Michel Clapham descreve do seguinte modo a atividade de umaoficina que poderia ser aquela idealizada por Gutenberg graças aoempréstimo que Fust lhe concedeu: “O trabalho da fundição consistiano preparo dos cunhos, na sua impressão sobre o metal utilizadopara as matrizes e no derramamento do metal usado para os tiposde impressão nas próprias matrizes, talvez fabricando antes umdeterminado número de formas que permitissem a realização de tudoisso. Todas as operações, a exceção do complemento de fundiçãodos tipos de impressão, deviam ser realizadas antes de se podercompor um tipo, e a primeira delas devia ser a gravação do cunho,cada um colocado na extremidade de uma haste em aço, latão oucobre de corre retangular. Como naquela época não se dispunha deinstrumentos de precisão, devia ser muito grande a dificuldade em seconseguir um alinhamento perfeito dos tipos de impressão com umasérie de cunhos gravados a mão e também impressos manualmentenas matrizes, e não dispomos de qualquer tipo de documentação quenos revele como estas dificuldades eram superadas. Contudo, comosabemos que uma matriz devia ser de dimensão e forma idênticas aodo tipo de impressão quando terminado, podemos supor que sobre ocunho, no início liso e esquadrado, fosse traçada, numa de suasextremidades, uma ‘linha’, ou seja, um sulco orientador próximo aopé da letra. Esta era então desenhada tomando-se este sulco comobase: em volta e dentro de seu perfil, o metal era impresso e retiradocom cinzel e lima. Uma vez terminada esta operação, o metal eratemperado, e o cunho que dele resultava era idêntico em imagem aotipo de impressão que se deveria fundir. A etapa seguinte era bater ocunho com um martelo sobre a superfície lisa do metal mais macio
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