Jean Bartoli Jean Bartoli Jean Bartoli Jean Bartoli
fone/fax : 55 11 5584 8018
E-mail: jeanbartoli@uol.com.br
FICHA DE LIVROAUTOR
: Danièle Hervieu-Léger
TÍTULO
: Le pélerin et le converti, la religion en mouvement
EDITOR
: Paris, Flammarion
ANO
: 1999
NÚMERO DE PÁGINAS
: 291
ÁREA DE INTERESSE
: sociologia das religiõesPor muito tempo incerta quanto ao seu objeto dentro de uma modernidade definitivamente a-religiosa, asociologia das religiões descobria que a modernidade secular, governada em princípio pela razãocientífica e técnica, era também uma nebulosa de crenças
1
.O religioso é uma dimensão transversal do fenômeno humano que trabalha de um modo ativo oulatente, explícito ou implícito, toda a espessura da realidade social, cultural e psicológica, segundomodalidades próprias para cada uma das civilizações nas quais trata-se de identificar sua presença
2
.Contrariamente ao ponto de vista mais freqüente que identifica as crenças religiosas pelo fato quefazem referência a um poder sobrenatural, a uma transcendência ou a uma experiência que ultrapassaas fronteiras do entendimento humano, esta aproximação desubstantivada da religião não privilegiaalgum conteúdo especial do crer. Faz a hipótese que qualquer crença pode ser objeto de umaformalização religiosa desde que encontre sua legitimidade na invocação da autoridade de umatradição. Mais precisamente, seria esta formalização do crer que, como tal, constitui de modo próprio, areligião
3
.Uma "religião" é, nesta perspectiva, um dispositivo ideológico, prático e simbólico pelo qual éconstituído, mantido, desenvolvido e controlado o sentido individual e coletivo da pertença a umalinhagem crente particular. (...) Nenhuma sociedade, mesmo inscrita na imediatismo que caracteriza amodernidade a mais avançada, pode, para existir como tal, renunciar totalmente a preservar um fiomínimo da continuidade, inscrito, de um modo ou de outro, na referência à "memória autorizada" queuma tradição é
4
.Numa sociedade laicizada, a vida social é cada vez menos submetida a regras ditadas por umainstituição religiosa. A pretensão da religião em reger a sociedade inteira e a governar a vida de todoindivíduo tornou-se ilegítima. O grande paradoxo, porém, das sociedades ocidentais é que tiraram partedas suas representações do mundo e seus princípios de ação nas suas próprias raízes religiosas.Neste ponto, uma linha de reflexão seguida por vários pensadores é mostrar a contribuição do judaísmoe do cristianismo à emergência da noção de autonomia que caracteriza a modernidade. O judaísmocoloca a noção de Aliança no centro da relação de Deus para com seu povo coloca o princípio daautonomia da história humana: o povo, segundo se mostra fiel ou não à Aliança, faz a escolha do seufuturo e demonstra sua capacidade de orientar de modo autônomo sua própria história. O cristianismodesenvolve todas as implicações desta visão por ampliar a Aliança para a humanidade inteira: afidelidade e a recusa são submetidas à consciência de cada indivíduo
5
.
1
HERVIEU-LÉGER, Danièle,
La religion en mouvement, le pélerin et le converti,
Paris, Flammarion,1999 p.12
2
Ibid p. 19
3
Ibid p. 23
4
Ibid p. 24
5
Ibid p.32-36