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CLASSIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL DOS TRIBUTOS

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CLASSIFICAÇÃO CONSTITUCIONAL DOS TRIBUTOSROQUE ANTONIO CARRAZZAProfessor Titular de Direito Tributário da PUCCONSIDERAÇÕES PRELIMINARESConforme anunciado, fui incumbido de falar-lhes sobre a "Classificação Constitucional dosTributos".Como o tema é vasto e, em contrapartida, o tempo é escasso, inicio imediatamente aabordagem desse interessante assunto, enfatizando que as normas jurídicas de mais altograu encontram-se na Constituição.A Constituição não só cria o Estado, seus Poderes, o modo de adquiri-los e exercitá-los,senão, também, elenca e garante os direitos fundamentais das pessoas.Em matéria tributária, a Constituição brasileira foi extremamente pródiga. Ela contémgrande número de princípios e de normas que disciplinam a ação estatal de exigir tributos.É o caso de dizer, de uma vez por todas, que ninguém, no Brasil, pode ser havido por conhecedor do Direito Tributário, se não tiver palmilhado nossa Carta Constitucional.Infelizmente, entre nós, campeia o vezo de estudar-se Direito Tributário a partir do CódigoTributário Nacional, quando não de leis, de decretos ou, até, de portarias. Tal praxe, nomais das vezes, tem-se revelado desastrosa.Vejam os senhores: em outros países, como a França, a Espanha, a Itália etc., não costumaadvir grande mal nisso. Por quê? Porque suas Constituições, no que concerne à tributação,são muito lacônicas (elas contêm duas, três, no máximo quatro normas jurídicas, que podem ser realmente consideradas tributárias). Lá, portanto, é perfeitamente possívelestudar-se Direito Tributário a partir de uma Lei Geral Tributária (ou de um CódigoTributário).Tenhamos em atenção a Constituição italiana: ela contém duas normas jurídicas deconteúdo realmente tributário. Uma, estabelecendo que os tributos devem ser criados eaumentados por meio de lei e, outra, exigindo que os impostos sejam graduados de acordocom a capacidade econômica dos contribuintes. Muito bem, lá, desde que o tributo sejacriado ou aumentado por meio de lei (portanto, desde que se respeite o princípio dalegalidade tributária) e desde que o imposto atenda aos reclamos instantes do princípio dacapacidade contributiva, tudo o mais passa a gravitar em torno da imaginação criadora dolegislador ordinário, isto é, do Parlamento italiano. No Brasil, pelo contrário, o legislador (federal, estadual, municipal ou distrital), enquantotributa (isto é, enquanto cria, "in abstracto", tributos), vê-se a braços com o seguinte dilema:ou praticamente reproduz a Constituição - e, neste caso, apenas recria, num grau de
 
