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Termo de Audiência com Sentença Condenatória - Roubo Tentado

Termo de Audiência com Sentença Condenatória - Roubo Tentado

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Termo de Audiência com Sentença Condenatória - Roubo Tentado - Aplicação de Pena
Termo de Audiência com Sentença Condenatória - Roubo Tentado - Aplicação de Pena

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ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTEPODER JUDICIÁRIO1ª Vara Criminal - Zona NorteAv. Guadalupe 2145 Conj. Santa Catarina, 2º Andar, Potengi - CEP 59.112-560, Fone: 2140210 - R237, Natal-RN
TERMO DE AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTOAção Penal nº (APAGADO)Autor: Justiça PúblicaRéu: (APAGADO)Data e hora: 22/07/2010 às 09:30h
 
 PRINCIPAIS INFORMAÇÕES E OCORRÊNCIAS 
[(s) = sim (n) = não] - Presenças
: Ministério Público – Dr. Benilton de Lima Souza: (s);acusado(a)(s) – (APAGADO): (s); Dr. Manuel Sabino Pontes, Defensor Público s.
Oitiva(s)
: vítima – (s); testemunha(s) – (s). Nome(s) da(s) testemunha(s) e declarantesouvido(a)(s): Fernando Rodrigues Pereira Júnior, Renilton de Lima Tavares e (APAGADO)de Lima. Acusado(a)(s) – (s).
Caminho e nome do arquivo multimídia
: C:\Gravação deAudiências\2010\julho\(APAGADO).
Alegações finais orais
- (s).
Ocorrências dignas denota
: disse o MM Juiz: "Antes de proceder ao interrogatório do acusado, entendeu omagistrado que o Estado Democrático de Direito repercute no âmbito do Processo Penalatravés do Princípio Acusatório. Apregoa ele que as funções de acusar, defender e julgar sãoatribuídas a órgãos diversos, bem como que a produção das provas compete às partes e não aomagistrado. Outrossim, quando o magistrado produz as provas ele perde sua imparcialidade,notadamente em favor da acusação, pois a tese é o primeiro elemento que lhe chega às mãos. Na verdade, inconscientemente (e às vezes conscientemente também), termina o magistrado por buscar nas provas apenas, e tão somente, a confirmação do pré-juízo anterior condenatórioque já possuía, culminando por despir-se da toga e a dividir a vestimenta da beca de quemacusa, seja o Ministério Público, seja o querelante.".
Deliberações finais
: segue sentença.
 SENTENÇA
RELATÓRIO
Trata-se de ação penal pública em que figura
(APAGADO)
, parte já qualificada nos autos,como parte acusada pela prática dos fatos violadores das seguintes regras penais: art. 157,
caput 
, c/c o artigo 61, inciso I, do Código Penal. Quanto às provas documentais e periciais, háo seguinte: auto de exibição e apreensão e o termo de entrega do bem subtraído. A denúnciafoi recebida no dia 04 de março de 2010 (fl. 2). A citação se deu à fl. 65. A resposta àacusação se encontra às fls. 69 a 72. O interrogatório ocorreu em audiência. As testemunhasforam ouvidas em audiência. Nas suas alegações finais a acusação disse, em suma, o seguinte:o auto de exibição e apreensão e o termo de entrega do bem subtraído. O acusado, ao ser interrogado, confessou a subtração, negando que tenha praticado grave ameaça. A vítima e astestemunhas ouvidas corroboraram com o que foi dito na denúncia. A vítima confirmou quehouve grave ameaça, pelo fato do acusado simular portar arma de fogo. Tal atitude foi crucial para intimidá-la. Os dois policiais ouvidos disseram que o acusado foi encontrado em local próximo estava com os bens ou no bolso ou enterrado. a materialidade e a autoria estãocomprovadas pelas provas juntadas aos autos. Chama a atenção que a vítima ainda carrega umreceio e que tem medo de andar sozinha nas ruas. Tal fato carrega em si a grave ameaça.
