Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
27Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
LIVRO- ESTE MUNDO TENEBROSO

LIVRO- ESTE MUNDO TENEBROSO

Ratings:

4.8

(5)
|Views: 7,676 |Likes:
Published by josymattos

More info:

Published by: josymattos on Jun 21, 2008
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

12/16/2012

pdf

text

original

 
http://www.scribd.com/doc/214706/Frank-E-Peretti-Este-Mundo-TenebrosoQuando os dois vultos trajando roupas de trabalho surgiram na Rodovia 27, naperiferia de Ashton, uma cidadezinha cuja vida revolvia em torno da suafaculdade, a noite enluarada de domingo ia chegando ao fim. Eram altos, nonimo acima de dois metros, de compleição robusta, perfeitamenteproporcionados. Um tinha cabelos escuros e possuía traços marcantes, o outroera loiro e poderoso. A pouco menos de um quilômetro de distância, olharamrumo à cidade, considerando a cacofonia de sons festivos vindos das lojas, dasruas e dos becos que ela abrigava. Puseram-se a caminhar.Era a época do Festival de Verão de Ashton, o exercício anual em frivolidade ecaos da cidade, a sua forma de dizer obrigada, volte outra vez, boa sorte, foibom tê-los aqui, aos cerca de oitocentos alunos da Faculdade Whitmore queestariam entrando nas tão es-peradas férias de verão. A maioria faria as malase iria para casa, mas todos definitivamente ficariam pelo menos o temponecessário para aproveitar as festividades, a discoteca, o parque de diversões,os filmes baratos, e tudo o mais que desse para desfrutar, às claras ou àsescuras, por farra. Eram horas de loucuras, uma oportunidade de seembebedar, engravidar, apanhar, cair no conto do vigário e passar mal doestômago, tudo na mesma noite.No centro da cidade, um proprietário com senso um grupo ambulante demigrantes empreendedores montassem seu parque com atrações, barracas etoaletes portáteis. A aparelhagem parecia melhor no escuro, uma escapadelaem ferrugem feéricamente iluminada, movida a motores de trator deescapamento aberto que competiam com a oscilante sica do parqueguinchando ruidosamente de algum lugar no meio daquela barafunda. Masnessa cálida noite de verão, a multidão que por ali perambulava comendoalgodão doce estava a fim de se divertir, divertir, divertir. Uma roda-gigantegirava lentamente, hesitava a fim de receber passageiros, girava um poucomais para o desembarque, depois dava algumas voltas completas a fim defazer valer o preço do bilhete; um carrossel revolvia em um rculoespalhafatoso de luzes brilhantes, os cavalinhos descascados e caindo aospedaços ainda saracoteavam ao som pré-gravado de óro a vapor; osfreqüentadores do parque atiravam bolas a cestas, moedas a cinzeiros, dardosa bolões de gás, e dinheiro fora ao longo da instável passagem montada àspressas, onde os vendilhões repetiam a mesma arenga, tentando convencer ostranseuntes a tentarem a sorte.Os dois visitantes, altos e silenciosos em meio atudo aquilo, perguntavam-se como uma cidade de doze mil pessoas incluindo os alunos da faculdade — podia produzir tão grande e pululantemultidão. A população, geralmente calma, havia comparecido em massa,incrementada por gente de outras paragens à procura de diversão, até que asruas, bares, lojas, becos e estacionamentos ficassem lotados nessa ocasiãoem que tudo era permitido e o ilegal era ignorado. A polícia tinha as mãoscheias, mas cada prostituta, baderneiro, n-dalo, bado algemadossignificava apenas que mais de uma dúzia ainda estava solta e perambulandopelas ruas. O festival, chegando ao auge na noite final, era como uma furiosatempestade que o podia ser detida; podia-se apenas esperar que ela
 
amainasse, e haveria muito o que limpar depois.Os dois visitantes forampassando lentamente pelo parque apinhado, ouvindo as conversas,observando a atividade. Queriam saber coisas a respeito da cidade, por issodemoraram-se observando aqui e ali, à direita e à esquerda, adiante e atrás. Aaglomeração de transeuntes passava por eles como peças de vestuário arevolver-se na máquina de lavar, serpenteando de um lado a outro da rua, emciclo imprevisível, sem fim. Os dois homens altos não tiravam os olhos damultidão. Estavam à procura de alguém.— Olhe lá— disse o de cabelo escuro.Ambos a viram. Era jovem, muito bonita, mas também muito inquieta, olhandode um lado para outro, uma máquina fotográfica nas mãos e uma expressãoorgulhosa no rosto.Os dois atravessaram apressados a multidão e colocaram-se ao lado da moça,que não percebeu a sua presença.— Sabe — disse o de cabelo escuro— você poderia tentar olhar lá adiante.Com esse simples comentário, ele passou a o nos ombros dela e aconduziu rumo a certa barraca na passagem. Ela atravessou a grama e ospapéis de bala, caminhando na direção da barraca onde alguns adolescentesdesafiavam-se mutuamente a estourar balões de gás com dardos. Nadadaquilo a interessava, mas então... umas sombras movendo-se sorrateirasats da barraca prenderam a sua atenção. Ela segurou a quina emposição, deu mais alguns passos leves e cuidadosos, e a seguir levou amáquina rapidamente ao olho. O clarão do flash iluminou as árvores atrás dabarraca enquanto os dois homens se afastavam apressados para o seupróximo encontro.Moveram-se suavemente, sem hesitação, passando pelaparte principal da cidade a passos rápidos. Seu destino estava a cerca de umquilômetro e meio do centro da cidade, na rua Poplar, e subindo uns oitocentosmetros até o topo da rua Morgan Hill. Não demorou quase nada para que sedetivessem em frente à igrejinha branca no meio do minúsculo estacionamento,com seu gramado bem cuidado e o bonito quadro onde estavam anunciados ohorário da escola dominical e do culto. Encimando o pequeno quadro de avisosencontrava-se o nome “Igreja da Comunidade de Ashton”, e, em letras pretaspintadas às pressas sobre qualquer que fosse o nome anteriormente alicolocado, dizia: “Henry L. Busche, Pastor”.Eles olharam para trás. Desta altacolina podia-se divisar toda a cidade e vê-la estender-se até cada um dos seuslimites. A oeste, brilhava o parque cor-de-caramelo; a leste, erguia-se oimponente e conservador campus da Faculdade Whitmore; ao longo daRodovia 27, a principal rua da cidade, estavam os prédios comerciais, aspequenas representantes locais de famosas cadeias de lojas, alguns postos degasolina batalhando por conquistar fregueses com ofertas especiais, uma lojade ferragens, o jornal da cidade, diversas lojas pequenas de comercianteslocais. Dessa posição, a cidadezinha parecia tão tipicamente americana —pequena, inocente e inofensiva, uma gravura.Mas os dois visitantes não se valiam apenas dos olhos para perceber ascoisas. Mesmo daquela posição vantajosa, o verdadeiro substrato de Ashtonpesava muito em seus espíritos e mentes. Podiam senti-lo; inquieto, forte,
 