concreção maior, aquilo que nela já se contém -, ou, na ânsia de ser original, acabaresvalando para o campo da inconstitucionalidade. É o que, aliás, a União costuma fazer,infelizmente com muita freqüência. Embora tenha sido melhor aquinhoada que os Estados,os Municípios e o Distrito Federal, na partilha das competências tributárias, ela, nãosatisfeita, teima e reteima em ultrapassar suas raias, invadindo campos que a Constituiçãoreservou a outras pessoas políticas ou, o que é pior, proíbe sejam alvo de tributação.Em suma, as pessoas políticas encontram perfeitamente iluminado, no Texto Supremo, ocampo tributário que podem validamente percorrer.É interessante notar que a atual Constituição - a exemplo, aliás, da anterior - não criounenhum tributo. Poderia tê-lo feito, porque o Poder Constituinte Originário é soberano eabsoluto. No entanto, este Poder Constituinte, ao manifestar-se, deliberou que a CartaSuprema não devia criar nenhum tributo.Entendamos a assertiva: a Constituição não criou nenhum tributo, na medida em queninguém pode ser compelido a desembolsar somas de dinheiro, em favor do Estado (ou dequem o represente), com base, apenas, na Carta Constitucional. Exemplifico: ninguém podeser obrigado a pagar o "imposto sobre grandes fortunas", só porque a Constituição, em seuart. 153, VII, o previu. Tal tributo será exigível apenas quando uma lei ordinária federal(observados os requisitos de lei complementar) vier a criá-lo, "in abstracto". Só depois deinstituído, "in abstracto", pela lei, é que o imposto sobre grandes fortunas poderá nascer "inconcreto" (quando, obviamente, ocorrer seu fato imponível).Dou-lhes outro exemplo: a Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1.993, dilargoua competência impositiva federal, permitindo que a União, querendo, venha a instituir oimposto sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de naturezafinanceira, que já está sendo conhecido pela sigla IPMF. Deixando de lado asinconstitucionalidades desta emenda constitucional (que a meu ver são múltiplas), o fato éque ela não criou o IPMF, mas deu, à União, competência para fazê-lo. Enquanto estetributo não for criado "in abstracto" (no caso, por meio de lei complementar: esta é umanovidade da predita emenda constitucional), ninguém poderá ser obrigado a pagá-lo.Infelizmente, apesar do clamor que o assunto provocou, parece que este imposto seráinstituído em julho. A idéia é cobrá-lo a partir de agosto (o que, pessoalmente, não me parece possível, ao lume da Constituição e de suas cláusulas pétreas).Mas, dando seguimento ao raciocínio, é o caso de indagar: se a Constituição não crioutributos, por que ela é tão importante, em matéria tributária? Ela é tão importante, emmatéria tributária, porque fez, basicamente, três coisas: 1) discriminou as competênciastributárias, entre as pessoas políticas; 2) traçou as limitações ao exercício das competênciastributárias; e, 3) classificou os tributos em espécies e subespécies, apontando a regra-matriz(o arquétipo genérico, a norma-padrão de incidência) de cada uma delas.Portanto, a Constituição brasileira levou a efeito uma classificação jurídica dos tributos.CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DOS TRIBUTOS
 
ProlegômenosVou, assim, falar um pouco da classificação jurídica dos tributos, isto é, vou estudar asespécies e subespécies tributárias.Este estudo - já lhes adianto - só se justifica num Estado como o nosso, em que ascompetências tributárias (vale dizer, as aptidões para criar tributos) foram partilhadas, pelaCarta Magna, entre várias pessoas; a saber: a União, os Estados, os Municípios e o DistritoFederal.Fosse o Brasil um Estado Unitário e este trabalho de dividir os tributos em espécies esubespécies teria apenas interesse acadêmico, já que a função de criá-los pertenceria a umúnico órgão central, que, obedecidos, é claro, os princípios constitucionais tributários, praticamente tudo poderia, nesta matéria.Ocorre, porém, que o Brasil não é um Estado Unitário. O Brasil, como todos sabem, é umEstado Federal. Nele, a União e os Estados-membros são reciprocamente autônomos elegislam, inclusive, em matéria tributária. Como se isso não bastasse, os Municípios e oDistrito Federal, embora não façam parte da Federação, (porque não participaram do pactofederativo), também são pessoas políticas dotadas de ampla autonomia e também legislam,inclusive, em matéria tributária.Existem, portanto, em nosso País, leis tributárias federais, leis tributárias estaduais, leistributárias municipais e leis tributárias distritais, criando, respectivamente, tributos federais,tributos estaduais, tributos municipais e tributos distritais.Desnecessário enfatizar que todas estas leis tributárias devem conviver harmonicamente.Assim, no Brasil, o perfeito conhecimento das espécies e subespécies tributárias não éapenas uma imposição doutrinária, mas é uma exigência fundamental, porque é ele que vai permitir que se verifique se o contribuinte está sendo tributado de modo correto, pela pessoa política competente; competente, nos termos da Constituição. Noção de classificação.Mas, que é classificar?Em apertada síntese, classificar é o procedimento lógico de dividir um conjunto de objetos(de seres, de coisas) em categorias, segundo critérios preestabelecidos.As classificações objetivam acentuar as semelhanças ou as dessemelhanças entre diversosseres, de modo a facilitar a compreensão do assunto que estiver sendo examinado.Como no Universo não há duas coisas rigorosamente iguais, as classificações só são possíveis porque o homem, fazendo abstrações, leva em conta o que as coisas têm de parecido, desconsiderando o que têm de dissímil. As coisas obviamente não se apresentam

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