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O desafio da altitude Uma perspectiva fisiológica

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03/21/2013

 
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2002, vol. 2, nº 4 [81–91]
81
O desafio da altitude. Uma perspectiva fisiológica
 J. Magalhães J. Duarte A. Ascensão J. Oliveira J. Soares
RESUMO
 A prática de actividades físicas em altitude tem sofrido umaumento significativo ao longo dos últimos anos. Estas activi-dades, de que são exemplo o montanhismo, o alpinismo e oesqui, implicam a exposição esporádica ou prolongada dos“turistas de altitude” a ambientes de hipóxia hipobárica e, emconsequência, induzem elevada agressão orgânica. No presentetrabalho serão descritas as adaptações fisiológicas agudas e cró-nicas que ocorrem (i) nos sistemas respiratório e circulatório,(ii) nos componentes hematológicos e (iii) na morfologia emetabolismo musculares, com o objectivo de atenuar os efeitosfisiológicos da rarefação do oxigénio no ar atmosférico, possibi-litando a permanência e a funcionalidade do Homem nesteslocais hostis. Na perspectiva do rendimento desportivo, serãoabordados, de forma sumária, o efeito fisiológico e os benefí-cios para o desempenho ao nível do mar decorrentes do deno-minado “treino em altitude”.
 Palavras-chave:
 Altitude, hipóxia, adaptações fisiológicas agudas,adaptações fisiológicas crónicas, treino em altitude.
ABSTRACT
The High-Altitude Challenge. A Physiological Point of View
 High-altitude physical activities have been widely performed in thelater years. Activities like mountaineering, climbing and skiing,demanding short or prolonged high-altitude exposure, induce strenuous physiological exertion as a consequence of hypobaric hypoxic environ-mental conditions. The present work reviews the main acute and chron-ic physiological adaptations on (i) the respiratory and cardiovascular systems, (ii) hematological components and (iii) muscular morphologyand metabolism, allowing the maintenance of life and practice of physi-cal activities on high-altitude hostile regions. Finally, is briefly reviewedthe
state of the art
on altitude training concerning the physiologicaland sports benefits to perform at sea level.
Key Words:
 Altitude, hypoxia, acute physiological adaptations, chron-ic physiological adaptations, altitude training.
 Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação FísicaUniversidade do Porto Portugal
 
