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Análise de comportamentos de mães que acompanham seus filhos durante tratamento odontológico

Análise de comportamentos de mães que acompanham seus filhos durante tratamento odontológico

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235
1Antônio Bento A. de Moraes é Professor Titular da Área de Psicologia Aplicada da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadualde Campinas, UNICAMP -
abento@fop.unicamp.br 
; Áderson L. Costa Júnior - Professor Adjunto do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília– UnB -
aderson@unb.br 
; Laura M. Tomita - Doutoranda em Odontologia, Área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica da Faculdade deOdontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP -
lauratomita@yahoo.com.br 
; Gustavo S. Rolim - Psicólogo, Mestre emEducação Especial, Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR -
 gurolim@caramail.com
.
EVISTA 
B
RASILEIRA 
 
DE
NÁLISE
 
DO
C
OMPORTAMENTO
/ B
RAZILIAN
J
OURNAL
 
OF
B
EHAVIOR 
NALYSIS
, 2006, V 
OL
. 2, N
O
.
2, 235-249
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi descrever e analisar os comportamentos de dez mães durante sessões seqüenciais deatendimento odontológico de seus filhos. Todas as sessões foram filmadas em videoteipe com marcas sonoras a cada15 segundos, indicando os momentos em que foram efetuados os registros dos comportamentos. Um mapeamentogeral do repertório de comportamentos permitiu apontar padrões comuns a todas as participantes e padrõesespecíficos, indicadores de maior ansiedade de algumas participantes. Proporcionalmente, o procedimento deanestesia injetável evocou maior freqüência de comportamentos indicadores de fuga e/ou esquiva das mães. Osresultados permitem levantar a hipótese de que o cirurgião-dentista, atento aos comportamentos de pais eacompanhantes de crianças, pode adotar estratégias que reduzam a ansiedade dos pais, aumentando a freqüência decomportamentos colaborativos das crianças com o tratamento.
Palavras-chave 
: comportamentos de mães; ansiedade em odontologia; análise de comportamentos;odontopediatria.
 ABSTRACT
The aim of this study was to describe and analyze the behavior of 10 mothers during sequential dentaltreatment sessions of their children. All sessions were recorded onto videotape with sonorous marks every 15-second interval, indicating the moments that behavior records would be performed. A behavioral repertoire generalplotting indicated some common and specific behavior patterns, which were indicators of anxiety for someparticipants. Proportionally, local anesthesia injection procedures evoked avoidance and mothers´ escape behaviors.Results may establish the hypothesis that the pediatric dentistry, aware of parents’ behaviors, can adopt strategiesthat reduce parents’ anxiety, increasing children’s collaborative behaviors.
Key words 
: Mother’s Behavior; Dental Anxiety; Behavior Analysis; Pediatric Dentistry.
 ANÁLISE DE COMPORTAMENTOS DE MÃES QUE ACOMPANHAM SEUS FILHOS DURANTE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO
1
 MOTHERS’ BEHAVIOR ANALYSIS DURING DENTAL TREATMENT OF THEIR CHILDREN 
 A 
NTÔNIO
B
ENTO
A.
DE
M
ORAES
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, BRASIL
 Á 
DERSON
L. C
OSTA 
J
ÚNIOR 
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, BRASIL
G
USTAVO
S.
OLIM
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, BRASIL
O estudo do comportamento dos pais queacompanham seus filhos durante sessões detratamento odontológico ainda constitui umtema controvertido. Nossa experiência clínicapermite afirmar que a maior parte dosodontopediatras não costuma discutir com ospais como seus comportamentos podem termaior ou menor influência sobre os comporta-mentos da criança durante a execução de pro-cedimentos odontológicos. Por outro lado,observamos que uma pequena parcela de pro-fissionais aborda o tema, em entrevista com os
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, BRASIL
L
 AURA 
M. T
OMITA 
 
