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Poesias Infantispor Olavo Bilac
Ao LeitorQuando a Casa Alves & Companhia me incumbiu depreparar este livro para uso das aulas de instruçãoprimária, não deixei de pensar, com receios, nasdificuldades grandes do trabalho. Era preciso fazerqualquer coisa simples, acessível à inteligência dascrianças; e quem vive de escrever, vencendodificuldades de forma, fica viciado pelo hábito defazer estilo. Como perder o escritor a feição que jáadquiriu, e as suas complicadas construções defrase, e o seu arsenal de vocábulos peregrinos, parase colocar ao alcance da inteligência infantil?Outro perigo: a possibilidade de cair no extremooposto – fazendo um livro ingênuo demais, ou, o queseria pior, um livro, como tantos há por aí, falso,cheio de histórias maravilhosas e tolas quedesenvolvem a credulidade das crianças, fazendo-aster medo de coisas que não existem. Era preciso
 
achar assuntos simples, humanos, naturais, que,fugindo da banalidade, não fossem também fatigar océrebro do pequenino leitor, exigindo dele umareflexão demorada e profunda.Mas a dificuldade maior era realmente a da forma.Em certos livros de leitura que todos conhecemos,os autores, querendo evitar o apuro do estilo, fazemperíodos sem sintaxe e versos sem metrificação.Uma poesia infantil conheço eu, longa, que não temum só verso certo! Não é irrisório que, querendoeducar o ouvido da criança, e dar-lhe o amor daharmonia e da cadência, se lhe dêem justamenteversos errados, que apenas são versos por querimam, e rimam quase sempre erradamente?Não sei se consegui vencer todas essasdificuldades. O livro aqui está. É um livro em quenão há animais que falam, nem fadas que protegemou perseguem crianças, nem as feiticeiras queentram pelos buracos das fechaduras; há aquidescrições da natureza, cenas de família, hinos aotrabalho, à fé, ao dever; alusões ligeiras à história dapátria, pequenos contos em que a bondade élouvada e premiada.Quanto ao estilo do livro, que os competentes o julguem. Fiz o possível para não escrever demaneira que parecesse fútil demais aos artistas ecomplicada demais às crianças.Se a tentativa falhar, restar-me-há o consolo de terfeito um esforço digno. Quis dar à literatura escolardo Brasil um livro que lhe faltava.
http://pt.poesia.wikia.com/wiki/Poesias_Infantis
 
A Avó
 
por Olavo Bilac 
 A Avó, que tem oitenta anos,Está tão fraca e velhinha!...Teve tantos desenganos !Ficou branquinha, branquinha,Com os desgostos humanos.Hoje, na sua cadeira,Repousa, pálida e fria,Depois de tanta canseira:E cochila todo o dia,E cochila a noite inteira.Às vezes, porém, o bandoDos netos invade a sala ...Entram rindo e papagueiando :Este briga, aquele fala,Aquele dança, pulando ...A velha acorda sorrindo.E a alegria a transfigura;Seu rosto fica mais lindo,Vendo tanta travessura,E tanto barulho ouvindo.
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