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cronistas do descobrimento

cronistas do descobrimento

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1
 
Cronistas do descobrimento
 
CRONISTAS DO DESCOBRIMENTO: Os documentosde informação e a introdução da cultura européia
em nossa terra. O Brasil na visão dos descobridores.
 
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasiltinha descoberto a felicidade.
(Oswald de Andrade)
 
Neste mesmo dia, à hora de vésperas, avistamos terra!Primeiramente um grande monte, muito alto e redondo;depois, outras serras mais baixas, da parte sul em relaçãoao monte e, mais, terra chã. Com grandes arvoredos. Aomonte alto o Capitão deu o nome de Monte Pascoal; e àterra, Terra de Vera Cruz.
 
(Carta de Pero Vaz de Caminha
 
Conforme sabemos, vários viajantes europeus estiveramaqui em nossas terras durante o século XVI registrando nopapel sua observações pessoais sobre a terra recémdescoberta. A necessidade de prestação de contas e aobrigatoriedade do registro sobre o Novo Mundo, em formade cartas, diários, tratados ou crônicas formam aquilo quechamamos de
Literatura de Informação,
de nosso
período quinhentista.
 A chegada das caravelas portuguesas à costa da Bahia,em 1500, colocou frente a frente dois povos muitodiferentes. Os viajantes que aqui estiveram no século XVImostraram como se deu esse contato. Nos relatos quefizeram, encontramos o registro de imagens da terra e desua gente que marcaram para sempre a identidade
brasileira.
 
Embora
A Carta de Caminha
 
contenha a primeiradescrição das terras brasileiras, não foi ela quem divulgou,para o público europeu, as características do territórioamericano. Por ser um documento que continha
in
formações importantes para a coroa portuguesa, a
Carta
 
ficou guardada nos arquivos da Torre do Tombo até o início
do século XIX.
 O 22 de abril de 1500 é a data oficial da integração doterritório brasileiro no sistema econômico mercantilista, emvigor na Europa, e que teve no comércio do ouro e dasespeciarias sua principal atividade. O território portuguêsconquista nossas terras e há a inclusão do Brasil na História
universal.
 O Brasil passa então a ser tratado como celeiro para aCoroa portuguesa, submet
endo
-se ao modelo econômicoimposto pela Metrópole, que via o Brasil apenas como umfornecedor de matéria-prima e também de metaispreciosos. A ocupação inicia primeiramente pelo litoral quecorresponde do Nordeste e ao Sudeste. Portugal iniciaassim o momento de luta entre os índios, pela posse daterra, e com outros povos (espanhóis e franceses), pelodireito de explorar a terra recém-descoberta. Por fim,depois de várias lutas, Portugal implanta-se definitivamenteem nossa terra, criando inclusive um sistema político-
administrativo.
 Durante o primeiro século de colonização, Portugal sevoltava com mais afinco para as especiarias encontradasnas Índias, que, naquele momento, lhe era mais lucrativo,principalmente em seu apogeu, com a viagem de Vasco da
Gam
a, em 1498. O pau-brasil, por não apresentar tantadificuldade nem mesmo investimento para obter suaexploração, passou o ser o produto de maior importânciapara os portugueses, que até por volta de 1560 utilizava
esse produto para tingir seus tecidos em
Portugal.
 
