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A Lei de Cotas e as Mulheres na Politica em 2010

A Lei de Cotas e as Mulheres na Politica em 2010

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A mudança na política de cotas vai possibilitar uma aumento no número de mulheres candidatas e, consequentemente, um aumento no número de mulheres eleitas para deputadas estaduais e federais.
A mudança na política de cotas vai possibilitar uma aumento no número de mulheres candidatas e, consequentemente, um aumento no número de mulheres eleitas para deputadas estaduais e federais.

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Published by: José Eustáquio Diniz Alves on Jul 28, 2010
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 1A lei de cotas e as mulheres na política em 2010José Eustáquio Diniz Alves
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 As desigualdades de gênero possuem raízes profundas na história do Brasil. Porém, asmulheres brasileiras já conseguiram reverter diversas situações desfavoráveis em diferentesáreas, menos nos espaços de poder. A primeira experiência de políticas de cotas paraaumentar a presença da mulher brasileira na política aconteceu logo após a IV ConferênciaMundial de Mulheres, ocorrida em Beijing, em 1995. Ainda no mês de setembro, o CongressoNacional aprovou a Lei 9.100, de 1995, na qual, em seu § 3º do artigo 11º, se estabeleceu oseguinte:
"Vinte por cento, no mínimo, das vagas de cada partido ou coligação deverãoser preenchidas por candidaturas de mulheres".
Esta redação deu margem ao questionamento sobre a inconstitucionalidade do artigo, poisestabeleceu um tratamento diferenciado para o sexo feminino. Realmente, a forma comoestava redigida a política de cotas expressa uma visão focalizada e não universalista darepresentação de gênero.Dois anos depois desta primeira formulação, o Congresso Nacional aprovou a Lei 9.504, de30 de setembro de 1997, sendo que o parágrafo terceiro do artigo 10º desta Lei ficou assimredigido:
"Do número de vagas resultantes das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo desetenta por cento para candidaturas de cada sexo".
Esta nova formulação abandonou a política focalizada e assumiu uma concepçãouniversalista, evitando questionamentos sobre a constitucionalidade da lei, já que seestabeleceu a mesma regra de representação para os dois sexos. Ou seja, homens e mulheressão iguais perante a lei (de cotas), sendo que o Congresso Nacional apenas formalizou umaregra de representação que garante um mínimo e um máximo de vagas para cada sexo naslistagens partidárias em cada pleito.A forma como foi estabelecida a regra de composição das vagas das candidaturas partidáriasna Lei 9.504/97 é, portanto, constitucional e pode ser justificada mesmo quando seconsideram as visões liberais de tratamento igual entre os sexos. O grande problema, tanto daLei 9.100, quanto do parágrafo terceiro do artigo 10º da Lei 9.504, foi o uso da palavraRESERVA, já que os partidos ficaram obrigados a reservar as vagas, mas não preenchê-las. Oresultado foi que a política de cota no Brasil funcionou, entre 1995 e 2008, como uma reservavazia, onde os 30% atuaram como teto para o lançamento de candidaturas femininas pelospartidos e não como piso.Contudo, existiam várias propostas de mudança da legislação. A partir de matéria publicadano jornal Folha de São Paulo, tratando da redação da lei de cotas (“Só 7% das cidadescumpriram cota de eleitas”, de Antônio Góis, 19/12/2004), a deputada Vanessa Grazziotin
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Professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE. Tel: (21) 2142 4696 ou 2142 4689E-mail: jed_alves@yahoo.com.br. Artigo publicado em 28 de julho de 2010.
 
 2(PC do B/AM) fez um Projeto de Lei alterando a palavra RESERVA, por uma nova redaçãono sentido da palavra PREENCHER
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.Buscando o aperfeiçoamento da política de cotas, o movimento feminista e as forças sociaisque defendem uma maior equidade de gênero na sociedade se mobilizaram para promoveralterações na legislação eleitoral aplicável ao pleito de 2010 no Brasil. Depois de amplanegociação e da participação decisiva da atual bancada de deputadas federais, da ComissãoTripartite instituída pela Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), de acadêmicos e dasociedade civil foi aprovada uma nova redação na Lei 12.034, de 29 de setembro de 2009, queregula as eleições de 2010, e ficou assim redigida:
"Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação
 preencherá
o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo".
A alteração parece pequena, mas a mudança do verbo "reservar" para "preencher" significauma mudança substancial na política de cotas, conforme havia sido proposto no projeto dadeputada Vanessa Grazziotin. Com a nova redação, os partidos ficam obrigados – no ato deregistro da lista de candidaturas no TSE - a apresentar no mínimo 30% de candidaturas decada sexo.Em julho de 2010, o TSE recebeu as inscrições de candidaturas de deputados/as federais,estaduais (e distritais). Os dados ainda não são definitivos, pois os partidos podem completaras listas até o início de agosto. Mas já se percebe, conforme a tabela 1, que o número demulheres candidatas a deputadas estaduais e federais aumentou bastante em relação às duasúltimas eleições. Por exemplo, o número de candidatas a deputadas federais, em 2002, foi de490 mulheres e passou para 1.253 mulheres, em 2010.Tabela 1: Número absoluto e percentual de mulheres candidatas e eleitas para deputadasfederais e estaduais (incluindo distritais) nas eleições brasileiras de 2002, 2006 e 2010.
2002 2006 2010CandidaturaFederal Estadual Federal Estadual Federal EstadualTotal 4.296 11.975 5.797 14.159 5.841 14.744Homem 3.806 10.200 5.060 12.164 4.587 11.519Mulher 490 1.767 737 1.995 1.253 3.225% Mulher 11,41 14,76 12,71 14,09 21,45 21,872002 2006 2010EleitosFederal Estadual Federal Estadual Federal* Estadual*Total 513 1059 513 1059 513 1059Homem 471 925 468 935450 898Mulher 42 134 45 12463 161% Mulher 8,19 12,65 8,77 11,71 12,28 15,20
Fonte: TSE, visitado em 16 de julho de 2010 (dados não definitivos). Nota: Deputadosestaduais inclui os distritais. Os dados de eleitas de 2010 são projeções do autorNa tabela, apresentamos, para o ano de 2010, uma projeção de candidatas eleitas paradeputadas federais e estaduais, com base em modelos estatísticos da relação entre candidatas e
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A matéria da FSP foi feita com base no artigo “A Mulher na política e a política de cotas” de José EustáquioDiniz Alves (ENCE/IBGE) e publicado, em novembro de 2004, no site do CFEMEA. Disponível em:http://www.cfemea.org.br/temasedados/detalhes.asp?IDTemasDados=78
 