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2002, vol. 2, nº 4 [81–91]
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1. INTRODUÇÃO
O Homem é o único ser vivo nativo das regiões aonível do mar que se expõe, propositadamente e poroutras razões que não as de sobrevivência, aos rigo-res e à adversidade dos ambientes hipóxicos caracte-rísticos das regiões montanhosas de elevada altitude. Actualmente, a ascensão de indivíduos residentes aonível do mar, até áreas de moderada e elevada altitu-des, através dos mais variados meios (e.g. teleférico,marcha, carro, comboio) e para os mais diversos fins(treino desportivo, turismo, investigação científica,negócios, operações militares e actividades laborais),é uma realidade. Ao longo dos últimos anos e emconsonância com o incremento da prática de activi-dades físicas ao nível do mar, diversas actividades,entre as quais o montanhismo, o alpinismo e oesqui, têm eclodido, acarretando a permanência pro-longada e/ou intermitente dos seus praticantes emlocais de elevada altitude. Uma vez que grandemaioria destes “turistas de altitude” reside ao níveldo mar, a sua exposição aguda a ambientes de altitu-de poderá traduzir-se numa elevada agressão orgâni-ca. Por estas razões, grande ênfase tem sido dada aoestudo da resposta fisiológica do Homem à exposi-ção a ambientes de altitude. A fisiologia de altitude tem como objecto de estudodescrever e interpretar as respostas fisiológicas, agu-das e crónicas, do organismo à exposição a ambien-tes de moderada (1400 a 3000 m) ou elevada altitu-de (3000 a 8850 m). Neste domínio, a investigaçãotem sido realizada, quer em contexto laboratorialquer no terreno (e.g. Alpes, Himalaias), recorrendo ahumanos (para ref.’s ver 11, 17, 19, 43, 51, 83) ouao modelo animal (22, 34, 58).Nos trabalhos de terreno com humanos o objecto dainvestigação tem sido o estudo da resposta fisiológi-ca à exposição contínua/intermitente com amostrasde alpinistas em regiões montanhosas elevadas, depopulações nativas de altitude (e.g. Sherpas,Quechuas) ou profissionais em actividade laboral(e.g. mineiros) nesses locais de elevada altitude.Da mesma forma, embora a altitudes moderadas, osinvestigadores têm procurado descrever as adapta-ções orgânicas induzidas pelo denominado treino ematitude, procurando interpretar o seu real contributopara a melhoria do desempenho em altitude e, parti-cularmente, ao nível do mar. Neste último domínioda investigação, para além dos muitos estudos deterreno (5, 9, 44, 71), também tem sido desenvolvi-da abundante investigação laboratorial (2, 3, 50).Nos estudos laboratoriais, têm sido utilizadas câma-ras com ambiente interior hermeticamente controla-do para simular condições de altitude.Efectivamente, pela capacidade de controlar a pres-são barométrica no interior destas câmaras recorren-do à utilização de bombas que aspiram ar para oexterior (10, 52, 59, 74), ou à injecção de uma mis-tura de gases rica em nitrogénio diminuindo, assim,a pressão parcial de oxigénio no seu interior (28, 54,88), é possível simular ambientes de hipóxia hipobá-rica e normobárica, respectivamente. A exposição aguda ou crónica a ambientes de altitu-de e a prática simultânea de actividades físicas, indu-zem níveis de
 stress
fisiológico acrescidos, devido àscondições de hipotermia, hipohidratação, hipoglice-mia e, particularmente, hipóxia hipobárica a queestão associadas (36).
2. A HIPÓXIA HIPOBÁRICA
O incremento da altitude, ao estar associado aodecréscimo exponencial da pressão barométrica e,paralelamente, da pressão parcial de oxigénio no aratmosférico (PIO
2
), promove alterações no conteúdoarterial de oxigénio e, em consequência, na “quanti-dade” de oxigénio fornecido aos tecidos (45, 47).Conforme Torricelli referia em 1643 (84),
vivemos submersos num oceano de ar que, mediante experiênciasinquestionáveis, sabemos ter peso
, por isso, tomandocomo referência a pressão barométrica ao nível domar (760 mmHg), à medida que subimos em altitu-de a pressão exercida por esta camada de ar, isto é, apressão barométrica, vai diminuindo. A uma altitudede 5800 metros, a pressão barométrica decresce paracerca de metade (379 mmHg) da registada ao níveldo mar e no cume do Everest (8850 m) assume valo-res de cerca de um terço (253 mmHg) desta pressãobarométrica (83). Da mesma forma, uma vez que aconcentração de oxigénio no ar atmosférico(20.93%) não se altera em função da altitude (83), apressão parcial de oxigénio do ar atmosférico dimi-nui proporcionalmente com o decréscimo da pressãobarométrica. Assim, regista-se no cume do Everestuma PIO
2
de cerca de um terço (52.9 mmHg) daregistada ao nível do mar (159 mmHg).
J. Magalhães, J. Duarte, A. Ascensão, J. Oliveira, J. Soares
 
