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A MULHER MOÇAMBICANA E SUAS FASES DE TRANSFORMAÇÃO 1975-2005

A MULHER MOÇAMBICANA E SUAS FASES DE TRANSFORMAÇÃO 1975-2005

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Dilemas Teóricos do Feminismo e do Marxismo em Moçambique: Discussão teórico-bibliográfica, mapeamento das organizações, o lugar da mulher na luta armada.

A MULHER MOÇAMBICANA E SUAS FASES DE TRANSFORMAÇÃO 1975-2005

Por: Linette Olofsson

Dilemas Teóricos do Feminismo e do Marxismo em Moçambique: Discussão teórico-bibliográfica, mapeamento das organizações, o lugar da mulher na luta armada.

A MULHER MOÇAMBICANA E SUAS FASES DE TRANSFORMAÇÃO 1975-2005

Por: Linette Olofsson

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Dilemas Teóricos do Feminismo e do Marxismo em Moçambique: Discussão teórico- bibliográfica, mapeamento das organizações, o lugar da mulher na luta armada.
A MULHER MOÇAMBICANA E SUAS FASES DE TRANSFORMAÇÃO 1975-2005
Por: Linette Olofsson
Dedicação as mulheres moçambicanas nascidas na década 70
“Tudo no homem depende da civilização. É portanto, sobre o Estado social que seapoia o edifício da sua grandeza”-D’ Olivet Antonie-França- 1767-1825
Ainda na esteira do 7 de Abril, urge olhar para a mulher como uma das importantesforças motrizes para um desenvolvimento humano a partir da base da sua primáriasocialização. Numa sociedade de exclusão como a nossa, seria de certa forma muitovago se se pretendesse penetrar na questão “mulher” descurando-se as fases pelas quaisela passou. Tal como na pretérita reflexão, continuo afirmando que não pretendo fazer um estudo profundo sobre a matéria, pois o assunto “mulher” é multifacetado. É matériade estudos em diversos ângulos. Aqui importa apenas reflectir sobre a “dor” da mulher;sobre aquilo que a minha visão, de cidadã, me mostra ao longo destes anos todos de“independência”. Para tal, vou dividir este texto em duas etapas, tal como se segue:
etapa – Sobre a emancipação da mulher no regime de partido único emMoçambique
Internamente, pouco se escreveu e pouco se lê sobre as consequências do totalitarismo político na vida da mulher no então sistema mono partidário em Moçambique, masmuito se lê pelo mundo fora sobre a dor da mulher no mundo durante os regimes
totalitários
. Nota-se claramente um défice de comprometimento com a causa damulher nos nossos historiadores, que julgo temerem narrar os verdadeiros factoshistóricos que a mulher atravessou durante essa época. Na verdade, durante a era mono partidária, o conceito de “emancipação da mulher”definia-se, obrigatoriamente, pela
filiação
da mulher na OMM, uma organizão demassas sob tutela da Frelimo. Por outras palavras, toda a mulher que não estivessefiliada, ou não participasse nas “banjas” e trabalhos voluntários idealizados pelo partidoFrelimo através da sua OMM não era emancipada. E a emancipação muitas vezeschegou a confundir-se com a destruição de lares. Confundia-se com o aproximar amoroso (adultério) da mulher emancipada ao chefe do escalão mais alto do partido,tendo como consequência o cimentar das desconfianças em diversos lares a ponto dealguns se terem destruído. Como o ideal da emancipação estava, à partida, destorcido a partir de cima, assistiu-se ao destruir de lares daqueles que tinham suas mulheres aocupar os escaes mais altos da própria OMM. Alguns maridos, acusados de
 
retrógrados e contra os princípios que norteavam a linha política do partido, viram-seatirados para os campos de reeducação ou simplesmente desprovidos dos seus direitosde educarem os seus próprios filhos. Foram forçados a abandonarem os seus lares em benefício da mulher então “emancipada”.Isto e outros problemas que surgiram podem encontrar explicação no seguinte: natentativa de construção do
estado-nação
então idealizado, o partido Frelimo não tomouem consideração as “
relações culturais
dos povos de Moçambique mas apenasideológicas esquemáticas e rígidas que não correspondiam nem ao princípio daliberdade feminina e muito menos ao princípio que norteava a construção do “homemnovo” que se pretendia, isto é, um homem que crescesse seguro numa sociedade segura, pois, como que em catadupa, o homem novo nascido com a independência ver-se-ia naobrigação de ser filho de pais separados, ou porque a mãe emancipou-se tanto a pontode esquecer suas obrigações de mãe e esposa, ou porque o pai não aceitou que a vida doseu lar fosse ditada pelo programa da OMM
 
