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semiótica 1

semiótica 1

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Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000133
1. Intróito: uma delimitaçãoepistemológica do tema
As teorias tradicionais que analisam oDireito enquanto subsistema social confe-rem uma abordagem restrita acerca dotema, procurando imputar-lhe ora umaextensão exclusivamente lógica, ora tão-somente pragmática, dissociando o
logos
e a
praxis
jurídica, como se aspectosnecessariamente antagônicos de ummesmo fenômeno fossem.A criação de abstrações pela tradicio-nalíssima abordagem lógica do Direitoparece ser, segundo alguns, a única possi-bilidade de conferir-lhe uma análisecientífica, ao passo que, para outros, apre-
Ação declaratória de constitucionalidade esemiótica jurídica: uma nova visão dasupremacia constitucional
Silvia Regina Pontes Lopes
Silvia Regina Pontes Lopes é graduandaem Direito da Universidade Federal dePernambuco e pesquisadora bolsista (CNPQ/PIBIC) na área de Teoria Geral do Direito eDireito Constitucional.
Sumário
1. Intróito: uma delimitação epistemológicado tema. 2. O sistema jurídico sob umaperspectiva semiótica. 2.1. Os conceitos devalidade e sua tradicional função sintática.2.2. O ordenamento jurídico como sistemaproposicional nomoempírico prescritivo. 3. Opapel da Constituição numa visão semiótica: asupremacia constitucional absoluta como ideal.4. A ação declaratória de constitucionalidade:uma concretização da realidade semiótica doDireito. 4.1. A inconstitucionalidade da ADC esua extensão semiótica. 4.2. Processo abstrato eobjetivo
versus
princípio do contraditório: umadiscussão sintático-semântico-pragmática.4.3. Do efeito vinculante: tentativa de diminui-ção da diversidade semântico-pragmática doDireito. 4.4. O sentido jusfilosófico da discussãodogmática. 5. Conclusão.
 
Revista de Informação Legislativa134
senta-se inútil a tentativa de compreensãosistemática do fenômeno jurídico pela sim-ples razão de ser o Direito um
fenômeno
so-cial, condicionado, portanto, tão-somente àsnoções de vontade e efetividade.A elaboração de teorias jurídico-cientí-ficas restritas ao âmbito do
logos
foi respon-sável pela criação de verdadeiros mitosprincipiológicos, tal como a idéia de com-patibilidade necessária entre os elementosnormativos, da qual proveio o dogma dasupremacia constitucional absoluta.Diante desse panorama, a transposiçãodas noções da semiótica (ciência queestuda os signos) para a compreensão dofenômeno jurídico mostra-se instrumen-talmente propícia à análise do Direito emsua amplitude
lógica
e
prática
, ao conside-rar-se o ordenamento jurídico comolinguagem (prescritiva), detentor, portan-to, de uma dimensão
sintática
(relaciona-mento da norma com os demais elementosnormativos do ordenamento),
semântica
(perquirição do significado da norma e deseu objeto) e
pragmática
(relacionamentoda norma com seus emitentes e destina-tários), reciprocamente condicionantes.À luz da semiótica jurídica, analisar-se-á, portanto, o fenômeno do Direito,conciliando-se seus elementos essenciais,o
logos
e a
praxis
,
 
a fim de rever-se o ideal já arraigado, no senso comum acadêmico,da supremacia constitucional em termosabsolutos, demonstrando-se a completudede uma teoria semiótica do Direito para acompreensão de controvérsias dogmá-ticas, particularmente da ação declara-tória de constitucionalidade, instituto doDireito Positivo brasileiro, que expressaclaramente essa realidade semiótica.
2. O sistema jurídico sob umaperspectiva semiótica
2.1. Os conceitos de validade e suatradicional função sintática
A visão do fenômeno jurídico comosistema é tendência moderna. Na verdade,o vocábulo “sistema” passou a integrar alinguagem jurídica apenas no século XVI,sendo popularizado por Christian Wolf etornando-se um termo técnico-jurídicoapenas no século XIX. Como bem observaTércio Sampaio Ferraz Júnior, “a bem daverdade, pode-se falar, por exemplo, emordenamento jurídico na Roma Antiga,mas o sistema do direito romano é umacriação do século XIX”
1
. O Direito encara-do como sistema mostra-se, assim, a maiorcontribuição do Jusnaturalismo Moderno,desencadeador do processo de racionali-zação e formalização do Direito, o quetornou possível a realização, no séculoXIX, da chamada positivação jurídica, nosentido de que as normas valem juridi-camente enquanto frutos de um processodecisório por meio do qual os valores easpirações sociais são filtrados
2
.Apesar da equivocidade, o termo“sistema” assume um significado-base:conjunto de elementos que formam umtodo unitário. Essa unidade é, freqüente-mente, analisada sob o paradigma da
validade
. Tal termo é doutrinariamenteabordado sob diversos ângulos, que par-tem de um pressuposto comum, qual seja:
relação
. Dessa forma, algo não vale por sisó, mas vale frente ou em relação a algo.A validade, numa visão semiótica, podeser encarada sob as perspectivas sintática,semântica e pragmática. A maioria dos juristas são adeptos a teorias exclusivistasacerca do conceito de validade, analisando-a, freqüentemente, apenas sob um aspectológico-sintático: válido é o elementorelevante frente ao sistema e com elecompatível, e conferindo-lhe a funçãoprincipal de garantia da unidade dosistema jurídico.Essa unidade do sistema condicionadaà validade em sentido sintático de seuselementos está, contudo, intimamenterelacionada à falsa concepção de que acoerência ou compatibilidade é caracte-rística essencial de qualquer sistema
3
.Necessário se faz, portanto, distinguir-seas diversas espécies de sistemas, analisan-do-se, particularmente, o sistema jurídico.
 
