Revista Cultural Nº 6 — Julho de 2010 — 3
Editora Novitas: Ainda existe determinado po de pessoa que ao ler autores que escrevem com um linguajar direto, popular fazendo uso dos bons palavrões de nossocodiano, se benzem. O policamente correto vence?
Xico Sá:
Tem reação de tudo que é jeito: uns sebenzem sim e nos excomungam, acham que literaturanão pode ter palavrão, entendem como um perigo para asociedade.Eu acho o palavrão, além de
á , tá. OPmt t
tanto o saco mesmo, mas vamos manter aresistência.
EN - Tu és um dos autores, queescreve o que muitos gostariam deescrever, mas poucos tem coragem de fazer. Na tua opinião, o que falta naliteratura: coragem, cara-de-pau oureinvenção de eslos?
Xico:
Além de cara-de-pau, óbvio,o que me ajuda é a auto-ironia, a arte defazer troça da minha própria tragicomédia de macho. Nãoacredito em que se leva a sério nessa vida. A literatura precisaperder o ar solene que ainda tem e ganhar a capacidade deauto-esculhambaçao. Eu tento.
EN: Teu novo livro,
“Chabadabadá - aventuras edesventuras do macho perdido e fêmea que se acha”
, falasobre essa época de “homem frouxo” e descreve o queainge o homem moderno. Os contos e crônicas do teulivro são inspirados em pessoas reais que vivenciam coisasque não contariam a ninguém, mas foram agrados por teu “olho clínico”?
Xico:
Tudo baseado em histórias e pessoas reais.São episódios passados na vida de amigos ou observadospor ai, principalmente nos bares, nos papos, no testemunhode garçons, no banheiro masculino... Como sou conselheiro
mt mt m, mt m m
com facilidade ao ouvido. Como hiperbólico de nascença,
m m t m , m tm m má m fm.
EN: O eslo Xico Sá já é referênciana literatura e alguns escritores sebaseiam na tua maneira de escrever.Essa situação te incomoda ou te dásasfação?
Xico:
Não sabia disso,mas se
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orgulhoso. Eu também sou muito
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escrita sem a leitura permanente quefaço do Nelson Rodrigues,do AntônioMaria, do João do Rio, do Veríssimo,para citar um vivo, vivíssimo e cada vezmelhor. Sem se falar nas letras do ChicoBuarque,na dor-de-cotovelo do Lupicínio e da dor-de-corno
fzm t m ç mt.
EN: O eslo de escrita tem mais a ver com o cenárioou com o estado de espírito?
Xico:
Tem muito mais de treino, de exercício, de
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escrita.
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