que, na verdade, nem era programa dessaOMM, mas sim dos componentes dos escaes mais altos do partido que, emcontrapartida, nem sequer permitiam que suas esposas estivessem constantemente nasreuniões dessa OMM até altas horas da noite, muitas vezes, em detrimento de suasobrigações de mães e esposas.Porém, embora todas as mulheres fossem “obrigadas a emancipar-se” segundo osditames da Frelimo, exactamente porque os exemplos de desvios partiam do seio do próprio
partido-estado
e da sua OMM, a maioria das mulheres não embarcaram no projecto da emancipação ao estilo Frelimo/OMM. Nas cidades, vilas e um pouco naszonas rurais, a escola passou a ser o trampolim não só da libertação da mulher, comotambém da erradicação de ideias retrógradas que pairavam ainda em alguns homens. Não se pode dizer que este trampolim, que tende a libertar a mulher em Moçambique,veio graças ao trabalho da OMM. Embora eu admita que a OMM desempenhou um papel crucial na alfabetização, tal como a ideia do progresso sempre existiu no seio dosmoçambicanos (mesmo no tempo colonial), a ideia de pôr filhas a estudarem sempretambém existiu. Apenas se galvanizou com a independência nacional e com a libertação(através da escola) do próprio homem moçambicano eno imbuído em ideaisretrógrados. É preciso ter em conta que jamais a mulher se libertará fora de um quadrosocial em que está inserido, pois se o companheiro da mulher, o homem, não se libertaele próprio, jamais a mulher se libertará também.Embarcamos na reflexão acima para ilustrar que a libertação e emancipação da mulher éum processo. E que se existiram falhas e retardamentos nesse processo são da inteiraresponsabilidade do próprio
partido-estado
, pois imbuído na ideia de emancipar fez dodiscurso um contra senso sócio-cultural.A mulher moçambicana, devido ao sistema político então vigente, era proibida por leide contrair matrimónio com um cidadão estrangeiro (como se o
Amor
tivesse qualquer tipo de fronteiras). Perdia o direito à sua nacionalidade, assim estipulava a primeiraconstituição da Republica Popular de Moçambique. Segundo fontes próximas do poder,este artigo foi inspirado e defendido por um destacado jurista eno ligado anomenclatura do
 poder popular 
. O Dr. Orlando da Graça, hoje membro do ConselhoConstitucional e, na época, professor universirio, tesido o único juristamoçambicano que insurgiu-se corajosamente contra essa norma, apontando acontradição então existente que definia a igualidade entre homem e mulher, mas que em
 
contrapartida prejudicava a mulher na matéria de matrimónio. Este preceituado viria aser alterado apenas com a subida ao poder de Joaquim Chissano, abrindo-se as“fronteiras românticas” para as mulheres moçambicanas. Na época, os homens podiamcasar com quem quisessem no estrangeiro e nenhuma OMM se insurgiu contra tal preceituado.Muitas mulheres moçambicanas para se verem livres do regime emigraram para outros países, a maioria para Portugal com filhos ainda pequenos e com uma mala apenas namão sem saber o que seria do seu futuro e dos seus filhos fora da terra que tantoamavam.A OMM, sendo então a única organização feminina partidária, recebia apoios de quasetodo o Mundo, especialmente do bloco de leste e de alguns países nórdicos, com oobjectivo de reforçar o papel da mulher na sociedade e na defesa de um então
 
regimeque foi, sem dúvida, uma das vergonhas humanas do séc. XX. Só para exemplificar, o partido social democrata Sueco através da organização feminina Kvinnoforbunet(SSKF) e da organização da juventude doaram juntos (entre 1988 e 1991) 1,7 milj kroasa OMM para o desenvolvimento desta organização. Segundo consta no relatório dainspecção aberta feita pelo ministério dos negócios estrangeiros suecos em 1992: 124,do valor doado pouco se destinou ao programado pela OMM, tal como a construção deescritórios nas províncias; cursos de capacitação para os círculos de interesse da OMM,entre outros. Com o valor recebido repararam-se apenas 3 casas de algumas pessoas,tendo o restante dinheiro ido para outros programas fora do âmbito da organização. Naaltura, os suecos tinham em mente a construção de uma nação igual para todos, mas, naverdade, mal sabiam que estavam a apoiar uma ditadura jamais aplicada no seu próprio país. Isto para dizer que o mundo jamais virou as costas à mulher moçambicana. Muito pelo contrário, a Frelimo e a OMM é que viraram as costas a própria mulher do seu país.Embora se reconheça o mérito da OMM em algumas campanhas de alfabetização,temos que reconhecer que caiu na letargia por muitos e longos anos porque a maioriadas iniciativas não eram ditados pela própria mulher.
2ª etapa – A mulher na guerra civil no pais e na paz.
,Durante o conflito armado a maioria das mulheres nas zonas rurais refugiaram-se nos pses vizinhos. Muitas delas refoaram as fileiras da Resistência NacionalMoçambicana (RENAMO) desempenhando um papel importante na socialização das populações nas zonas libertadas pela Renamo, cuidando dos seus filhos, órfãos, doentese feridos. Muitas das guerrilheiras nas fileiras da RENAMO chegaram a ocupa posões de relevo na área de combate e em áreas de comunicação militar emdeterminados pontos estratégicos no País. Infelizmente como acontece em muitasorganizações em África, estas mulheres encontram-se marginalizadas após um grandecontributo para que Moçambique alcançasse a democracia.A luta contra o regime da Frelimo não parou por aqui. A mulher participou ao lado dohomem na criação das primeiras células clandestinas urbanas a nível nacional e noestrangeiro. As causas que levaram a mulher moçambicana novamente a pegar emarmas, tinham sido atingidas com o AGP. A constituão de 1990 exigida pelaRENAMO e antecipada pela Frelimo, foi para a grande maioria do povo e em especial para a mulher em Moçambique uma oportunidade ímpar de pela primeira vez na história

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