Direito Penal
INTRODUÇÃO1.CONCEITOS FUNDAMENTAISA)Noção de Direito Penal
Conjunto de regras jurídicas que associam a factos penalmente relevantes (crimes),determinadas consequências jurídicas desfavoráveis.
1.O conceito de crime. Diversidade de perspectivas
Acto típico, ilícito, culposo e punível. Todo o facto ilícito susceptível de lhe ser aplicada uma leipenal.
Perspectiva formal
: trata-se de um comportamento voluntário passível de pena, i.é., é crimeaquilo que é descrito na lei como sendo passível de pena de acordo com o Art.1º do CP. Istonão resolve nada uma vez que resta saber o que é pena de acordo com o Art.40º do CP.
Perspectiva estrutural:
são as normas que tipificam determinados factos como crimes, i.é.,fazem corresponder a um determinado comportamento humano, a uma situação de facto(crime), uma sanção (pena). Há uma previsão normativa, que se reflecte num comportamentoproibido, estabelecendo a respectiva moldura penal (previsão – estatuição). Esta perspectivanão é correcta para definir o conceito de crime, pois:- Existem outros ilícitos, que não os ilícitos penais, que também têm este tipo deestrutura (previsão – estatuição).- Revela-se insuficiente, porque se reconduz sempre a uma perspectiva formal – umaactuação humana que culmina numa sanção.Art.131º CP: “Quem matar outra pessoa (previsão / crime) é punido c/pena de prisão de oito adezasseis anos (estatuição / pena).No que respeita à tentativa de homicídio temos que ir à parte geral retirar a previsão da norma
Perspectiva material ou substantiva:
são os factos ou comportamentos que lesam bens jurídicos fundamentais (os valores da comunidade), podendo por em causa a própriasociedade.
Perspectiva sociológica:
tem em conta valores espaço / temporais de uma sociedade, sendoque o Estado deve consagrar na Lei Fundamental esses mesmos valores.
2.O conceito de pena e a sua extensão.
O que é mais característico no Direito Penal é sempre a possibilidade de privação de liberdade.Penas principais (prisão e multa), penas acessórias e penas de substituição
3.Âmbito e delimitação do Direito Penal
A sanção - jurídico - penal só pode ser aplicada através dos tribunais pois, em direito penal,vigora o princípio da mediação judicial, i.é., o Estado chama a si o monopólio do poder punitivo(Arts.29º e 32º CRP), organizando e estabelecendo as regras de um processo justo.Posteriormente, existe o direito penal de execução das penas, que é o conjunto de normas queregulam o início, a execução e o termo das sanções penais.
3.1.Ilícito penal e ilícito de mera ordenação socialPrincipais distinções:
- Nos princípios- No plano sancionatório- No plano processual- No plano das pessoas colectivasO objecto do
ilícito penal
, são os crimes, cujas sanções são as
penas
.O objecto do
IMOS
são as contra-ordenações, cujas sanções são as
coimas
.O ilícito penal distingue-se do IMOS através da natureza sancionatória e processual.Quanto às entidades que têm capacidade para aplicar as respectivas sanções, no ilícito penal,vigora o princípio da jurisdição, pelo que cabe aos tribunais a aplicação das penas, enquanto,que as coimas são aplicadas pelos agentes administrativos, muito embora o seu recurso sejafeito para os Tribunais Judiciais, excepto no que diz respeito a matéria tributária, cujo recurso éfeito para os Tribunais Administrativos.
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