/  9
 
GUTENBERG: A MARAVILHOSA INVENÇÃOTipos móveis e tintaUm ano após sua volta para Mogúncia, Gutenberg solicita econsegue um empréstimo de 800 florins com Johannes Fust e, muitoprovavelmente, começa a por em prática, de modo sistemático, a suainvenção. Para a realização do seu projeto, ou seja, a invenção daimprensa com tipos móveis, Gutenberg devia superar três ordens deproblemas com relação as três fases nas quais se devia subdividir oprocesso tipográfico. O êxito do empreendimento dependia daconcatenação exata desses três momentos e de seuaperfeiçoamento. E não podemos deixar de ressaltar que nainvenção de Gutenberg não havia nada de totalmente novo, já que adescoberta consistia na síntese técnica e no aperfeiçoamento dealguns procedimentos já conhecidos.Tratava-se de inventar um modo eficaz para compor uma página comtipos móveis independentes, que é a idéia básica e que se articula,por sua vez, em diversas fases; em seguida era necessário conseguiruma tinta densa que aderisse sem problemas as superfícies metálicase, finalmente, a colocação de uma prensa de impressão quepermitisse abandonar o método do tampão usado nas xilografias. Asolução dos dois últimos problemas devia ser, sem dúvida, muito maissimples do que a primeira, que exigia um verdadeiro trabalho defundição.
 
Michel Clapham descreve do seguinte modo a atividade de umaoficina que poderia ser aquela idealizada por Gutenberg graças aoempréstimo que Fust lhe concedeu: “O trabalho da fundição consistiano preparo dos cunhos, na sua impressão sobre o metal utilizadopara as matrizes e no derramamento do metal usado para os tiposde impressão nas próprias matrizes, talvez fabricando antes umdeterminado número de formas que permitissem a realização de tudoisso. Todas as operações, a exceção do complemento de fundiçãodos tipos de impressão, deviam ser realizadas antes de se podercompor um tipo, e a primeira delas devia ser a gravação do cunho,cada um colocado na extremidade de uma haste em aço, latão oucobre de corre retangular. Como naquela época não se dispunha deinstrumentos de precisão, devia ser muito grande a dificuldade em seconseguir um alinhamento perfeito dos tipos de impressão com umasérie de cunhos gravados a mão e também impressos manualmentenas matrizes, e não dispomos de qualquer tipo de documentação quenos revele como estas dificuldades eram superadas. Contudo, comosabemos que uma matriz devia ser de dimensão e forma idênticas aodo tipo de impressão quando terminado, podemos supor que sobre ocunho, no início liso e esquadrado, fosse traçada, numa de suasextremidades, uma ‘linha’, ou seja, um sulco orientador próximo aopé da letra. Esta era então desenhada tomando-se este sulco comobase: em volta e dentro de seu perfil, o metal era impresso e retiradocom cinzel e lima. Uma vez terminada esta operação, o metal eratemperado, e o cunho que dele resultava era idêntico em imagem aotipo de impressão que se deveria fundir. A etapa seguinte era bater ocunho com um martelo sobre a superfície lisa do metal mais macio
 
usado como matriz. Completada uma série de matrizes, estavarealizado o trabalho preliminar da oficina. A operação seguinteconsistia na fundição dos tipos de impressão, que depois eramcolocados numa vareta para compor. A primeira Fase do trabalhoestava concluída quando cada uma das páginas era solidamentebloqueada e uma prova de imprensa era entregue ao corretor ou aoleitor. A prova de imprensa correta era devolvida ao compositor, queafrouxaria os tipos de impressão e faria as correções. A prensaadotada pelos primeiros impressores de Mogúncia não devia sermuito diferente da prensa para a roupa branca. Contudo, por voltade 1450, foi introduzido um importante melhoramento: o ‘tímpano’,um caixilho recoberto de pergaminho, sobre o qual era fixado o papelque se ia imprimir e que era colocado sobre o prelo de forma que opapel descesse exatamente sobre a superfície dos tipos”.A tinta inventada por Gutenberg consistia em um pigmentoesmagado e misturado com óleo e linho que tinha a propriedade deaderir perfeitamente as superfícies metálicas, porém é preciso dizerque um preparado do gênero era já usado, há algum tempo, pelospintores da escola flamenga. Contudo, a complexidade da suainvenção é clara. E embora tivesse absorvido o procedimento defundição da atividade dos ourives, como ele próprio era, bem comooutras etapas do processo, ele tinha sabido coordenar genial eperfeitamente a sua invenção.Infelizmente, nenhuma das obras saídas da oficina de Mogúncia levao nome de Gutenberg no colofão, e isso porque, mais uma vez, estáem contenda com seu sócio. “Em 1449 ou 1450 Gutenberg recebeu

Share & Embed

More from this user

Recent Readcasters

Add a Comment

Characters: ...