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artistas e, assim, apresentar um recortedo que vem sendo produzido na artecontemporânea brasileira. Mas “novos”não designa nem a novidade moder-nista, nem uma aixa etária especíca,não signicando nem uma pretensãovanguardista de estar à rente do tem-po – propondo algo original –, nem seconundindo com uma idade neces-sariamente jovem. Nesse sentido, nosreerimos aos “novos artistas” utilizandoaspas, uma vez que o termo diz respei-to ao tempo de trabalho, ao estágio dacarreira. Desse modo, os critérios quenortearam as escolhas da ComissãoCultural que selecionou vinte e doisartistas, dentro de um universo de maisde cento e cinquenta inscritos, oramos seguintes: produções e carreiras quetenham despontado recentemente, masque indiquem linguagens e um corpode questões mais ou menos coeren-te, currículos e projetos de trabalhoque apresentem consistência ormal econceitual. Dependendo da escala dostrabalhos, oram selecionados um, doisou três, sem que um suporte ou meioosse privilegiado, de orma a indicar apluralidade que caracteriza a produçãocontemporânea em artes.O desao de dividir a curadoria com osoutros membros da Comissão Culturale de escrever o presente texto para ocatálogo, assim, requer uma tomada deposição. É possível estabelecer diálogosentre os trabalhos num universo deplanar, chapada, repleta de solidão edesapego, como são as suas pinturas.Essa paisagem exterior congura-secomo um corte, tanto no plano pictó-rico quanto na cena e condensa uminstante, uncionando como uma espé-cie de
i
de um
oad-movie
, do qualdesconhecemos o antes e o depois.A paulistana
Carla Caim
apresenta osvídeos
Conveaion wih ego
e
Cao- gaa copoa
: o primeiro, uma home-nagem a Joseph Beuys e o segundo, oregistro de um desenho que a artistarealiza com o corpo. No primeiro, Carlaaparece se movimentando em uma salaonde, além dela, apenas uma cadeiraaparece, ora envolta em uma manta deeltro com o rosto e o corpo cobertos,ora com corpo e rosto aparentes, deorma que a câmera capta os movi-mentos que a artista desempenha noespaço, enquadrado xamente. Já nosegundo, a artista relaciona corpo eespaço, ação e seu resultado nal, reali-zando desenhos com todo o corpo, nãocom as mãos.
Claudia Tavares
apresenta uma série quereerencia o céu e sua ideia de imen-sidão, através do voo de pássaros e anoção de liberdade que esse sugere. Em
Caigaa,
a artista otograa bandos deaves em movimento, captando e xandoos desenhos e palavras que são inscritosno céu a partir de seus voos, gerandoagrupamentos e dispersões eêmeros.
Novssimos
é um salão de arte organi-zado pelo Centro Cultural do InstitutoBrasil-Estados Unidos – Ibeu, cuja pri-meira edição ocorreu em 1962. De lá pracá, muita coisa mudou não só no Brasil,como no mundo. Em 2010 o Ibeu com-pleta setenta e três anos de existência,sua galeria cinquenta anos de intensa eininterrupta atividade, e este ano realizaa 40ª edição de
Novssimos
. Vivemos,assim, um momento de celebração, mastambém de reormulações institucionaise ísicas, com as renovações da Comis-são Cultural e do espaço expositivo daGaleria de Arte Ibeu. Se nos anos 1960,quando se realizou a primeira edição de
Novssimos
, o conceito de novo aindapossuía uma grande importância e de-signava a produção que estabelecia umanítida dierenciação em relação ao pas-sado, em 2010 é preciso problematizar oconceito de novidade, e sua pertinênciapara designar a recente produção bra-sileira de arte contemporânea. O novosurgira com a Modernidade artística, navirada do século XIX para o XX e abran-gia a produção que se contrapunha aovelho e ao antigo, buscando azer tábularasa desse passado, para propor algooriginal. A categoria de novidade, assim,implicaria em ruptura, surpresa e mesmoem choque. Mas será essa a pretensãodo salão que visa dar espaço à produ-ção brasileira emergente em 2010?O objetivo de
Novssimos
é reconhe-cer e estimular a produção de “novos”tão grande diversidade? Como azê-losem que caiamos numa pasteurização?Anal, trata-se de um salão de arteque visa dar conta da pluralidade depossibilidades produtivas na contempo-raneidade. Nesse sentido, não é nossaintenção dar uma cara homogênea àexposição em si, nem ao texto. A ideiaé priorizar as conversas, mas tambémas ricções, de orma a permitir que asobras comuniquem no conjunto e indi-vidualmente, o que é undamental para“novos” artistas.
Alexandre Paes
, por exemplo, utilizaprocedimentos pictóricos, tais como:gesto, textura e pincelada para corpo-ricar objetos tridimensionais, de usocotidiano. Em
1 io de pinua
, o artistacria uma mancha de tinta preta a partirda utilização de um litro de tinta acríli-ca; em
Pêa
presentica a ruta tambéma partir do acúmulo de tinta e, em
AllstAr
, disponibiliza um par de tênis,também produzido com tinta acrílica,para que o público utilize-o, tornandopresente uma questão recorrente daarte contemporânea, que é a da posi-ção não contemplativa do espectadorperante o trabalho artístico.
Bet Katona
está representada por umapaisagem sem título, que evidencia asua busca pela economia e limpezaormais e de execução. Bet não deixavisível qualquer vestígio de pincelada,nos apresentando uma paisagem azul
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