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Eutífron

Eutífron

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Published by: João Eduardo C. Maia on Jul 15, 2010
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Eutífron – Diálogos de Platão
EUTIFRON de Platão
Tradução de Jaime Bruna. Fonte: Clássicos Cultrix, 1963
Personagens
Êutifron e Sócrates. A cena se passa à porta do edifício doarconte-rei.ÊUTIFRON 
— Que novidade aconteceu, Sócrates que você largou osentretenimentos do Liceu e passa agora o tempo aqui perto do Pórtico doRei? Será que você tem um processo junto ao arconte, como eu?
SÓCRATES
— Não, Êutifron; não é o que em Atenas chamam processo; éuma denúncia.
E.
O quê?! Então alguém denunciou você? Eu não posso conceberque você tenha denunciado outrem.
S
. — Realmente não.
E.
— Então, outrem denunciou você. 
S.
— Precisamente.
E.
— Quem foi?
S.
Eu mesmo não sei bem quem é o homem, Êutifron. Fiquei sabendo queé moço e pouco conhecido. Creio que se chama Meleto; é do bairro de Piteu.Você tem idéia de algum Meleto de Piteu? um de cabelos lisos, barba rala enariz adunco?
E.
— Não faço idéia, Sócrates. Mas, afinal, que acusação lhe fêz?S. — Que acusação? Uma nada ordinária, a meu ver. Um moço
 
tomar umadecisão dessas não é coisa de somenos. Êle, pelo que diz, sabe como e porquem são corrompidos os jovens. Talvez seja um sábio, que notou a minhaignorância, pela qual eu estaria corrompendo os de sua idade, e vemacusar-me diante da autoridade como diante de uma mãe. No meu
 
entender, é o único a começar sua atividade política por onde deve; oprimeiro zelo deve ser para com os jovens, a fim de que sejam tão bonsquanto possível. É como faz o bom agricultor, que cuida naturalmente dasplantas novas em primeiro lugar e das outras depois. Aí está; Meleto talvezcomece por varrer-nos, os que, como diz, estragamos o crescimento dosmoços; depois disso, evidentemente, cuidará dos velhos e virá a ser autordos mais abundantes e vultosos benefícios ao povo, como é de esperar dequem parte de tais começos.
E
— Eu folgaria com isso, Sócrates, mas receio muito que saia ao contrário.Tentando prejudicar você, êle me parece simplesmente que começa porHéstia a ser
 
daninho à cidade. Diga-me, porém; que fêz você para que oacuse de corromper os moços?
S
. — Assim, para contar, coisas estranhas, meu admirável amigo. Diz quesou um fazedor de deuses e por eu fabricar novos deuses e não crer nosantigos é que ofereceu denúncia contra mim; é o que ele diz.
E
— Estou compreendendo, Sócrates; de fato, você costuma dizer que temaquela "inspiração" em todas as ocasiões; é isso. É um pé para ele denunciarvocê como inovador em matéria religiosa e vir a juízo acusar, porque sabeque acusações dessa ordem acham boa acolhida entre a multidão. De mimtambém, quando discorro na assembléia sobre assuntos religiosos e lhespredigo o futuro, eles caçoam como de um louco; no entanto, eu nada disseque não fosse verdade; mas eles têm inveja de gente como nós. Nós, porém,não temos que inquietar-nos por causa deles, e sim de enfrentá-los.
S.
— Meu caro Êutifron, agüentar as caçoadas não seria nada. Parece que osatenienses, quando consideram alguém talentoso, desde que incapaz deensinar a sua sabedoria, pouco se importam; mas se é um que eles achamcapaz de tornar iguais a si os outros, aí êles se irritam, ou por inveja, comovocê diz, ou por outras razões.
E.
— Nesse particular não tenho vontade nenhuma de apurar o que sentema meu respeito.
 
S.
— Pode ser que pensem que você se apresenta de raro em raro e nãopretende ensinar a sua arte. Quanto a mim, o meu medo é parecer-lhes que,movido de sentimentos humanitários, eu diga a jorros a todo e qualquerhomem o que tenho para dizer, não apenas de graça, mas até pagando comprazer, se fôr o caso, para que alguém se prontifique a ouvir. Pois, iadizendo, se eles houverem de caçoar de mim como de você, como vocêmesmo conta, não será nada aborrecido passarmos o tempo no tribunalentre pilhérias e risos; mas se houverem de tomar o caso a sério, ninguémsabe no que vai dar isto — a não serem vocês, os adivinhos.
E.
— Afinal, Sócrates, bem pode ser que não dê em nada e que você lide como processo a seu gosto; acho que eu farei o mesmo com o meu.S. — É verdade, Êutifron! O seu processo em que consiste? Você é réu ouautor?
E.
— Autor.S. — E o réu?
E.
Alguém que parece loucura eu processar.5. Como assim? Você está processando alguém com asas?
E.
— Está muito longe de poder voar, de tão velho.
S.
— Quem é?
E.
— Meu pai.S. — O seu, meu bravo?!
E.
-— Sem tirar nem pôr.S. Qual a queixa? Qual a acusação?
E.
— Homicídio, Sócrates.S. — Héracles! De fato, Êutifron, a maioria ignora o que é direito. Penso que

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