Inicia
-se um processo de exploração dos índios, quandoos portugueses, em troca de machados, facas e até armasde fogo, faziam com que os nativos derrubassem etransportassem as árvores, levando-as até o litoral.Conseqüentemente, essa exploração demasiada, levou aum desmatamento rápido, devastando as matas do litoral,levando os nativos a se distanciarem cada vez mais embusca de novas árvores para satisfazer a ganância doeuropeu. Com o passar do tempo, a chegada de novosexploradores levaram o rei de Portugal, dom João III aorganizar expedições à nossa terra com o intuito de
protegê
-la dos invasores, em defesa, principalmente, dolitoral brasileiro. Apesar da expedição de Cristóvão Jacques,foi mesmo a partir de 1531, com a expedição de MartimAfonso de Sousa, com a fundação da Vila de São Vicente
,
no litoral paulista, que a ocupação definitiva do território seconsagra e se inicia a criação de um centro de expansãoportuguesa rumo ao litoral. Sem recursos para explorar aColônia, dom João III cria o sistema de capitaniashereditárias, que como sabemos, constitui a primeiradivisão administrativa brasileira, em que terras foramdoadas a donatários pela Coroa portuguesa. Novo fracassode Portugal com o fim do sistema de capitaniashereditárias. O próximo passo seria a implantação doGoverno Geral, que criou uma centralização administrativae a defesa da Colônia. O primeiro Governador Geral foiTomé de Sousa, que fundou a cidade de Salvador, na Bahiade Todos os Santos e trouxe consigo a Companhia
de
Jesus. Na administração de Duarte da Costa, segundoGoverno Geral, os franceses ocuparam o território brasileirodurante cinco anos até que por fim, Mem de Sá, como oterceiro Governador Geral, teve a incumbência de expulsaros franceses de nosso território. Essa luta entreportugueses e franceses ainda durou até 1565, quandoPortugal fundou a vila de São Sebastião do Rio de Janeiro,
dominando definitivamente a região.
 A partir da segunda metade do século XVI, Portugalcomeça a dar mais importância a questão econômica que apolítica em nosso território. Com o fim da exploração do
pau
-brasil, a Metrópole passa a valorizar a agricultura,tornando a cana-
de
-açúcar o principal produto a ser
explorado na Colônia.
 Pelo fato de Pernambuco e Bahia apresentarem um
a
maior proximidade dos portos portugueses e o clima e osolo também serem favoráveis, a economia brasileira
desenvolve
-se no Nordeste, pois barateava mais os custosde transporte. Inicia-se assim o processo de escravidão donegro em nosso território, uma vez que Portugal faz aconcessão das terras a latifundiários e para o plantio donovo produto econômico era necessária uma mão de obradiferente da do índio, uma vez que esses nativos resistiramà escravidão e, além do mais, o tráfico negreiro também
era l
ucrativo para Portugal.
 Ao lado dele, o comércio regular com o Brasil tambémera importante elemento da exploração econômica da
Colônia. Comerciantes compravam açúcar por preços baixos
nas zonas produtivas nordestinas e revendiam por altospreços na Europa. Ao mesmo tempo, vendiam no Brasil, apreços também altos, produtos manufaturados e alimentos,
 
 
2
 
Cronistas do descobrimento
 
que eram escassos, devido ao cultivo exclusivo(monocultura) do açúcar nos latifúndios. A consolidação dodomínio de Portugal sobre o Brasil se dá nas últimas d
o
século XVI, com o aumento dos lucros com a cana deaçúcar e a ocupação de grande parte das terras litorâneas.
Afirma Antônio Carlos Olivieri:
 Ironicamente, o ápice desse processo aconteceu sob odomínio espanhol. Em 1578, na inexistência de herdeiros
po
rtugueses ao trono, o rei Felipe II da Espanha, neto deD. Manuel, foi considerado o herdeiro legítimo do tronoportuguês. Em 1580, Portugal e suas Colônias, incluindo oBrasil, passaram a ser governados pela corte de Madri. O
domínio espanhol se estende a
té 1640.
 
A LITERATURA INFORMATIVA DO SÉCULO XVI
:
Primeiras manifestações literárias e informativas
sobre o Brasil
 
As primeiras manifestações literárias sobre a Américaestão delimitadas pelo seu caráter
informativo.
Expressam,sem maiores intenções artísticas, os contatos do europeucom o novo mundo. São documentos a respeito dascondições gerais da terra conquistada. Neles se descrevemos problemas, as prováveis riquezas, as lutas dedominação, a paisagem física e humana, etc. as cartas deFernão Cortez sobre a conquista do México são o exemplo
mais famoso dessa literatura informativa.
 A princípio, a visão européia é idílica. Dentro da tradiçãoutópica do Renascimento, a América surge como o paraísoperdido, local de maravilhas e abundância. O país de
Eld
orado seduz a imaginação e os nativos aparecem sobtintas favoráveis. Porém, à medida que em que os índioscomeçam a se opor aos desígnios imperiais, iniciando aguerra contra os invasores, a visão rósea transforma-se. Anatureza continua exuberante na ótica colonizadoramas os habitantes da terra são pintados como seres boçaise selvagens. No Brasil, a Carta de Pero Vaz de Caminhainicia a série de documentos que compõem a nossa
literatura informativa.
 Ainda dentro da linha da exaltação da terra, ao lado deregistros realistas dos primeiros esforços de colonização,encontramos a História da província de santa Cruz, de Pero
de Magalhães Gandavo (1576),
Tratado descritivo do Brasil,
 de Gabriel soares de Sousa e Tratados da terra e gente do
Brasil,
de Fernão Cardim.
 Tem esta província, assim como vai lançada da linhaequinocial para o sul, oito capitanias povoadas deportugueses, que contém cada uma em si, pouco mais oumenos, cinqüenta léguas de costa e demarca-se umas dasoutras por uma linha lançada les
te
-oeste: e assim ficamlimitadas por estes termos entre o mar oceano e a linha da
repartição geral dos reis de Portugal e Castela.
 