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Populares que assistiam ao momento delitivo, acompanharam o acusado. Tal fato levou á prisão do acusado. Assim, houve tentativa. O acusado deve ser condenado por roubo simplestentado. Há de ser considerada a reincidência, embora simpatize com a tese do juiz. Emrelação à reparação do dano, foi de trinta reais. Nas suas alegações finais a defesa disse, emsuma, que o problema das drogas está muito sério. 84% dos presos no Brasil o estão por causadas drogas. Infelizmente a gente não tem uma ação estatal eficaz. O Poder Público nãoconsegue resolver. É vítima o acusado, da dependência, e vítima a sociedade. O fato dasituação ser grave não pode fazer com que escolhamos um bode espiatório. Não está dizendoque o acusado é inocente. Mas é vítima do vício das drogas. Para o acusado, tem esboçadouma tese. O gesto do acusado foi inócuo e nem potencialidade lesiva. Era muito mais umafraude do que uma grave ameaça. Pediu a desclassificação para furto minorado. Pediu aaplicação da tentativa, em qualquer dos casos. O acusado confessou e a ele se aplica a co-culpabilidade. A vítima gastou apenas dez reais para trocar o celular por uma melhor por apenas dez reais. Por isso não cabe pena pecuniária.
FUNDAMENTAÇÃO
Obedecendo ao comando esculpido no art. 93, IX, da Constituição Federal, e dando início àformação motivada do meu convencimento acerca dos fatos narrados na inicial e imputadosao u, verifico, sucessivamente, a materialidade e a autoria. Analisando aMATERIALIDADE e a AUTORIA, vê-se o seguinte: no tocante à prova documental ou pericial, consta autos de apreensão e de entrega do bem subtraído. A testemunha FernandoRodrigues Pereira Júnior, durante oitiva judicial, afirmou que fez a prisão do acusado, a jovem que tinha sido assaltada deu as caracteristicas e o sentido em que o assaltante tinhatomado. Na construção o encontraram. A vítima o reconheceu e o acusado enterrou o celular.O acusado estava com o
chip
a bateria do aparelho no bolso. O acusado fez menção de ter uma arma. Não foi encontrada arma com o acusado. A casa em que foi encontrado estava emconstrução. Renilton de Luna Tavares, testemunha ouvida judicialmente, relatou que estavam patrulhando quando encontraram duas jovens chorando, dizendo que um indivíduo tomou ocelular de uma delas. Populares disseram que o acusado entrou em uma casa. Lá encontraramo acusado escondido. Ele negava a autoria, mas tinha uma bateria de celular em seu bolso.Depois de muito tempo ele confessou e disse que tinha enterrado o celular. Desenterraram ocelular e a vítima o reconheceu. A casa estava em construção. A vítima disse que o acusadocolocou a mão por baixo da camisa, simulando que estivesse armado. Não foi encontradaarma com o acusado. A VÍTIMA (APAGADO), ouvida em juízo, disse que estava passeandoquando o acuado a abordou e anunciou o assalto. Ele estava com a mão debaixo da bolsa,simulando uma arma. Uns rapazes seguiram o acusado. Chamaram a polícia. O acusadoestava numa casa em construção. O acusado era a mesma pessoa que o assaltou. Entregou porque ficou com muito medo, pois não sabia se ela estava com uma arma. Ficou com medode sair às ruas. Por isso não o quis presente e nem quer que ele se lembre de sua fisionomia. Não sabe o valor do celular. O celular queimou só o fone de ouvido. Trocou o celular. Oconserto seria trinta reais. O celular valia uns cem reais. Os rapazes num carro seguiram oacusado. Em momento nenhum o acusado desapareceu. . Durante interrogatório judicial, a parte acusada, (APAGADO), disse que é verdadeira a acusação. Estava apenas insinuandoque estava armado e disse à vítima que passasse o celular. Surgiu de repente. Depois correu para uma casa abandonada. O pegaram no caminho. Retirou o chip e a bateria e enterrou.Quando tentou desligar o celular, caiu a bateria no seu bolso. Já tinha sido condenado por tráfico de drogas. Estava em liberdade há uns noves meses. Fazia um bico como pedreiro.Estava se drogando e se sentiu obrigado, bem dizer. Sentiu com vontade de fumar crack. Era pra comprar droga. Parou depois que foi preso. Foi criado pelo pai e pela mãe. Não respondea outro processo. Pediu ao juiz que o arranjasse um emprego ou algo para entreter a mente,uma trabalho num colégio ou como ASG. Está preso no Raimundo Nonato. Não tem nenhumaatividade lá. Passa o dia deitado, jogando baralho e conversando um pouco. Estudou até o primeiro ano do segundo grau. Parou para trabalhar. Conversou com a vítima depois e disse