 A. B. DE MORAES. ET AL
236
pais, e ainda fornece instruções de conduta esuporte social durante as sessões. Contribuiçõesda psicologia têm permitido análises maisdetalhadas de comportamentos dos pais, noconsultório de odontologia, e suas implicaçõespara a continuidade do tratamento e da condi-ção de saúde bucal das crianças (Cardoso, 2002;Moraes, Costa Junior & Rolim, 2004).Conforme descrevem Blount, Sturges ePowers (1990), crianças expostas a procedimen-tos médicos e odontológicos, especialmente decaráter invasivo, e seus acompanhantes, podeminfluenciar-se mutuamente durante a execuçãodestes eventos, estabelecendo cadeiascomportamentais que aumentam a probabili-dade da evocação de respostas de enfrentamentoeficiente e/ou de estresse. Para Blount, Landolf-Fritsche, Powers e Sturges (1991), reaçõescomportamentais dos pais, em termos físicos,verbais e/ou fisiológicos, são facilmentepercebidas pela criança, que tende a utilizá-lascomo condição estabelecedora para adoção deestratégias de colaboração, de concorrência oude fuga às diversas situações de tratamento desaúde. Uma expressão facial da mãe, porexemplo, percebida pela criança como típica deapreensão, aumenta a probabilidade de que acriança antecipe a ocorrência de um evento de-sagradável e não colabore com sua execução. Damesma forma, comportamentos de baixatolerância à situação e concorrentes com oseventos do tratamento podem configurar umacondição de ansiedade, dificultando, ou mesmoimpedindo, a atuação de pediatras,odontopediatras e outros profissionais que li-dam com a saúde de crianças (Costa Junior,2001).No que se refere aos pacientes, comporta-mentos indicadores de ansiedade, manifestadospor crianças em atendimento odontológico, têmsido reconhecidos como o principal evento quedificulta a realização e a conclusão dotratamento (Aartman, van Everdingen,Hoogstraten, & Schuurs, 1998). Estudos maisrecentes ainda destacam que comportamentostípicos de ansiedade, não suficientementecompreendidos, ou desconsiderados porodontopediatras, são potenciais promotores detranstornos de comportamento mais amplos quepodem, inclusive, generalizar-se para outrassituações de tratamento de saúde (Baier,Milgrom, Russell, Mancl, & Yoshida, 2004;Cardoso, Loureiro, & Nelson-Filho, 2004). Umadas implicações mais importantes desta situaçãoé a diminuição da probabilidade de que a criançavenha a colaborar com outros tratamentos a quefor exposta, caracterizando situações identificadascomo típicas de medo (Moraes, Possobon, Costa Junior, & Rolim, 2005).Desde a década de 60 do século XX,pesquisas em odontopediatria e odontologiacomportamental têm investigado a origem e odesenvolvimento da ansiedade no contexto dotratamento odontológico (Melamed & Williamson, 1994). Embora ainda não tenhasido possível mapear, com exatidão, todas asvariáveis relacionadas funcionalmente às mani-festações de ansiedade de pacientes e acompa-nhantes, podemos afirmar que sua ocorrênciaaponta para uma complexa etiologiamultifatorial. Muitos autores têm atribuído, hádécadas, os episódios de ansiedade infantil àansiedade demonstrada pela mãe que acompanhaa criança ao consultório, apontando que estarelação pode resultar em maior probabilidadede comportamentos não-colaborativos da criançadurante o atendimento em curso e em futurostratamentos a que a criança será exposta (Allen& Stokes, 1987; Johnson & Baldwin, 1969;Klingberg & Berggren, 1992; Milgrom, Mancl,
 
 ANÁLISE COMPORTAMENTAL EM ODONTOPEDIATRIA 
237
King, & Weinstein, 1995; Ramos-Jorge,Pordeus, Serra-Negra, & Paiva, 1999; Wright, Alpern, & Leake, 1973).Entre estes trabalhos, alguns merecemcomentários mais detalhados. O estudo clássi-co de Johnson e Baldwin (1968), por exemplo,investigou os comportamentos de criançasdurante tratamento odontológico, relacionan-do-os com o nível de ansiedade materna. Osparticipantes foram 60 crianças, com idadeentre três e sete anos, cujo tratamentoodontológico envolvia, pelo menos, uma extra-ção dental. Os resultados mostraram que filhosde mães com elevado nível de ansiedadedemonstraram taxas significativamente maioresde comportamentos concorrentes com otratamento quando comparadas às crianças commães pouco ansiosas. Wright e colaboradores (1973) investiga-ram os comportamentos de 124 crianças, detrês a seis anos de idade, expostas pela primeiravez a tratamento odontológico, bem como osindicadores de ansiedade das mães. O objetivoera avaliar se uma explicação às mães sobre oprocedimento a ser executado, antes do seuinício, poderia reduzir a ansiedade materna,modificando, também, o repertório decomportamentos das crianças. Os resultadosmostraram que as mães que receberaminformações prévias evocaram, menosfreqüentemente, comportamentos indicadoresde ansiedade e foram mais eficientes na solici-tação de colaboração das crianças durante otratamento. Observou-se, também, uma redu-ção significativa dos comportamentos concor-rentes das crianças em relação ao tratamento. Allen e Stokes (1987) utilizaram técnicasde reforçamento positivo, por meio da libera-ção de pequenos brindes e elogios, contingen-tes a comportamentos colaborativos de crian-ças de três a seis anos, expostas a tratamentoodontológico. Além da redução nos níveis denão-colaboração com o tratamento, os autoresidentificaram uma diminuição na freqüência decomportamentos indicadores de ansiedade,manifestados pelos pais que acompanhavamseus filhos ao consultório. Os autores apontamque a redução na ocorrência de comportamentosnão-colaborativos das crianças foi o resultadoda combinação dos efeitos da estratégia dereforçamento e da diminuição dos níveis de an-siedade dos pais com o sofrimento da criançadurante as sessões. Já na década de 90 do século XX,Klingberg e Berggren (1992) investigaramtranstornos comportamentais em 99 criançascujos pais apresentavam níveis elevados de medode dentista e recusa freqüente de se submeterema tratamento odontológico. Os resultadosconfirmaram a relação entre o medo dos pais e omedo apresentado por seus filhos na mesmasituação, destacando, ainda, que as crianças depais que apresentavam os níveis mais altos demedo tinham maiores índices de faltas ecancelamento de consultas e maior probabilidadede abandonar o tratamento sem concluí-lo. Apesar do volume de estudos que apon-tam para a influência da manifestação de ansi-edade da mãe sobre comportamentos não-colaborativos da criança, pesquisas mais recen-tes, utilizando procedimentos metodológicosmais refinados, tecnologia de vídeo e análisesfuncionais de comportamento, têm identificadooutras variáveis responsáveis pela manifestaçãode ansiedade da criança submetida a tratamentoodontológico. Mais do que um comportamentoindicador de ansiedade, evocado pela mãe, osestudos apontam para a relevância daexperiência da criança com outros tratamentosodontológicos e de saúde em geral, percepção

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