 
 3eleitas, de acordo com eleições anteriores. Dependendo ainda do desdobramento dascampanhas, consideramos (com base em modelos estatísticos) que o número de deputadasfederais deve crescer em torno de 40% este ano. O número de deputadas federais eleitas em2006 foi de 45 mulheres em 513 deputados (8,8%). Em 2010, este número deve chegar a pelomenos 63 deputadas (12,3%). Não é muito em termos percentuais, mas será o maior aumentoabsoluto (18 deputadas a mais de uma eleição para outra) e o índice mais elevado departicipação, superando a barreira dos 10%. A despeito do salto sobre a barreira dos 10%,falta muito para o Brasil atingir a média mundial de deputadas que está em 19,1% no conjuntodos países da comunidade internacional (IPU, situação em 31 de maio de 2010)
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.Para deputado estadual a perspectiva é que haja um aumento de pelo menos 30% do númerode eleitas passando de 124 deputadas estaduais (11,7%), em 2006, para, 161 deputadas(15,2%), em 2010. Ou seja, maior número de mulheres candidatas implica em maior númerode mulheres eleitas. Infelizmente, o TSE não se posicionou de maneira firme no sentido deobrigar os partidos a respeitarem a nova redação da política de cotas, embora alguns TREstenham se mostrado mais atuantes no sentido de garantir o percentual mínimo de 30% paracada sexo.O interessante é que os partidos que não preencheram as cotas passaram a ser alvo de ações deimpugnação dos partidos que cumpriram com a legislação
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. O dia 04 de agosto de 2010 é oúltimo dia para os órgãos de direção dos partidos políticos preencherem as vagasremanescentes para as eleições proporcionais. Isto é, os partidos precisam inscrever maismulheres candidatas até preencher o percentual de 30% ou retirar homens inscritos para que opercentual de 30% seja respeitado. Os casos de não cumprimento da política de cotas serãodecididos por meio de julgamento de recursos.Embora exista uma relação entre a quantidade de mulheres candidatas e eleitas,provavelmente, em 2010 o aumento de mulheres eleitas nas eleições proporcionais nãoocorrerá na mesma proporção do aumento de candidatas, pois, conforme noticiado, ospartidos recorreram a candidatas pouco competitivas (“candidatas laranjas”) para preencher asnominatas eleitorais. Também é preciso acompanhar para saber se estas candidatas vão terespaço na propaganda eleitoral gratuita e aos fundos partidários (conforme estabelece a Lei12.034, de 29/09/2009).Uma análise das candidaturas nas Unidades da Federação mostra com mais clareza como temse dado este aumento das candidaturas femininas. A tabela 2 mostra os dados das candidaturasfemininas, para deputado federal, nas eleições de 2006 e o quadro das candidaturas de 2010,tal como disponibilizado pelo TSE no dia 26 de julho de 2010. Este quadro é provisório, poisos partidos possuem até o dia 04 de agosto para completar a lista e a cota dos 30%. Porém, osdados já mostram que houve um grande crescimento do número de mulheres candidatas namaioria dos Estados do país, embora tenha até havido recuo em alguns poucos estados.
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Inter-Parliamentary Union:http://www.ipu.org/wmn-e/classif.htm 
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Segundo o jornal O liberal, do Pará, o advogado Inocêncio Mártires, da coligação Frente Popular Acelera Pará,protocolou dia 12/07/2010, no plantão do TRE-PA, uma ação de impugnação de registro de coligação porviolação à Lei Eleitoral 9.504, com base nos fundamentos da proporcionalidade de gênero, que pode mudar ocenário político das eleições deste ano. Começou uma boa briga jurídica, deflagrando a batalha no TribunalRegional Eleitoral do Pará nestas eleições, cujo resultado vai ser o aumento das candidaturas femininas.

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