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Revista Cultural Nº 6 — Julho de 2010 — 1
 
Revista Cultural Nº 6 — Julho de 2010 — 2
Revista CulturalNovitas
Ano I Número VIJulho de 2010
 
Esta é uma publicação da Editora Novitas emperiodicidade bimestral, distribuída em formaeletrônica e gratuita.Todos os textos, imagens ou qualqueroutra forma de manifestação aqui publicadosforam devidamente solicitados a seus autores, queautorizaram sua utilização por meio de mensagemeletrônica.Imagens não creditadas a outros sãode autoria de David Nobrega, excluindo-se aquelasque sejam relativas aos autores de artigos e dealguma maneira ligada aos entrevistados (imagenspessoais ou de suas obras).
 
Editores:
Letícia Losekann CoelhoDavid Fordiani Nóbrega
Isento de registro ISBN, conforme instruçãoda Biblioteca Nacional.
Esta página seria atravessada de um lado ao outro por umatarja preta, em sinal de luto pelos dois grandes escritores alecidosdurante o mês de junho: o português José Saramago e o mexicanoCarlos Monsivais. Cheguei mesmo a azer a arte, letras garraaisem branco contra o undo negro e as datas de nascimento e morte.Ah, não é de mau gosto nada, acredito que todos entenderão comosinal de respeito, etc e tal” — pensava eu enquanto acertava osfnalmentes. Aí, nesse ponto, empaquei. Como colocar o símbolo demorte na data de Saramago? Por convenção, todos usamos uma cruz(
U
). Mas como azer isso com alguém que era declaradamente anti-católico?Assim, preeri alterar este texto, explicando a tarja negra aliacima, na diagonal. O respeito por ambos é o mesmo, a homenagempermanece e tenho certeza que esta oi mais uma peça pregada porSaramago... Se Mosivais não gostou, que cobre do português, estejamonde estiverem.Chegamos à edição de número seis. Por conta de umcontratempo que tivemos durante o ano que passou, o aniversário deum ano que seria nesta edição, será comemorado em agosto, mês delançamento da Revista no ano de 2009. Para podermos comemorar( e sim, temos motivos sufcientes para uma estinha), aremos umaRevista especial para o mês que vem, com as melhores matérias jápublicadas. Será um número extra, permanecendo a bimestralidadea partir de setembro. Esta Revista que você tem “nas mãos” está absolutamenteprenhe de ideias e vivências: de Xico Sá a Silvio Alvarez, de AbilioManoel a Eduardo Braga, passando por contistas, articulistas,poetas... Enfm, se o seu interesse é cultura, temos aqui material paralhe abastecer por um tempinho e, quem sabe, lhe presentear comaquele estalo pré projeto, que o ará arregaçar as mangas e pôr-se aotrabalho de criar, parindo novos rutos, para nosso bem.Gostem ou não, comentem. Critiquem construtivamente.Deem seus palpites e nos sugiram pessoas que azem por merecerum maior destaque, mesmo que a ama ainda não tenha batido àsportas desses ulanos e sicranos esparramados pelo pais. Basta nosescrever (contato@editoranovitas.com.br), que toda dica será lida ebem-vinda. Um grande abraço, @David_Nobrega
EDITORIAL
 
Revista Cultural Nº 6 — Julho de 2010 — 3
 
Editora Novitas: Ainda existe determinado po de pessoa que ao ler autores que escrevem com um linguajar direto, popular fazendo uso dos bons palavrões de nossocodiano, se benzem. O policamente correto vence? 
 
Xico Sá:
Tem reação de tudo que é jeito: uns sebenzem sim e nos excomungam, acham que literaturanão pode ter palavrão, entendem como um perigo para asociedade.Eu acho o palavrão, além de
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tanto o saco mesmo, mas vamos manter aresistência. 
EN - Tu és um dos autores, queescreve o que muitos gostariam deescrever, mas poucos tem coragem de fazer. Na tua opinião, o que falta naliteratura: coragem, cara-de-pau oureinvenção de eslos? 
 
Xico:
Além de cara-de-pau, óbvio,o que me ajuda é a auto-ironia, a arte defazer troça da minha própria tragicomédia de macho. Nãoacredito em que se leva a sério nessa vida. A literatura precisaperder o ar solene que ainda tem e ganhar a capacidade deauto-esculhambaçao. Eu tento. 
EN: Teu novo livro,
“Chabadabadá - aventuras edesventuras do macho perdido e fêmea que se acha” 
 , falasobre essa época de “homem frouxo” e descreve o queainge o homem moderno. Os contos e crônicas do teulivro são inspirados em pessoas reais que vivenciam coisasque não contariam a ninguém, mas foram agrados por teu “olho clínico”? 
 
Xico:
Tudo baseado em histórias e pessoas reais.São episódios passados na vida de amigos ou observadospor ai, principalmente nos bares, nos papos, no testemunhode garçons, no banheiro masculino... Como sou conselheiro
mt  mt m, mt  m m
com facilidade ao ouvido. Como hiperbólico de nascença,
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EN: O eslo Xico Sá já é referênciana literatura e alguns escritores sebaseiam na tua maneira de escrever.Essa situação te incomoda ou te dásasfação? 
 
Xico:
Não sabia disso,mas se
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orgulhoso. Eu também sou muito
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escrita sem a leitura permanente quefaço do Nelson Rodrigues,do AntônioMaria, do João do Rio, do Veríssimo,para citar um vivo, vivíssimo e cada vezmelhor. Sem se falar nas letras do ChicoBuarque,na dor-de-cotovelo do Lupicínio e da dor-de-corno
   fzm t  m ç mt.
 
EN: O eslo de escrita tem mais a ver com o cenárioou com o estado de espírito? 
 
Xico:
Tem muito mais de treino, de exercício, de
ç,  ç  v m ô  .N tm v v  m jt , m  .E é    mt, . O t  té mtt  ç  tm  tt, m  
escrita.
 
“(...) não existiriaminha pobre escritasem a leiturapermanente quefaço do NelsonRodrigues,do AntônioMaria, do João doRio, do Veríssimo,para citar um vivo,vivíssimo e cada vezmelhor.”
Jornalista, compositor que apresentaaté videoclipe, escritor, apreciadordas boas — e más desde que no bomsentido — coisas da vida. Esse é oXico Sá, um nordestino radicado emSão Paulo e que fala todas as línguasbrasileiras e que você pode conhecerum pouco mais na entrevista abaixo
 por Lecia Losekann Coelho

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