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2002, vol. 2, nº 4 [81–91]
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Sendo a difusão de oxigénio dos alvéolos pulmona-res para os tecidos condicionada por gradientes depressão nos diferentes níveis a que ocorrem as tro-cas gasosas, o decréscimo da PIO
2
afecta negativa-mente a taxa de difusão do oxigénio dos alvéolospara os capilares pulmonares, diminuindo a percen-tagem de saturação da hemoglobina e, consequente-mente, o conteúdo arterial e o transporte de oxigé-nio para os tecidos (11, 69). Assim, à medida que seascende em altitude, o decréscimo de oxigénio dis-ponível para o metabolismo celular compromete apermanência e o desempenho do ser humano erepercute-se, de diversas formas, na homeostasia dosdiferentes sistemas biológicos. Como sugeria PaulBert em 1878 (84),
os organismos existentes no seu esta-do natural na superfície da Terra estão adaptados ao nívelda pressão parcial de oxigénio em que vivem e qualquerdiminuição ou aumento desta pressão será prejudicial paraeles
. Efectivamente, nas condições de hipóxia hipobá-rica, a diminuição da quantidade de oxigénio dispo-nível para os tecidos implica um decréscimo do con-sumo máximo de oxigénio (26, 64) e traduz-se, parao mesmo trabalho, num aumento da intensidaderelativa ou na diminuição da capacidade de trabalhodesenvolvido para uma determinada intensidade deexercício, com aparecimento precoce da fadiga.
3. ADAPTAÇÕES AGUDAS E CRÓNICAS À EXPOSIÇÃOÀ ALTITUDE
 A exposição a ambientes de hipóxia hipobárica éindutora de inúmeras adaptações fisiológicas agudase crónicas, que tendem a minimizar o efeito deleté-rio da diminuição da quantidade de oxigénio dispo-nível para os diferentes tecidos. Adaptações nos sis-temas respiratório e circulatório, na regulação hor-monal e hídrica, nos componentes hematológicos ena morfologia e metabolismo musculares, entreoutras, parecem contrariar os efeitos fisiológicos dararefação de moléculas de oxigénio para os tecidos(13, 25, 30, 32, 37, 39, 62, 82). Estes mecanismosde adaptação, sendo críticos para permanecer e sus-tentar trabalho em locais de elevada altitude, são umexemplo da capacidade adaptativa do organismohumano às alterações homeostáticas, orgânicas eteciduais em ambientes extremamente hostis. Desalientar, no entanto, que a exposição aguda a altitu-des superiores 2500/3000 metros, particularmentese associada a ascensões rápidas, poderá induzir aocorrência de um conjunto de alterações e sintomas,como cefaleias, anorexia, tonturas, naúseas, fraque-za, vómitos, distúrbios no sono, entre outros, habi-tualmente designado por
 Acute Mountain Sickness
(AMS) (36, 38). A exuberância deste síndroma pare-ce estar relacionada com o ritmo de ascensão, a alti-tude atingida e a intensidade e/ou duração da activi-dade realizada, iniciando-se a sua manifestação 6horas após o início da ascensão, agravando-se até às24 horas de permanência em altitude e regredindogradualmente nos 2 a 4 dias seguintes (38). Umavez que os referidos sintomas são consequência deuma resposta fisiológica inadequada à baixa pressãoparcial de oxigénio, a continuidade da exposição àaltitude associada ao incremento da severidade dossintomas, poderá induzir complicações mais graves,nomeadamente edema pulmonar e cerebral de eleva-da altitude. De salientar, no entanto, que a severida-de do AMS não parece estar relacionada com o nívelde aptidão física, sexo e idade, existindo uma grandevariação interindividual relativamente à susceptibili-dade dos sujeitos (36).Da mesma forma, relativamente às adaptações cróni-cas induzidas pela aclimatação prolongada em altitu-de, ainda que o nosso organismo se adapte progres-sivamente às características destes ambientes,melhorando o deficiente suprimento de oxigénio aostecidos, não compensa de forma absoluta a progres-siva limitação do desempenho humano imposta peloincremento da altitude (83). Assim sendo, emambientes de hipóxia hipobárica, particularmente aaltitudes superiores a aproximadamente 5500metros, a permanência e/ou o desempenho estãoseveramente afectados, sobrepondo-se o efeito dadeterioração tecidual e orgânica à eficácia dos meca-nismos de adaptação a longo prazo (83).
3.1. Adaptações ventilatórias
Um dos mecanismos de adaptação fisiológica maiscaracterísticos, inerente à exposição aguda a elevadasaltitudes, é o incremento acentuado da frequênciarespiratória e do volume corrente (27, 45, 72, 84).Esta resposta ventilatória à hipóxia induzida, essen-cialmente, pela estimulação de químio-receptoresperiféricos (11, 43) sensíveis às variações do conteú-do arterial de oxigénio, possibilita o incremento da
Fisiologia de altitude

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