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Estado de Natureza, contrato social, Estado Civil na filosofia de Hobbes, Locke e Rousseau

Estado de Natureza, contrato social, Estado Civil na filosofia de Hobbes, Locke e Rousseau

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Published by kid_ota1218
Estado de Natureza, contrato social, Estado Civil na filosofia de Hobbes, Locke e Rousseau. Por Marilena Chauí (profª de filosofia na USP)
(Retirado do livro: Filosofia. Ed. Ática, São Paulo, ano 2000, pág. 220-223)
Estado de Natureza, contrato social, Estado Civil na filosofia de Hobbes, Locke e Rousseau. Por Marilena Chauí (profª de filosofia na USP)
(Retirado do livro: Filosofia. Ed. Ática, São Paulo, ano 2000, pág. 220-223)

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12/23/2012

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Estado de Natureza, contrato social,Estado Civil na filosofia de Hobbes, Locke e Rousseau
Marilena Chauí (profª de filosofia na USP)
(Do livro: Filosofia. Ed. Ática, São Paulo, ano 2000, pág. 220-223)
O conceito de estado de natureza tem a função deexplicar a situão pré-social na qual osindivíduos existem isoladamente. Duas foram as principais concepções do estado de natureza:1.A concepção de Hobbes (no século XVII),segundo a qual, em estado de natureza, osindiduos vivem isolados e em luta permanente, vigorando a guerra de todoscontra todos ou "o homem lobo dohomem". Nesse estado, reina o medo e, principalmente, o grande medo: o da morteviolenta. Para se protegerem uns dosoutros, os humanos inventaram as armas ecercaram as terras que ocupavam. Essasduas atitudes o inúteis, pois semprehaverá alguém mais forte que vencerá omais fraco e ocupará as terras cercadas. Avida não tem garantias; a posse não temreconhecimento e, portanto, não existe; aúnica lei é a força do mais forte, que podetudo quanto tenha força para conquistar econservar;2.A conceão de Rousseau (no culoXVIII), segundo a qual, em estado denatureza, os indivíduos vivem isolados pelas florestas, sobrevivendo com o que a Natureza lhes dá, desconhecendo lutas ecomunicando-se pelo gesto, pelo grito e pelo canto, numa ngua generosa e benevolente. Esse estado de felicidadeoriginal, no qual os humanos existem sob aforma do bom selvagem inocente, terminaquando alguém cerca um terreno e diz: "Émeu". A divisão entre o meu e o teu, isto é,a propriedade privada, dá origem ao estadode sociedade, que corresponde, agora, aoestado de natureza hobbesiano da guerrade todos contra todos.O estado de natureza de Hobbes e o estado desociedade de Rousseau evidenciam uma perceão do social como luta entre fracos efortes, vigorando a lei da selva ou o poder dafoa. Para fazer cessar esse estado de vidaameador e ameaçado, os humanos decidem passar à sociedade civil, isto é, ao Estado Civil,criando o poder político e as leis.A passagem do estado de natureza à sociedadecivil se dá por meio de um
contrato social
, peloqual os indivíduos renunciam à liberdade natural eà posse natural de bens, riquezas e armas econcordam em transferir a um terceiro osoberano – o poder para criar e aplicar as leis,tornando-se autoridade política. O contrato socialfunda a soberania.Como é possível o contrato ou o pacto social?Qual sua legitimidade? Os teóricos invocarão oDireito Romano – "Ninguém pode dar o que nãotem e ninguém pode tirar o que não deu" – e a LeiRégia romana – "O poder é conferido ao soberano pelo povo" – para legitimar a teoria do contrato oudo pacto social.Parte-se do conceito de
direito natural
: ponatureza, todo indivíduo tem direito á vida, ao queé necessário à sobrevivência de seu corpo, e àliberdade. Por natureza, todos são livres, aindaque, por natureza, uns sejam mais forte e outrosmais fracos. Um contrato ou um pacto, dizia ateoria jurídica romana, tem validade se as partes contratantes foram livres e iguais e sevoluntária e livremente derem seu consentimentoao que está sendo pactuado.A teoria do direito natural garante essas duascondições para validar o contato social ou o pacto potico. Se as partes contratantes possuem osmesmos direitos naturais e são livres, possuem odireito e o poder para transferir a liberdade a umterceiro, e se consentem voluntária e livrementenisso, então dão ao soberano algo que possuem,legitimando o poder da soberania. Assim, por direito natural, os indivíduos formam a vontadelivre da sociedade, voluntariamente fazem um pacto ou contrato e transferem ao soberano o poder para dirigi-los.Para Hobbes, os homens reunidos numa
multidão
de indivíduos, pelo pacto, passam a constituir um
corpo político
, uma pessoa artificial criada pela1
 
