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o Etrusco (Mika Waltari)

o Etrusco (Mika Waltari)

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06/18/2013

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O ETRUSCO MIKA WALTARI T
í
tulo original finlandês: TURMS KUOLEMATON T
í
tulo da ediç
ã
o em inglês: THE ETRUSCANLIVRO UMDELFOSEU, LARS TURMS o imortal, acordei ante a primavera e vique mais uma vez a terra irrompera em flores. Circunvagueio olhar por minha bela morada, vi o ouro e a prata, asestátuas de bronze, os vasos de figuras vermelhas e asparedes pintadas. Contudo, n
ã
o senti orgulho algum, poiscomo pode um imortal possuir verdadeiramente algumacoisa?Dentre milhares de objetos preciosos, apanhei um vasobarato de argila, e pela primeira vez em muitos anos,entornei seu conte
ú
do na palma da m
ã
o. Pus-me a contar...eram as pedras da minha vida.Depois, tornando a colocar o vaso com suas pedras aospés da deusa, toquei um gongo de bronze. Servos entraramem silêncio, pintaram-me o rosto, as m
ã
os e os braços com overmelho ritual e revestiram-me do manto sagrado. Masporque eu fizesse isso por amor de mim mesmo e n
ã
o porminha cidade ou por meu povo, n
ã
o consenti que melevassem na liteira cerimonial, e fui andando pela cidade por
 
meus pr
ó
prios pés.Ao ver meu rosto e minhas m
ã
os pintadas, o povorecuava para um lado, as criaas interrompiam seusbrinquedos e uma moça, junto às portas, deixou de tocar asua flauta.Sa
í
fora da cidade e desci para o vale, pela mesmavereda que eu seguira outrora. O céu era de um azulradiante, o chilrear dos p
á
ssaros ecoava em meus ouvidos earrulhavam as pombas da deusa. A gente que labutava noscampos parou respeitosamente quando me viu, depoisvoltou de novo as costas e continuou a labutar.Para subir a montanha sagrada n
ã
o escolhi a estrada f 
á
cil,palmilhada pelos canteiros, mas preferi os sagradosdegraus, flanqueados por pilares de madeira pintada. Eram
í
ngremes esses degraus e eu os galguei de costas enquantocontemplava, l
á
embaixo, a minha cidade; e embora muitasvezes eu tropasse, contudo n
ã
o cheguei a cair. Meuspr
ó
prios servidores, que me teriam amparado, estavamcheios de medo, pois nunca antes viram alguém subirdaquele jeito a montanha sagrada.Quando cheguei, o sol estava no zênite. Passei emsilêncio pelas entradas dos t
ú
mulos com seus mont
í
culos depedra; passei também pelo t
ú
mulo de meu pai, antes deatingir o p
í
ncaro.Diante de mim, em todas as direç
õ
es, estendia-se avastid
ã
o da minha terra com seus férteis vales e seusmontes cobertos de vegetaç
ã
o. Para o norte, cintilavam as
á
guas azul-escuras do meu lago; erguia-se do oriente o coneimpass
í
vel que era a montanha da deusa e, fronteiras a esta,as eternas moradas dos mortos. Tudo isto eu vira, tudo istoeu conhecera.
 
Olhei à volta, em busca de um press
á
gio, e vi no ch
ã
o apena recentemente ca
í
da de uma pomba. Apanhei-a e,enquanto o fazia, vi junto dela um pequenino seixoavermelhado. Apanhei-o também: era minha
ú
ltima pedra...Em seguida golpeei levemente o ch
ã
o com o pé. "
É
este olugar da minha tumba", disse. "Talhai-o na montanha,adornai-o de maneira condigna com a minha posiç
ã
o.”Meus olhos ofuscados viram seres de luz, de contornospouco n
í
tidos, riscarem os céus como eu os vira no passado,apenas em raras ocasi
õ
es. Ergui os braços à minha frente, aspalmas para baixo, e pouco depois aquele rumorindescrit
í
vel que um homem ouve apenas uma vez na vida,ecoou através do céu desanuviado. Era como a voz de ummilhar de trombetas fazendo estremecer a terra e os ares,paralisando os membros, mas dilatando o coraç
ã
o.Meus servidores atiraram-se por terra e cobriram seusrostos, enquanto eu tocava minha fronte com uma das m
ã
ose com a outra, estendida no espaço, saudava os deuses.—Adeus, era minha! O século dos deuses se acabou eoutro teve in
í
cio: novo nos feitos, novo nos costumes, novonas idéias.Disse a meus servidores:—Erguei-vos e rejubilai-vos pelo privilégio que tivestes,de ouvir o divino rumor de uma era em mudança. Quer dizerque todos quantos o ouviram por derradeiro est
ã
o mortos eninguém dentre os vivos o tornar
á
a ouvir. S
ó
os que aindan
ã
o nasceram ter
ã
o esse privilégio.Ainda tremiam os meus servos, com aquele tremor quesobrem a uma pessoa apenas uma vez. Agarrando a
ú
ltima pedra de minha vida, tornei a golpear com o pé o

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