(...)
 A primeira e mais antiga se chama Tamaracá, a qualtomou este nome de uma ilha pequena onde sua povoaçãoestá situada. Pero Lopes de Sousa foi o primeiro que aconquistou e livrou dos franceses, em cujo poder estavaquando foi povoar: esta ilha em que os moradores habitamdivide da terra firme em braço de mar que a rodeia, onde
também se ajuntam alguns rios que vêm do ser
tão.
 
(História da província de santa Cruz, de Pero de
Magalhães Gandavo)
 
A literatura jesuítica também fez parte dessesdocumentos escritos no século XVI. Os impérios continhamem sua expansão uma profunda ambigüidade. Ao espírito
capitalista
-mercantil associavam um certo ideal religioso,definido por Darcy Ribeiro como
salvacionista
. Dezenas dereligiosos acompanhavam as expedições a fim de converteros gentios. O racionalismo capitalista não se encontrava emestado puro, tanto em Portugal como na Espanha, devido àausência de uma legítima burguesia comercial. Ao contrário
da
Inglaterra e dos Países-Baixos, onde triunfara ocapitalismo e o protestantismo, nos países ibéricos vingara
a Contra
-
Reforma, de inspiração nitidamente feudal.
 Dentre as várias ordens religiosas, destacou-se a jesuítica. Disciplinados e ardorosos, os padres daCompanhia de Jesus lançaram-se ao desconhecido nointuito de salvar a alma indígena. A história colonial étambém a história dos jesuítas, pois além do trabalhocatequético exerceram o domínio absoluto da vida
educacional
e, portanto, cultural até meados do culoXVIII. Organizando um sistema de ensino humanista ereligioso, muitas vezes desligavam os alunos da realidadeconcreta brasileira, preferindo o ensino de teologia, latim e
retórica aos ofícios e às ciências.
 O seu trabalho com os nativos até hoje gera uma certadiscussão. De um lado, os admiradores celebram aresistência dos padres á ganância dos colonos, lembram asreduções ou missões, onde se praticava uma espécie desocialismo cristão. De outro lado, os detratores vêem nospadres agentes das potências européias, domesticando osindígenas até o seu extermínio final. Independente de taisposicionamentos, não podemos deixar de assinalar algumascontradições na prática cotidiana dos religiosos. Sedefendiam o nativo da escravidão brutal, também odeculturavam, destruindo o seu conjunto de mitos, crençase rituais e oferecendo-lhe, em troca, um estatuto de
valores estranho ao dia a dia das aldeias e tabas.
 Desta maneira ir-
lhes
-ei ensinando as orações e
doutrinando
-os na Fé até serem hábeis para o batismo.Todos estes que tratam conosco, dizem que querem sercomo nós, senão que não têm com que se cubram comonós, e este só inconveniente tem. Se ouvem tanger amissa, já acodem e quanto nos vêm fazer, tudo fazem,
assentam
-se de giolhos, batem nos peitos, levantam asmãos aos céu e já um dos principais deles aprende a ler etoma lição cada dia com grande cuidado e em dois diassoube o A, B, C todo, e o ensinamos a benzer, t
omando
tudo com grande desejos. Diz que quer ser cristão e nãocomer carne humana, nem ter mais de uma mulher eoutras cousas; somente que há de ir à guerra, e os quecativar, vendê-los e servir-se deles, porque estes destaterra sempre têm guerra com outros e assim andam todosem discórdia, comem-se uns aos outros, digo os contrários.É gente que nenhum conhecimento tem de Deus. Têm
ídolos, fazem tudo quanto lhes dizem.
 
(Carta ao padre mestre Simão Rodrigues de
Azevedo
, de Manuel da Nóbrega)
 
 
 
3
 
Cronistas do descobrimento
 
Foi um períod
o de intensa produção de textos
documentais. Para o vestibular da UFPB
-
2007, foram
indicadas as seguintes crônicas:
 
1) A Carta do achamento do Brasil, de pero Vaz deCaminha
 
2) Diário de Navegação (1530), de Pero Lopes e
Sousa.
 
3) Tratados da terra e da g
ente do Brasil, deFernão Cardim
 
4) Tratado Descritivo do Brasil (1587), de Gabriel
Soares de Sousa.
 
