de qualquer forma, nas pessoas dotadas de continência eleobedece à razão, e presumivelmente ele é ainda mais obediente nas pessoas moderadas evalorosas, pois nestas ele fala, em todos os casos, em uníssono com a razão" (Et. a Nic.,1, 13, 1102, b).Temos portanto uma nova categoria de comportamentos, quando a razão não fornecenenhum outro objetivo além daqueles objetos de prazer, porém se aplica em que sejamconseguidos de modo prudente, eficaz e seguro, e sobretudo leva ao seu acúmulo.Depois de Aristóteles viria a escola epicurista que, justamente, aplica a razão na buscado prazer. Comportamentos desse grupo seriam
Comportamentos apetitivos-racionais.
Assim, Aristóteles dividiu o elemento irracional em dois, vegetativo (que aquichamamos "apetitivo impulsivo") e apetitivo (que chamamos "apetitivo racional"), um puramente impulsivo e o outro associado à razão. Porém, Aristóteles ressalta que arazão não se limita a esta ação intelectual de governo do apetite, mas é capaz dearticular o pensamento moral.Vimos acima que para Aristóteles, são nossas atividades conformes à excelência que noslevam à felicidade. Consequentemente, destas duas categorias diferentes de ação darazão, aquela que dirige o comportamento apetitivo e pode conduzi-lo inteligentemente para o prazer intelectual, e aquela que pode modera-lo com vistas a um outro nível devalores, os valores morais -, resultam duas formas de excelência racional: a excelênciaintelectual e a excelência moral. É exatamente o que o filósofo diz logo adiante: "Aexcelência também se diferencia em duas espécies, de acordo com esta subdivisão, poisdizemos que certas formas de excelência são intelectuais e outras são morais (asabedoria, inteligência e o discernimento, por exemplo, são formas de excelênciaintelectual, e a liberalidade e a moderação, por exemplo, são formas de excelênciamoral)" (Et. a Nic., idem, 1103a). São o que chamaríamos
comportamentos meta-apetivos.
 
EXEMPLOS:A combinação em categorias, classes e modalidades dos vários tipos de comportamentodedutíveis da exposição contida no Livro I da Ética a Nicômaco, de Aristóteles, nos dá 2grupos, 3 categorias, cada uma com a respectiva classe transacional ou objetiva,totalizando 6 classes, e cada uma dessas classes com sua modalidade ativa e passiva, emum total de 12 modalidades, como abaixo:
 Exemplos:
A - Grupo de comportamentos instintivosI -
Categoria dos apetitivos impulsivos
1.
 Modalidade dos apetitivos impulsivos, objetivos, ativos
. Toda essa classe decomportamentos objetivos tem seu motivo fundado em sensações, e visa objetos físicoscausadores de prazer, de modo desregrado: busca e posse direta de objetos dasensualidade na satisfação de necessidades vitais, incluído o objeto sexual. Buscaindiscriminada de objetos substitutos dos alvos naturais de prazer, fumar, beber bebidasalcóolicas, usar drogas, etc.2.
 Modalidade dos apetitivos impulsivos, objetivos, passivos:
 
aceitação, troca oucompra de carícias, entregar-se ao sono ou ao descanso3.
 Modalidade dos apetitivos impulsivos transacionais, ativos
. Os comportamentosirracionais da classe transacional são fundados em sentimentos do indivíduo em relaçãoa si mesmo ou aos outros: ações ditadas por orgulho, vaidade; defesa de exclusividade e propriedade, exercício desregrado do poder, submeter ou derrotar o outro; sadismo;castigo, vitória, vingança, assassinato, roubo e furto, afeição e gratidão naturais.São palavras de Maquiavel que em certas circunstâncias as ações levadas a efeitoimpulsivamente, têm mais probabilidades de resultarem em ganho que as õesracionalmente preparadas: "Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do quecircunspeto, porque a sorte é mulher e, para dominá-la, é preciso bater-lhe e contrariá-la. E é geralmente reconhecido que ela se deixa dominar mais por estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, como mulher, é sempre amiga dos jovens porque são menos circunspectos, mais ferozes e com maior audácia a dominam"(Maquiavel, ed. 1948, p.131-132).
4. Modalidade dos apetitivos impulsivos, transacionais, passivos:
receber ajuda,socorro; renúncia, fuga. Ser sustentado, valer-se da sedução, conceder-se o ócio; viver sem compromissos, ser servido.
B - Grupo de comportamentos racionaisII -
Categoria dos apetitivos racionais5. Modalidade dos apetitivos racionais, objetivos, ativos
. Comportamentosinfluenciados pela razão, no sentido de eficiência em relação aos seus objetivos. Motivofundado em sensações, visa objetos de prazer, porém de modo comedido, a bem do

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