atividade jornalística brasileira: o limite entre informação e opinião. O gênero deveria ser responsável por este limite, já que um de seus elementos mais importantes seria o propósito ou finalidade. Pode-sedizer que “A Opinião no Jornalismo Brasileiro” de José Marques de Melo (1985), a obra maisutilizada quando se trata de ensinar os gêneros do discurso jornalístico e a mais citada em teses eartigos sobre o tema, está inserida neste paradigma. Embora o livro siga dois critérios com base no propósito e se preocupe com a dimensão da produção e das especificidades da prática jornalística,mantém a divisão entre informativos e opinativos, pois mantém a dicotomia “reprodução do real”(informar) e “leitura do real” (opinar).De 1995 para cá, a área de linguística tem dedicado grande atenção às teorias de gênero. Issose deve, em parte, como explica Roxane Rojo
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, ao referenciais de ensino de línguas (chamados PCNs),que indicam os gêneros como objeto de ensino na leitura e na produção de textos. Esse movimentotem influenciado também os estudos de gêneros das mídias digitais. Assim, a Linguística Aplicada(LA), com o objetivo de classificar novos gêneros digitais e compreender esses gêneros para oensino, tem trazido para a discussão de cibergêneros sua tradição de referenciais teóricos.A semiótica, por sua vez, instigada pela multimidialidade dessas novas mídias, ou melhor, pelo hibridismo dos sistemas comunicacionais, passou a defender e investigar a noção de gênero numambiente que parecia anacrônico a tal noção. De 2001 a 2006, Irene Machado publicou artigos e produziu simpósios sobre o tema
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. A investigação não se desenvolveu tanto quanto a defesa da noçãoganhou força. Um de seus artigos tinha como título “Por que se ocupar dos gêneros?”
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. A semioticistachamou a atenção para pesquisadores norte-americanos das Ciência da Computação e da Informação,como Thomas Erickson (também citado pela linguística), entretanto sua principal referência paraestudar a noção é o autor mais importante para os estudos de gênero em todas as áreas de pesquisa do país: Mikail Bakhtin.Mikhail Bakhtin é sem dúvida, o autor mais citado pelos pesquisadores brasileiros queestudam gêneros, sejam estes de comunicação, linguística
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ou semiótica. Responsável por introduzir a prosa nos estudos de gêneros literários, Bakhtin trouxe a discussão de gêneros, restrita à literatura,
Santarém (Portugal), disponível emhttp://www.oxisdaquestao.com.br/integra_integra.asp?codigo=49.
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Rojo, Roxane. Gêneros do discurso e gêneros textuais: Questões teóricas e aplicadas, in: Meurer, José Luiz;Bonini, Adair (Org); MOTA-ROTH, Désirée. (Org).
Gêneros: teorias, métodos e debates
. Editora Parábola,2005.
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No primeiro semestre de 2000, a professora Irene Machado ministrou o seminário “Gêneros na comunicaçãoimpressa, audiovisual e eletrônico-digital” no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação eSemiótica da PUCSP.
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Machado, Irene, “Por que se ocupar dos gêneros?”, in: Revista Symposium, Ano 5, Nº 1, janeiro-junho,2001, pp. 5-13.
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No último Simpósio Internacional de Estudo dos Gêneros Textuais - Siget, Bakhtin foi citado, pelo menosuma vez, em 91 trabalhos apresentados por pesquisadores brasileiros. Para mais detalhes: Seixas, Lia, “Zoomno Siget”, disponível em http://www.generos-jornalisticos.blogspot.com.
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