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que não se preocupasse. Um carro o perseguiu após a subtração. Quando foi pego, não reagiue mesmo assim sofreu uma coronhada na cabeça e umas pancadas. Em síntese à tese daacusão e a antese da defesa, concluo que houve roubo simples tentado. DAMATERIALIDADE - O auto de exibição e apreensão e o termo de entrega do bem subtraídocomprovam a materialidade. O acusado, ao ser interrogado, confessou a subtração, negandoque tenha praticado grave ameaça. DA AUTORIA - A vítima e as testemunhas ouvidascorroboraram com o que foi dito na denúncia em relação à autoria. A vítima confirmou quehouve grave ameaça, pelo fato do acusado simular portar arma de fogo. Tal atitude foi crucial para intimidá-la. Os dois policiais ouvidos disseram que o acusado foi encontrado em local próximo estava com os bens ou no bolso ou enterrado. Chama a atenção que a vítima aindacarrega um receio e que tem medo de andar sozinha nas ruas. Tal fato carrega em si a graveameaça. DA TENTATIVA - Populares que assistiam ao momento delitivo acompanharam oacusado. Tal fato levou à prisão do acusado. Assim, houve tentativa. O objeto jurídico noscrimes contra o patrimônio é o bem subtraído. Há três teorias a respeito: 1. Teoria da inversãoda posse: no momento em que o bem passa da posse da vítima para a do autor, consuma-se; 2.Teoria da saída da esfera de vigilância da vítima: enquanto a vítima estiver visualizando acoisa subtraída, não se consumo. Assim, dobrou a esquina e desapareceu, consumou; 3.Teoria da posse tranquila: enquanto estiver sendo perseguido, desde que essa perseguição sejaimediata à subtração, ainda não se consumou. Adoto essa teoria. No acaso em apreço, oacusado chegou a fugir com um aparelho celular e só não conseguiu a consumação porquehouve perseguição. Assim, o acusado deve ser condenado por roubo simples tentado. DAREINCIDÊNCIA - Em relação à reincidência, preciso fazer um juízo mais racional e menosemocional. É bem verdade que a tese que ora esboço é amplamente rejeitada peloconservadorismo formalista, que mais se preocupa na manutenção "do-que-está-aí" e menoscom a real diminuição dos nosso graves problemas sociais. O acusado é pobre, tem o perfil perfeito para o "etiquetamento". Depois lavaria eu as mãos, imputando a ele um caráter fraco,distorcido, quando na verdade as pesquisas mostram que a reincidência, antes de ser umadegeneração da pessoa do acusado, é uma prova gritante das disparidades do nosso sistemasocial, que nunca aplicou o mais importante princípio constitucional, o da isonomia. Assim,no tocante à reincidência, entendo que não foi recepcionada pela Carta de 1988 por váriasrazões. Vou a primeira.
Uma pessoa deve ser punida pelo que fez e não pelo fato de queresponde a outro processo ou a uma execução penal. Isso é ferir o princípio do
non bis inidem
. Outra. O discurso do sistema penal é o de que a prisão se justifica para ressocializar ocondenado. Quando ele volta a delinquir se trata de uma falha da pessoa ou do sistema?
Acerteza de que tenho é que em nosso ordenamento judico a ressocialização épraticamente nula.
O índice de reincidência é tão alto que não consegue esconder isso.
Oapoio ao egresso é uma piada de mal gosto, peço desculpas mas não posso deixar demanifestar minha indignação com expressões mais fortes
. Mas
punir o reincidente énovamente ferir o princípio da dignidade da pessoa humana, pois a ele não foram dadasas condições mínimas de ressocialização.
Pelo contrário.
Passar pelo sistema penal éafundar num poço profundo, escuro, onde jogamos entulhos e não colocamos escadaspara dele sair. Depois ficamos nós do alto bradando contra o pobre diabo porque ele nãoconseguiu de lá sair para nosso
nível 
. A exclusão social no Brasil é uma aberração, permeando toda a nossa história. E no dizer de MARCIO POCHMANN, a resistência aoenfrentamento da exclusão social o adm somente de governos historicamenteinconseqüentes ou de políticas sociais erradas, mas das próprias classes superiores que sealheiam ao
apartheid 
social
(
o grupo das famílias mais ricas brasileiras, que constitui0,001% da população, possui um patrimônio que representa 40% do PIB brasileiro
)
1
, passando o discurso da desigualdade como um “fenômeno natural”, para uma compreensãomais moda que vincula o ambiente da pauperização à criminalidade, cabendo, nesse
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POCHMANN, Marcio,
et al.
(organizadores).
 Atlas da exclusão social no Brasil 
: os ricos no Brasil. São Paulo:Cortez, 2004. Vol. 3. p. 29.
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