Brasília a. 37 n. 146 abr./jun. 2000135
2.2. O ordenamento jurídico como sistemaproposicional nomoempírico prescritivo
Os sistemas podem ser classificados em
reais
(
empíricos
) ou
proposicionais
(
nomoló-gicos
ou
nomoempíricos
) conforme decorrasua unidade, respectivamente, da maneirapor meio da qual seus elementos rela-cionam-se ou da existência de um funda-mento comum para todos os elementosintegrantes do sistema
4
.Os sistemas empíricos são formadospor elementos físicos, sociais e psíquicosque se relacionam pelo princípio da
causalidade
. Seus elementos vivem emconstante conflito, o que não prejudica aunidade do sistema, proporcionada pelainteração causal de seus componentes. Asociedade é um típico exemplo de sistemaempírico. Os sistemas proposicionaisnomológicos caracterizam-se, a seu turno,pela completude e coerência. São sistemasditos axiomáticos, posto partirem de umaproposição que vale independentementede qualquer comprovação fática, a partirda qual se pode inferir, por um processológico de
dedução
, todos os demais elemen-tos, possuindo, dessa forma, a nota de
fechamento
. Assim, possuem extensãomeramente sintática, pois, pragmati-camente, caracterizam-se por uma neutra-lidade axiológica, sendo, semanticamente,indeterminados. São, portanto, os sistemaslógico e matemático.Por outro lado, os sistemas nomoem-píricos referem-se, direta ou indiretamen-te, a objetos reais, daí estarem em perma-nente contato com a
praxis
, possuindo,assim, as três dimensões semióticas. Sãode dois tipos: sistemas
teoréticos
(
descri-tivos
) ou sistemas
normativos
(
prescritivos
).Os primeiros assumem uma função gno-seológica, pois analisam as formas derelacionamento entre dados reais, regen-do-se pelo princípio da
verdade
. Suasproposições são, assim, necessariamentecompatíveis, dada a impossibilidade deduas afirmações antagônicas serem conco-mitantemente verdadeiras. Compre-endem, dessa forma, as ciências causais(naturais e sociais), bem como as norma-tivas, referentes indiretamente a dadosreais por meio da descrição do conteúdode normas (morais, religiosas, jurídicas,etc.). Apesar do caráter de
compatibilidade
,são sistemas que se caracterizam pelo
fechamento sintático
e pela
abertura semân-tica e pragmática
, por serem condicionadospela experiência (
praxis
).Os sistemas nomoempíricos prescri-tivos assumem, a seu turno, uma funçãode
direcionamento
da conduta humana (nãode seu
conhecimento
). Suas proposiçõespretendem ser
válidas
, porém não verda-deiras, sendo, não raras as vezes, contra-ditórias entre si, por estarem condiciona-das a regras de incorporação e expulsãoque, em geral, não atuam concomitan-temente. A compatibilidade entre seuselementos, portanto, não é essencial
5
.O
ordenamento jurídico
é um
sistemaproposicional nomoempírico prescritivo
.Assim, como todos os sistemas proposi-cionais normativos, “a coerência é tão-sóum ideal racional, fundado na exigênciade segurança”
6
. Tal se dá em virtude desua extensão semântico-pragmática (con-teúdo normativo indeterminado e plura-lidade de aplicadores), que possibilita aexistência de
regras de admissão
e de
rechaço
7
das normas, regras essas que nãopossuem, devido à referida extensão, osmesmos suportes fáticos. É possível, destaforma, que uma norma integre o ordena-mento jurídico sem ser coerente com osistema (válida), dele sendo expelidaapenas quando da incidência de normasde rechaço (pronunciamento judicial,
verbi gratia
). A visão do ordenamento jurídico como um sistema formado neces-sariamente de elementos compatíveisentre si decorre da análise do sistema sobuma ótica exclusivamente lógico-sintática,em que reina o
princípio da não-contra-dição
. A existência de contradição é umdado empírico, essencial a uma aborda-gem semiótica do Direito.

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