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família caleidoscópio - IBDFAM_final

família caleidoscópio - IBDFAM_final

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Published by Marcelo Asamura
PARENTESCO SOCIOAFETIVO NA FAMÍLIA CALEIDOSCÓPIO
PARENTESCO SOCIOAFETIVO NA FAMÍLIA CALEIDOSCÓPIO

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09/07/2013

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P
ARENTESCO
S
OCIOAFETIVO
 
NA
F
AMÍLIA
C
ALEIDOSCÓPIO
Antonio Rulli Neto
1
Renato Asamura Azevedo
2
1.Realidade da vida
Ao longo de pelo menos duas décadas, o direito de famíliavem experimentando um cenário muito diferente do que se via e do que se imaginava.Paira ainda uma visão muito puritana, sacra e monogâmicada família, que não coincide com a realidade social. Assim, não podemos, simplesmentefechar os olhos e não admitir essas novas configurações da família, como integrantes danormalidade.A sociedade está mudando, a himenolatria deu lugar à busca da felicidade e o Direito não pode ficar moucarrão à realidade.A perda da virgindade antes do casamento, ahomossexualidade, o divórcio e outros temas tratados como tabus, fazem parte da vidadas pessoas.De uma lei que, inicialmente
3
, não admitia o rompimentodo vínculo matrimonial, ao longo do tempo, tivemos o reconhecimento, pelos tribunaisde efeitos decorrentes de relações homoafetivas
4
, adão de criaa por casais
1
Advogado em São Paulo, Doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e pelaPontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Universitário.
2
Advogado em São Paulo.
3
Código Civil de 1916, em seu texto original.
4
Dentre muito julgados, veja-se do TJRS, Apelação Cível nº 70005488812, da Sétima Câmara Cível,sendo Relator o Desembargador José Carlos Teixeira Giorgis, julgado em 25 de junho de 2003. Alémdesse, do TJRS, Embargos Infringentes nº 70003967676, do 4º Grupo Cível, em que foi Relatora aDesembargadora Maria Berenice Dias, julgado em 9 de maio de 2003.
1
 
homoafetivos,
5
e, mais recentemente, o reconhecimento de relacionamentosconcomitantes
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do qual faremos referência neste escrito.O casamento perpétuo do século passado deixou há muitode ser perpétuo e os relacionamentos paralelos (
 paralelismo afetivo
) já foram analisadose reconhecidos no Brasil.A monogamia, mesmo ainda de certa maneira imposta pela lei, não é mais algo social ou moralmente sempre relevante.Agora a pergunta é: o que fazer diante de tantas novasformas de relacionamento?Principalmente a pergunta que fica é como serão tratadosos relacionamentos familiares e as disposições patrimoniais a partir de então.Já sabemos que a idéia de família é outra daquela que setinha nas décadas passadas, nenhuma novidade. Pai, mãe e filhos não são mais a únicaforma de constituição do núcleo familiar.E nos casos em que mais de um núcleo familiar coexistedentro de uma família? Ficção? Não, realidade. Nosso escrito tratará do parentesco socioafetivo na
 famíliacaleidoscópio
, limitando-se ao tema, em que pese ter relevância também as questões patrimoniais e sucessórias. Para tanto faremos breves considerações e comparações comoutras famílias. No
paralelismo afetivo
se admitiu a exisncia derelacionamentos paralelos. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ao julgar aapelação n. 70015693476, manteve, de forma unânime, o reconhecimento de uniãodúplice, conforme sentença da 1ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre.
5
É famoso o caso de Catanduva, no qual a MM. Juíza de Direito permitiu à adoção por um casalhomoafetivo. Há notícias sobre o caso: “
Crianças passarão a vida em um abrigo (...) porque oslegisladores do país fazem de conta que não estão vendo, omitem-se porque aqueles que têm aoportunidade de dar a elas uma chance, por meio da adoção, a casais homossexuais (...), prendem-se ao formalismo para fundamentar a decisão em falta de permissão legal.” - Sueli Juarez Alonso - Juíza da 2ª Vara da Infância e Juventude de Catanduva (SP), na sentença que concedeu a adoção de uma criança acasal de homossexuais. http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/janeiro-2007/adocao-por-homossexuais- pode-virar-lei/  , acesso em 10 de maio de 2008).
Também consta da notícia que “Theodora chegou à casados pais em dezembro de 2005, adotada legalmente por Vasco da Gama. Em abril, o casal entrou comação judicial para reconhecimento de paternidade de Júnior, pedido que foi concedido pela Justiça emCatanduva. O Ministério Público não recorreu da decisão e desde 21 de novembro na certidão denascimento da menina consta o nome dos dois pais. Seja por motivo de adoção, pensão ou herança, aquestão envolvendo casais homossexuais sempre vai gerar polêmica e decisõesdivergentes”
acesso em 10 de maio de 2008).
6
 
Vide
 por exemplo as Apelações n. 70019387455-07 e n. 70022775605/08, cujos Acórdãos tiveram comoRelator, o Desembargador Rui Portanova.
2
 
O próprio Desembargador Relator ressalta
7
“O presentefeito é a prova cabal de que uma pessoa pode manter duas famílias concomitantemente,e com as duas evidenciar 
affectio maritalis
, parecendo até que algumas pessoas têmcapacidade de se dividir entre tais famílias como se fosse duas pessoas, e não uma só”.Sendo o
affectio maritalis,
assim como, o afeto familiar ou parental, formas deverdadeiro afeto qualificado, podem coexistir de um sujeito para mais de uma pessoa.Reportagem recentemente veiculada
8
em famoso
 site
especializado e intitulada “
Um homem, duas mulheres, três filhos, dois leitos
” que dáconta de uma ação de reconhecimento de união estável, em tramitação na Comarca dePorto Alegre, relatando trechos da inicial: "
 Exsurge claramente a coexistência de duascélulas familiares por cerca de 17 anos. O falecido era formalmente casado desde1961, relação da qual nasceu um filho. Paralelamente a esse casamento, em 1987 ovarão constituiu outra família, nascido o primeiro filho em 1985, ou seja, antes mesmodo marco inicial da segunda união e quando ele apenas namorava a segunda mulher.Outra situação peculiar é o fato de que ambas as esposas sabiam da existência uma daoutra. O filho do primeiro casamento também tinha conhecimento do envolvimentoafetivo mantido pelo pai, bem como da exisncia dos iros nascidos desserelacionamento, havendo, inclusive, uma foto (anexa) dos três irmãos juntos. Todosdavam-se muito bem: o falecido (quando em vida, claro), as duas mulheres e os três filhos gerados em dois leitos diferentes
". No âmago, não se trata de aceitar ou rejeitar as novasformas de família, mas de encontrar caminhos para os eventuais problemas que surjamdelas.
2.
As relações paralelas -
 paralelismo afetivo, poliamorismo ou paralelismo familiar – 
algumas questões importantes
Antes de entrar na família caleidoscópio é preciso fazer um pequeno paralelo com as outras famílias. Já são reconhecidas as
relações paralelas
,como narrado acima (item 1,
 supra
). E foi depois de decisões do Tribunal de Justiça doRio Grande do Sul que tais relacionamentos vieram a ser discutidos com maisintensidade.
7
V. apelação cível n. 70015693476, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul
8
  Noticia divulgada
 
 pelo Espaço Vital em 20 de maio de 2008 e recebida por e-mail.
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