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A teoria Moral de Emile Durkheim.pdf

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XIII Congresso da Sociedade Brasileira de SociologiaUFPE, Recife, 29 de maio a 30 de junho de 2007GT28: Teoria Sociológica
Raquel Weiss/USP
kel_weiss@hotmail.com
 A Teoria Moral de Émile Durkheim 
o prefácio à segunda edição de sua
Crítica da Razão Pura
, discutindo as condições depossibilidade de que a metafísica, enquanto conhecimento da própria razão, pudesse“encetar o caminho seguro da ciência”, Kant afirma o seguinte:
 Até agora se supôs que todo nosso conhecimento tinha que se regular pelos objetos; porém, todas as tentativas de mediante conceitos estabelecer algo a priori sobre osmesmos, através do que nosso conhecimento poderia ser ampliado, fracassaram sobessa pressuposição. Por isso tente-se ver uma vez se não progredimos melhor nastarefas da Metafísica admitindo que os objetos têm que se regular pelo nossoconhecimento, o que assim já concorda melhor com a requerida possibilidade de umconhecimento a priori dos mesmos que deve estabelecer algo sobre os objetos antes denos serem dados. O mesmo aconteceu com os primeiros pensamentos de Copérnicoque, depois das coisas não quererem andar muito bem com a explicação dosmovimentos celestes admitindo-se que todo o exército de astros girava em torno doespectador, tentou ver se não seria mais bem-sucedido se deixasse o espectador mover-se e, em contrapartida, os astros em repouso.
[Kant, 1998, 38]
Neste trecho, Kant assemelha a revolução que pretende fazer na maneira deconceber a razão humana àquela operada por Copérnico ao defender que não é o sol ou osastros que giram em torno da terra, mas esta que se movimenta e gira em torno daqueles.Tratou-se de uma revolução cosmológica cujas implicações são bem conhecidas. Da mesmaforma, ao propor que se conhecesse a razão humana antes de querer conhecer os objetos,Kant propôs uma inversão de ponto de vista que possibilitou uma nova forma de entender arelação entre sujeito e objeto, estabelecendo uma ruptura com a filosofia que o precedeu. Aidéia que gostaria de defender aqui é a de que a maneira como Émile Durkheim propôsentender a moral também consistiu em uma espécie de “revolução copernicana”, na medida
 
em que defendeu outra maneira de entender a moral, que pressupôs um deslocamento desua origem e de seu fundamento.Para o autor, a moral não seria algo oriundo da vontade divina, como no caso dateologia, ou de qualquer forma de razão universal, constitutiva de cada ser humano, comono caso de boa parte da filosofia. Ao contrário, a sociedade, entendida como conjunto dasinterações e representações sociais elaboradas ao longo da história, é que seria suaverdadeira origem, e na sociedade mesma que se deveriam encontrar as categoriasfundamentais inerentes a esse tipo de problema. Tratou-se, sobretudo, de propor umamaneira “sociológica” de abordar a questão, que, a seu ver, deveria constituir uma rupturacom a abordagem propriamente filosófica. Para sustentar tal interpretação, discuto a seguiralguns dos aspectos mais importantes da teoria moral construída por Durkheim, procurandodestacar de que modo esta se diferencia das duas principais vertentes de filosofia moral naFrança da época de Durkheim e com as quais debateu continuamente, quais sejam, okantismo e o utilitarismo.Na verdade, trata-se de um tema discutido em minha dissertação de mestrado e quefaz parte de um trabalho, ainda em andamento, que tem por objetivo apreender os principaiselementos constitutivos da teoria moral de Émile Durkheim. Na dissertação, procureidefender o argumento de que sua incursão por este terreno foi motivada pelo interesse emfundar uma “Ciência da Moral” – leia-se uma “Sociologia da Moral -, que, segundo suaconcepção de ciência, deveria consistir em um empreendimento intelectual diverso daFilosofia Moral, o que pressupunha lidar com o problema da “moral” de uma maneiradiferente, no âmbito de uma epistemologia indutivista que privilegia a análise empírica,tomando a moral enquanto fato, fato social.
 
De modo geral, o principal argumento a ser defendido é o de que todas as diferençasem relação a essas outras abordagens, e a própria “revolução copernicana” resultam doseguinte:1)
 
Da pretensão de fazer uma “Ciência da moral”, que deveria ser algodiferente de uma “Filosofia Moral” [divergência quanto aos objetivos equanto à própria metodologia]2)
 
Da proposição da sociedade como origem e fundamento da moral.
2. O Debate com a Filosofia Moral
Nem u
tilitarismo
, nem
kantismo
. Na verdade, nenhuma dessas teorias, predominantesna França do XIX, havia dado, na opinião de Durkheim, tratamento científico para oproblema moral. As afirmações equivocadas a respeito de sua origem, de seu fundamento ede sua finalidade, bem como sobre as máximas concretas que deveriam orientar a condutaseriam resultantes da adoção de um princípio epistemológico inadequado, incompatívelcom uma abordagem científica do problema, ao menos segundo os cânones da ciênciapredominantes à época.Dedução. Era esse, pois, segundo Durkheim, o princípio epistemológico comum a todatradição filosófica que, por um caminho ou por outro, teria conduzido os diversos autores àproposição de soluções teóricas inconsistentes com a realidade dos fatos. E, deve-se notar,era propriamente a “realidade dos fatos” o único recorte que interessava a Durkheim.Portanto, foi exatamente a rejeição ao dedutivismo que permitiu ao sociólogo atirar não emdois, mas em vários coelhos com uma só cajadada e, assim, pôde preparar o terreno sobre oqual construiu sua própria teoria, alicerçada sobre o princípio da indução. Em verdade, a

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