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A Douta Ignorância

A Douta Ignorância

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Published by Caius Brandão
Seminário sobre A Douta Ignorância, de Nicolau de Cusa
Seminário sobre A Douta Ignorância, de Nicolau de Cusa

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A Douta Ignorância, de Nicolau de Cusa
Caius BrandãoGraduando em FilosofiaDisciplina: Filosofia Medieval IIProf. Dr. Ralph Roman Konrad Gniss
Introdução
Entre o fim da Idade Média e início da Idade Moderna, o mundo ocidental viveuum momento marcado por intensas transformações dos pensamentos filosófico eteológico, das artes e das ciências. O homem renascentista do século XV viu florescer asinfluências do humanismo. Uma de suas correntes, o antropocentrismo, retirou Deus docentro do pensamento filosófico para colocar o homem e o mundo no foco das atenções.O antropocentrismo da filosofia é identificado com o surgimento do homem moderno ecom o racionalismo no pensamento ocidental. A partir daí, a metafísica escolásticacomeça a ceder espaço para novas formas de filosofar. Nicolau de Cusa (O Cusano), um dos mais renomados filósofos e teólogosrenascentistas – reconhecidamente, um humanista, não se identificou com a correnteantropológica, na medida em que dedicou a sua vida e obra à compreensão do inefável.Seu principal livro, a Douta Ignorância, foi escrito em 1640 com o objetivo dedemonstrar que quanto mais sábia uma pessoa for, mais ela reconhecerá a ignorânciaque lhe é própria. A máxima socrática “sei que nada sei” é emblemática neste sentido dadouta ignoncia. Para de Cusa, o nosso conhecimento conceitual é meramenteaproximativo. A realidade absoluta das coisas, que é infinita, permanece eternamenteincognosvel à rao finita dos homens. O reconhecimento do limite da nossacompreensão racional, a douta ignorância, é um passo necessário para compreensão dosentido místico da filosofia do Cusano, a qual busca transcender a razão e abstrair alinguagem para, através do intelecto, apreciar a essência infinita do ser máximo,chamado de Deus, de onde provém a verdade absoluta de todas as coisas.A Douta Ignorância foi organizada em três livros. O primeiro trata sobre Deus por meio de analogias matemáticas. O segundo aborda o Universo enquanto unidade namultiplicidade. Já o terceiro livro fala sobre Jesus, o máximo contraído e absoluto.A seguir, buscaremos esclarecer e enfatizar alguns conceitos fundamentais emDouta Ignorância, a partir de uma breve análise do primeiro livro.
 
O Ser Máximo
De Cusa inicia sua meditação a partir da seguinte definição de máximo: “aquiloalém do que não pode haver nada maior.”
1
Deduz-se daí que ele trata o máximo comograndeza absoluta, que é própria ao Uno, que existe enquanto unidade máxima oumínima. Veremos mais tarde como no Uno não há contradição, mas coincidência deopostos. Por hora, devemos entender o ser máximo, como o Uno que é tudo. Nada seopõe a ele, que existe livre de relação e limitação. Por ser absoluto, o Uno é “em atotodo ser possível”. Logo, o ser máximo é o Uno, a quem chamamos de Deus.De Cusa toma o universo como proporção máxima em relação ao absoluto, cujaunidade desdobra-se de forma contraída na pluralidade. Em suas próprias palavras:
Citação 1
De Cusa, Nicolau. A Douta Ignorância. Tradução do Prof. Dr. ReinholdoUllmann; Coleção Filosofia – 148. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002 (p. 45).
A Noção de Verdade
De Cusa acredita que temos dois tipos de verdades; a dos homens, que se resumenaquilo que é acordado por mentes sãs; e a verdade exata que, por ser infinita, nos éincompreensível. A verdade exata é a verdade máxima que se constitui no infinito. Parade Cusa, o máximo enquanto máximo é necessariamente infinito. Ademais, às coisasfinitas caberão sempre a adição e a subtração, ao passo em que da verdade máxima nadase adiciona ou se subtrai. Donde se segue que a proporção é uma propriedade mundanae que não há medida para as coisas divinas. A verdade absoluta apenas pode ser julgadasenão por ela mesma. Sobre isso, o Cusano conclui:
Citação 2
– Idem (p. 47).
A Coincidência dos Opostos
De acordo com De Cusa, a oposição convém apenas àquilo que excede ou éexcedido, ou seja, ela é possível somente no mundo das coisas finitas. Por exemplo:tomemos o máximo como algo que não pode ser menor do que é. Ora, a mesma fórmulavale para mínimo, ou seja, ele é algo que não pode ser menor do que é. Assim, omáximo coincide também com o mínimo. Ambos são, em ato, a realização de todas as
1
De Cusa, Nicolau. A Douta Ignorância. Tradução do Prof. Dr. Reinholdo Ullmann; Coleção Filosofia – 148. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002 (p. 45).

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