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O Malleus Malefic Arum Intro

O Malleus Malefic Arum Intro

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07/13/2010

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O
Malleus Maleficarum
(traduzido para português como
Martelo das Feiticeiras
ou
Martelo das Bruxas
) é um livro escrito em 1484 e publicado em 1486 (ou 1487), pordois monges alemães dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger, que se tornouuma espécie de "manual contra a bruxaria". O livro foi amplamente utilizado pelosinquisidores por aproximadamente duzentos e cinqüenta anos, até o fim daSantaInquisição, e servia para identificar bruxas e os malefícios causados por elas, além dosprocedimentos legais para acusá-las e condená-las.O Malleus Maleficarum traz inúmeras e exageradasdescrições e, até certo ponto, apelativas e incoerentes.O livro divide-se em três partes distintas, sendo quecada parte subdivide-se em capítulos chamados de
Questões
. A primeira parte, que contém dezoitoquestões, ensina a reconhecer bruxas em seusmúltiplos disfarces e atitudes. A segunda parte trazapenas duas ques- tões, mas a primeira estásubdividida em dezesseis capítulos e a segunda emoito capítulos. Esta segunda parte expõe os tipos demalefícios, classificando-os e explicando-osdetalhadamente, e os métodos para desfazê-los. Aterceira e última parte, que contém uma introduçãogeral e trinta e cinco questões subdivididas, condicionaas formalidades para agir "legalmente" contra asbruxas, demonstrando como inquiri-las e condená-las,tanto nos tribunais civis como eclesiásticos.As teses centrais do Malleus Maleficarumfundamentaram-se na idéia de que o demônio, sob apermissão de Deus, procura fazer o máximo de mal aos homens para apropriar-se desuas almas. Este mal é feito prioritariamente através do corpo, único canal em que odemônio pode predominar. A influência demo- níaca é feita através do controle dasexualidade, e por ela, o demônio se apropria primeiramente do corpo e depois daalma do homem. Segundo o livro, as mulheres são o maior canal de ação demoníaca.Ainda, a primeira e mais importante característica descrita no livro, responsávelpor todo o poder das feiticeiras, é copular com o demônio. Portanto, Satã é o "senhordo prazer". Dessa forma, uma vez obtida a relação com o demônio, as feiticeiras sãocapazes de desencadear todos os males, especialmente impotência masculina,impossibilidade de livrar-se de paixões desorde- nadas, oferendas de crianças à Satã,abortos, destruição das colheitas, doenças nos animais, entre outros. Porém, nopróprio livro é citado que o coito com o demônio não seria exatamente carnal, já queestas criaturas eram espíritos, mas ocorria através de rituais orgíacos.
O surgimento do Malleus Maleficaru
 
 
No início do século IX, havia a crença popular sobre existência de bruxos que,através de artifícios sobrenaturais, eram capazes de provocar discórdia, doenças emorte. Por sua vez, a Igreja não aceitava a existência de bruxos e ainda, baseado noConselho eclesiástico de São Patrício (St. Patrick), afirmava que
"um cristão queacreditasse em vampiros, era o mesmo que declarar-se bruxo, confesso ao demônio"
e
"pessoas com crenças não poderiam ser aceitas pela Igreja a menos que revogue comsuas palavras o crime que cometeu"
.Na segunda metade do século X já havia penalidades severas para quem fizesseuso de artes mágicas. No século XIV (1326) a Igreja autoriza a Inquisição a investigaros casos de bruxaria. Pouco mais de cem anos depois, em 1430, teólogos cristãoscomeçam a escrever livros que "provam" a existência de bruxos. O livro
Formicarius
,escrito por Thomas de Brabant, em 1480, aborda a relação entre o homem e abruxaria.Em uma sociedade na qual a religiosidade, política, sexualidade e artes estavaminterligadas e sob o domínio da Igreja, transgredir as normas de conduta em apenasum desses campos, acarretaria, por conseqüência, numa transgressão generalizada edireta sobre o poder do clero. Dessa forma, sob o papado de Inocêncio VIII, o MalleusMaleficarum nasceu da necessidade que a Igreja Católica tinha de organizar e legitimarsuas práticas, principalmente quando relacionadas à Santa Inquisição, que já atuavadesde o final do século XII. Até aquele momento, não havia uma referência oficial queabordasse a questão da bruxaria. Fazia-se necessário um documento escrito, aprovadopelo corpo eclesiástico, que tivesse valor legal e determinasse com maior precisãopossível, as práticas de feitiçaria e suas respectivas punições.Heinrich Kramer e James Sprenger, através de uma bula de Inocêncio VIII, foramnomeados inquisidores para que investigassem as práticas de bruxaria nas provínciasdo norte da Alemanha e incumbidos de produzir a obra que institucionaliza-se elegitima-se a ação da Igreja. Por aproximadamente dois anos, encarregaram-se daprodução do espesso trabalho de mais de quatrocentas páginas. Por fim, o Formicariusfoi acoplado e passou a fazer parte do tratado eclesiástico intitulado MalleusMaleficarum. A imprensa, recém surgida, facilitou a divulgação da campanha movidapela Igreja contra as feiticeiras.
Mulheres & Feiticeiras 
 Tradicionalmente, nas culturas pré-cristãs, a mulher era objeto de adoração erespeito. Era a fonte doadora da vida e símbolo da fertilidade. Porém, mesmo sob aalegação formal de combater a heresia em todas as suas variações, as descriçõescontidas no Malleus Maleficarum, fundamentadas em conceitos de uma civilizaçãopatriarcal, contribuíram para construir uma idéia fantasiosa e infamante sobre asmulheres.Esta idéia podia ser legitimada através do preceito que Eva surgiu de uma costelatorta de Adão. Logo, ocorreu a associação que, conseqüentemente, todas as mulheresnão podiam ser retas em sua conduta. Ainda, o pecado original ocorreu através do atosexual (na metáfora de Adão e Eva comendo maçã) e, assim, a sexualidade era oponto mais vulnerável do ser humano. Portanto, segundo o livro,
"mas a razão naturalestá em que a mulher é mais carnal do que o homem, o que se evidencia pelas suasmuitas abominações carnais"
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