5) Relação da viagem de Pedro Álvares Cabral, dePiloto Anônimo.
 
6) Carta e Diálogo sobre a conversão do gentio, de
Manuel da Nóbrega
 
7) As singularidades da França Antártica, de André
Thevet.
 
8)Viagem ao Brasil, de Hans Standen
 
9) Viagem à terra do Brasil, de Jean de Lery
 10) Santa Inês e Carta, de José Anhieta
11) História da província de Santa Cruz, de Pero
de Magalhães Gândavo
 Pero Vaz de Caminha
:
A certidão de nascimento
do país
 
É a primeira expressão de deslumbramento e ao mesmotempo das inverdades e intenções do colonizadorportuguês, através da utilização de uma linguagem fluentee poética, com certo senso de humor, embora seja um
tant
o grave, de mistura com um ou outro trocadilhomalicioso. A Cara revela um estilo bem claro, marcado
pela objetividade que convém a um relatório.
 
Carta do achamento do Brasil
 
Relatando ao rei de Portugal o descobrimento, o escrivãoda armada da Cabra
l descreve, deslumbrado, a terra e seus
habitantes, registrando as emoções do primeiro contato
com os índios.
 Através de uma expressão solene, Pero Vaz de Caminhainicia seu relato retratando o início da chegada ao Brasil.
Mostrando
-se ignorante, porém de boa vontade, o escrivãoavisa que vai relatar suas impressões sobre a nova terra,de tal forma que não pretende nem alindar nem afear
,
limitando a colocar no papel somente aquilo que lhe
parecer verdadeiro.
 Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, sécperdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem havertempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez ocapitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte,
mas não apareceu mais.
 E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de
longo
, até que, terça
-
feira das Oitavas de Páscoa, que oram
vinte e um dias de abril, estando da dita ilha obra de 660ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos algunssinais de terra, os quais era muita quantidade de ervascompridas, a que os mareantes chamam Botelho, assim
como outras a que dão o nome de rabo
-
de
-
asno.
 A descrição e a admiração diante do elemento nativotambém podem ser destacadas como ponto fundamentalna percepção do escrivão, já que se trata de um choquecultural entre o velho e o novo mundo, o que faz com queo cronista se torne, muitas vezes, preconceituoso e
etnocêntrico em relação ao índio.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhescobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suassetas. Vinham todos rijamente sobre o batel; e NicolauCoelho lhes fez sinal que pousasse os arcos. E eles o
pousaram
 A questão do choque de linguagem não é, à primeiravista, percebida pelo colonizador; no momento em que seinicia um aparente diálogo entre nativos e europeus, o
escrivã
o atribui ao barulho do mar o fato de não poderperceber o que eles (índios) falavam, não obtendo,portanto, nenhum entendimento. Os gestos e trocas demateriais passaram a ser uma forma de comunicação entreos colonizadores e os nativos. É bastante intere
ssante
observar que, muito embora haja uma barreira lingüística,portugueses e índios ainda conseguem estabelecer umcontato pacífico e um entendimento através da relação de
troca de objetos.
 
Deu
-lhes somente um barrete vermelho e uma carapuçade linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Umdeles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, comprida,com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardascomo de papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande deramihas brancas, miúdas, que querem parecer de alja
veira,
as quais peças creio que o capitão manda a Vossa Alteza, ecom isso se volveu às naus por ser tarde e não poder haver
deles mais fala, por causa do mar.
 
O processo de aculturação e dominação se inicia ainda de
forma inibida, porém, já se percebe pela descrição feitasdos fatos ocorridos nesse primeiro contato entre brancos eíndios que essa dominação é unicamente questão de tempoe oportunidade para que os portugueses iniciem esseprocesso de domínio sobre os nativos. Os índios passam adançar e brincar diante dos portugueses, fazendo com queDiogo Dias aproveitasse o ensejo para mandar um gaiteiroque ali trouxe com sua gaita, e meter-se a dançar com os
índios.
 O contraste entre a atitude de preservação e a dedestruição que se dá entre os dois povos é latente. Valeobservar também que os índios apresentam certa
desconfiança em relação aos brancos, da mesma forma que
estes procuram sempre uma forma de poder dominá-
los,
cautelosamente tentando amansá-los. Nota-se que osportugueses, de forma premeditada, agiam cordialmentecomo maneira mais rápida de poder se estabelecer

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Girlane De Morais added this note|
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ah é, muito mara, pena que é pago!!! =/ E que exploração: US$9.00

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