crescente, bem planejado e cheio de propósito... um tipo de maldade muitosingular.Eles não eram avessos a questionar, estudar, investigar. Na maioriadas vezes, essas atividades faziam parte do seu trabalho. Assim sendo, eranatural que hesitassem nessa tarefa, pausando com o intuito de indagar: Por que aqui?Mas apenas por um instante. Podia ser uma sensibilidade aguçada,um instinto, uma impressão muito leve só a eles discernível, mas era osuficiente para fazer com que sumissem prontamente no canto da igreja,fundindo-se contra a parede chanfrada, quase invisíveis ali no escuro. Nadadiziam, não se moviam,mas observavam com olhar penetrante algo que se aproximava.A cena noturnada rua quieta era um mosaico em nítidos traços azuis do luar e sombrasimprecisas. Mas uma das sombras não balouçava ao vento como as dasárvores, nem tampouco era estática, como as dos prédios. Rastejava, tremia,movia-se em direção à igreja, enquanto qualquer luz que atravessava pareciaafundar-se em seu negror, como se ela fosse uma brecha aberta no espaço.Mas essa sombra tinha uma forma, uma forma animada que fazia lembrar alguma criatura, e quando se aproximou da igreja, ouviram-se sons: o arranhar de garras no chão, o leve farfalhar de asas membranosas rufladas pela brisa,adejando logo acima dos ombros da criatura.Ela tinha braços e pernas, mas aocruzar a rua e subir os degraus da escadaria da frente da igreja, parecia mover-se sem a ajuda deles.Seus olhos malévolos e esbugalhados com seu própriobrilho amarelado refletiam a pura luz azul da lua cheia. A cabeça retorcida saíade ombros encurvados, e tufos de hálito rubro e rançoso borbulhavam empenosos chiados através de fileiras de dentes afiados e pontiagudos.Ou ela ria ou tossia — os chiados que lhe escapuliam do fundo da gargantapodiam ser qualquer das duas coisas. Da posição rastejante em que seencontrava, ergueu-se sobre as pernas e correu os olhos pela quietavizinhança, as bochechas pretas e rígidas repuxando-se em horrendo riso, aprópria máscara da morte. Moveu-se em direção à porta da frente. A mãoescura passou através da porta como um espeto passa por um líquido; o corpoinclinou-se para diante e penetrou na porta, mas só até a metade.De súbito, como se colidisse com uma parede em alta velocidade, a criatura foiatirada para trás, caindo em furiosa queda escada abaixo, o rubro e brilhantehálito desenhando uma trilha encaracolada no ar. Com um sinistro berro defúria e indignação, ela se ergueu da calçada onde se esparramara e fixou osolhos na estranha porta que lhe barrara a passagem. Então, as membranasdas suas costas começaram a inflar, apossando-se de grandes quantidades dear e, com grande alarido, ela voou de cabeça rumo à porta, rumo ao saguão —e para dentro de uma nuvem de ardente luz branca.A criatura gritou e cobriu os olhos, sentindo-se, a seguir, apanhada no enormee poderoso aperto de uma mão. Num instante, foi arremessada no espaçocomo um boneco de pano, novamente do lado de fora, expulsa à força.As asaszumbiram num borrão enquanto ela se inclinava numa fechada curva aérea ese lançava outra vez contra a porta, fumaça vermelha escapando em tufos eriscos de suas narinas, as garras à mostra e prontas para atacar, o espectralretinir de um berro a lhe sair da garganta. Como uma flecha atravessa o alvo,como uma bala passa por uma tábua, ela se arremeteu porta adentro —E nomesmo instante sentiu suas entranhas se arrebentarem.Houve uma explosão

Activity (27)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Sandra Barbiris added this note
eu ja li esse livro três vezes amo demais para mim até hoje foi o melhor livro que já li, e olha que já li muitos muitos livros, gostaria de saber nomes de outros livros do mesmo autor.
Rita Reis Reis added this note
ÓTIMO LIVRO.
gi37 liked this
Linda Fernanda liked this
Igor Fernandes liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->