ação humana e que se chama
Estado.
ParaRousseau, os indivíduos naturais o pessoasmorais, que, pelo pacto, criam a
vontade geral
como corpo moral coletivo ou Estado.A teoria do direito natural e do contrato evidenciauma inovação de grande importância: o pensamento político já não fala em comunidade,mas em sociedade. A idéia de comunidade pressupõe um grupo humano uno, homogêneo,indiviso, que compartilha os mesmos bens, asmesmas crenças e idéias, os mesmos costumes eque possui um destino comum.A idéia de sociedade, ao contrário, pressupõe aexistência de indivíduos independente e isolados,dotados de direitos naturais e individuais, quedecidem, por uma ato voluntário, tornar-se sóciosou associados para vantagem reproca e pointeresses recíprocos. A comunidade é a idéia deuma coletividade natural ou divina, a sociedade, ade uma coletividade voluntária, histórica ehumana.A sociedade civil é o Estado propriamente dito.Trata-se da sociedade vivendo sob o
direito civil
,isto é, sob as leis promulgadas e aplicadas pelosoberano. Feito o pacto ou o contrato, oscontratantes transferiram o direito natural aosoberano e com isso o autorizam a transformá-loem direito civil ou direito positivo, garantindo avida, a liberdade e a propriedade privada dosgovernados. Estes transferiram ao soberano odireito exclusivo ao uso da força e da violência, davingança contra os crimes, da regulamentação doscontatos econômicos, isto é, a instituição jurídicada propriedade privada, e de outros contratossociais (como, por exemplo, o casamento civil, alegislação sobre a herança, etc.).
Quem é o soberano? Hobbes e Rousseaudiferem na resposta a essa pergunta.
Para Hobbes, o soberano pode ser um rei, umgrupo de aristocratas ou uma assembléiademocrática. O fundamental não é o número dosgovernantes, mas a determinação de quem possuio poder ou a soberania. Esta pertence de modoabsoluto ao Estado, que, por meio das instituições públicas, tem o poder para promulgar e aplicar asleis, definir e garantir a propriedade privada eexigir obediência incondicional dos governados,desde que respeite dois direitos naturaisintransferíveis: o direito à vida e à paz, pois foi por eles que o soberano foi criado. O soberanodetém a espada e a lei; os governados, a vida e a propriedade dos bens.Para Rousseau, o soberano é o povo, entendidocomo vontade geral, pessoa moral, coletiva, livree corpo político de cidadãos. Os indivíduos, pelocontrato, criaram-se a si mesmos como povo e é aeste que transferem os direitos naturais para quesejam transformados em direitos civis. Assimsendo, o governante não é o soberano, mas orepresentante da soberania popular. Os indivíduosaceitam perder a liberdade civil: aceitam perder a posse natural para ganhar a individualidade civil,isto é, a cidadania. Enquanto criam a soberania enela se fazem representar, são cidadãos. Enquantose submetem às leis e à autoridade do governanteque os representa chamam-se súditos. São, pois,cidadãos do Estado e súditos das leis.
John Locke e a teoria liberal
– No pensamento político de Hobbes e de Rousseau, a propriedade privada não é um direito natural, mas civil. Emoutras palavras, mesmo que no estado de natureza(em Hobbes) e no estado de sociedade (emRousseau) os indivíduos se apossem de terras e bens, essa posse é o mesmo que nada, pois nãoexistem leis para garanti-la. A propriedade privada é, portanto, um efeito do contrato social eum decreto do soberano. Essa teoria, porém, nãoera suficiente para a burguesia em ascensão.De fato, embora o capitalismo estivesse em via deconsolidação e o poderio econômico da burguesiafosse inconteste, o regime político permaneciamonárquico e o poderio político e o prestígiosocial da nobreza também permaneciam. Paraenfren-los em igualdade de condões, a burguesia precisava de uma teoria que lhe desseuma legitimidade tão grande ou maior do que osangue e a hereditariedade davam à realiza e ànobreza. Essa teoria será a da propriedade privadacomo direito natural e sua primeira formulaçãocoerente será feita pelo filósofo inglês Locke, nofinal do século XVII e início do século XVIII.Locke parte da definição do direito natural comodireito à vida, à liberdade e aos bens necessários para a conservação de ambas. Esses bens sãoconseguidos pelo trabalho.Como fazer do trabalho o legitimador da propriedade privada enquanto direito natural?Segundo Locke, Deus é um artífice, um obreiro,arquiteto e engenheiro que fez uma obra: o2

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