Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
17Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
apostila_redacao

apostila_redacao

Ratings: (0)|Views: 2,066 |Likes:
Published by resolvidos

More info:

Published by: resolvidos on Aug 01, 2010
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/28/2013

pdf

text

original

 
Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia
 
Redação
 
1
AULA 1
“Querer vencer significa ter percorrido metade do caminhoda vitória” (Miguel de Cervantes)
Texto I Ninguém mais diz “não sei” 
Não conheço mais ninguém, que diga com ares deautêntica modéstia: "não sei". Todos professamconhecimento sobre tudo, opinam sobre qualquer coisa,exercem uma rede de certezas que me deixas entontecido.Parece que virou crime dizer "não sei". Se o cara fala issono emprego, logo será encaminhado ao departamentopessoal e fichado no arquivo morto. Se ele diz para aesposa ou namorada, sugere que andou aprontando.Basta chegar em casa tarde da noite e a mínimaindefinição transforma-se em suspeita de infidelidade. Aregra é falar sem parar, mesmo quando o assunto nãocomeçou. Diálogos epilépticos, pulando freneticamente detemas, sem fim possível. Ou é uma época prodigiosa degênios ou a maioria das pessoas está mentindo.Houve um tempo em que queria ser Napoleão nohospício e Pelé, Martha Rocha, Einstein e Fellini na vida.Hoje o desejo secreto de cada um é ser Google. Asconversas giram em torno de referências e não deconteúdos. Encontra-se a informação, mas não sedesenvolve o raciocínio para chegar até ela. O maisimportante na Matemática é o cálculo, nunca o resultadofinal. Fica-se atualmente satisfeito com o resultado e seenvaidece de dizê-lo com rapidez, na ponta da língua. Avelocidade tornou-se o objetivo primordial. A busca seencerra no próprio ato final antes de ter realmentecomeçado. O que adianta uma herança que não é vivida?Com a Internet, Orkut, e céleres estruturas deinformação, apesar de tantas virtudes comunicativas e deconvivência que geraram, criou-se uma geração depalpiteiros, mais do que formadores de opinião. A vivênciafoi substituída pela vidência. Pior que enganar os outros ése enganar. Na verdade, dura verdade, a cultura não seadquire sem esforço, inquietações, ensaios e exercícios,vacilos e resistência. A memória não se dá bem comfacilidades. A afetividade se desenvolve na dúvida, naabsorção madura do raciocínio. Inteligência é tambémhumildade de se calar e de se retirar para estudar mais, aocontrário do que vem sendo alardeado aos quatro cantosdo cérebro: de falar a todo momento para mostrarerudição. Ninguém mais leva tema para casa. Até ascrianças estão ansiosas demais para escutar histórias erepetem "eu sei" no início delas. Não é um sintoma depressa essa conversa fiada sem a devida contrapartida dalentidão de ouvir e aprender? A necessidade de aceitaçãosocial não estaria matando a honestidade da solidão?Acredito que é o momento de preservar a ignorância, deinstaurar uma "Renascença às avessas". Se aRenascença valorizou o homem completo, o Leonardo daVinci, a multiplicidade dos talentos em um único indivíduo(pintor, inventor, fabulista, cientista, poeta, pensador),deve-se entusiasmar agora o "homem incompleto",insuficiente, que admite desconhecer temas e assuntospara não atrofiar sua curiosidade. Sem curiosidade, não hámotivo para estar aqui lendo a SUPER* ou este artigo.Um teólogo das antigas, Nicolau da Cusa (1401-1464),elogiado por Giordano Bruno, escreveu um livro chamado
Douta Ignorância 
, em que recomenda a conscientizaçãodo que não se aprendeu para saber mais. Quem não sabevai atrás. A sinceridade é a melhor forma de não sofrerpara depois explicar o que o Google não listou. Viver já éuma pós-graduação e não admite fingimentos porque avida não dá trégua para a imaginação ou forneceinstruções de comissário de bordo. Exige o mais difícilsempre. Antes de um beijo, de um abraço, de umadespedida, não se recebe pausa para pensar o que fazer eescrever rascunhos. Não há tempo para raciocinar nemexiste curso preparatório para se viver - vive-se de cara.O filósofo romano E.M. Cioran, por exemplo, autor de
Silogismos da Amargura 
, produziu breves apontamentos eretratos sobre a história das idéias. Ele era um apóstolo dopessimismo, mas alguns de seus textos mostram quepensar além das aparências também serve comobombinha para o pulmão, pois a realidade pode sufocar otalento e a criatividade.(Fabrício Carpinejar.)* Em artigo para a revista SUPERINTERESSANTE, da Editora Abril.REFLEXÃO1- Você concorda com a premissa do autor?2- Por que, segundo o texto, o desejo secreto decada um é ser um “google”?3- Por que o autor afirma que “a memória não se dábem com facilidades”. Você compartilha destaopinião?4- Por que o autor propõe uma “Renascença àsavessas”?--------------------------------------------------
AULA 2
“Os que conquistam são os que acreditam que podemconquistar” (Virgílio)
Fala e escrita: duas modalidades
 O texto é um evento sociocomunicativo, que ganhaexistência dentro de um processo interacional. Todo textoé resultado de uma coprodução entre interlocutores: o quedistingue o texto escrito do falado é a forma como talcoprodução se realiza.No
texto escrito,
a coprodução se resume àconsideração daquele para quem se escreve, não havendoparticipação direta e ativa deste na elaboração lingüísticado texto, em função do distanciamento entre escritor eleitor. Nele, o escritor dialoga com determinado (tipo de)leitor, cujas respostas e reações ele prevê.Dessa forma, no caso do texto escrito, ao contráriodo que acontece com o texto falado, contexto de produçãoe contexto de recepção, de maneira geral, não coincidemnem em termos de tempo, nem de espaço, já que escritore leitor normalmente não se encontram copresentes. Porisso, o produtor do texto tem mais tempo para oplanejamento, a execução mais cuidadosa do texto e arevisão.
 
Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia
 
Redação
 
2
O
texto falado
, por sua vez, emerge no própriomomento de interação. Como se costuma dizer, ele é seupróprio rascunho. Por estarem os interlocutorescopresentes, ocorre uma interlocução ativa, que implicaum processo de coautoria, refletido na materialidadelingüística por marcas da produção verbal conjunta. Porisso, a linguagem falada difere em muitos pontos daescrita: a) pelo próprio fato de ser falada; b) devido àsincertezas de sua formulação.Fala e escrita são, portanto, duas modalidades dalíngua. Assim, embora se utilizem do mesmo sistemalingüístico, cada uma delas possui características próprias.Ou seja, a escrita não constitui mera transcrição da fala,como muitas vezes se pensa.
AULA 3
“Se duvidas de ti mesmo, estás vencido deantemão”
CONHECIMENTO COMPARTILHADO
Como cada um de nós vai armazenando osconhecimentos na memória a partir de suas experiênciaspessoais, é impossível que duas pessoas partilhemexatamente o mesmo conhecimento de mundo. É preciso,no entanto, que produtor e receptor de um texto possuam,ao menos, uma boa parcela de conhecimentos comuns.Quanto maior for essa parcela, menor será a necessidadede explicitude do texto , pois o receptor será capaz desuprir as lacunas através de inferências.
INFERÊNCIAS
Inferência é a operação pela qualutilizando seu conhecimento de mundo, o leitor de umtexto estabelece uma relação não explícita entre doiselementos (normalmente frases ou trechos). Todo textoassemelha-se a um icerberg-o que fica à tona, isto é,explicitado no texto, é apenas uma pequena parte daquiloque fica submerso, ou seja, implicitado ou implícito.Quanto maior o grau de familiaridade ou intimidade entreos interlocutores, menor a quantidade de informaçõesexplícitas, principalmente no caso dos diálogos.
AULA 4
“Obstáculo é tudo que vimos quando desviamos osolhos do alvo”
COESÃO E COERÊNCIA
Na construção de um texto, assim como na fala,usamos mecanismos para garantir ao interlocutor acompreensão do que se lê / diz.Esses mecanismos lingüísticos que estabelecem aconectividade e a retomada do que foi escrito / dito são osreferentes textuais e buscam garantir a coesão textual paraque haja coerência, não só entre os elementos quecompõem a oração, como também entre a seqüência deorações dentro do texto.Essa coesão também pode muitas vezes se dar demodo implícito, baseado em conhecimentos anteriores queos participantes do processo têm com o tema. Porexemplo, o uso de uma determinada sigla, que para opúblico a quem se dirige deveria ser de conhecimentogeral, evita que se lance mão de repetições inúteis.Numa linguagem figurada, a coesão é uma linhaimaginária - composta de termos e expressões - que uneos diversos elementos do texto e busca estabelecerrelações de sentido entre eles.Dessa forma, com o emprego de diferentesprocedimentos, sejam lexicais (repetição, substituição,associação), sejam gramaticais (emprego de pronomes,conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases,orações, períodos, que irão apresentar o contexto –decorre daí a coerência textual.Um texto incoerente é o que carece de sentido ouo apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essaincoerência é resultado do mau uso daqueles elementosde coesão textual. Na organização de períodos e deparágrafos, um erro no emprego dos mecanismosgramaticais e lexicais prejudica o entendimento do texto.Construído com os elementos corretos, confere-se a eleuma unidade formal.Nas palavras do mestre Evanildo Bechara (1), “oenunciado não se constrói com um amontoado depalavras e orações. Elas se organizam segundo princípiosgerais de dependência e independência sintática esemântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicasque sedimentam estes princípios”.Desta lição, extrai-se que não se deve escreverfrases ou textos desconexos – é imprescindível que hajauma unidade, ou seja, que essas frases estejam coesas ecoerentes formando o texto.Além disso, relembre-se que, por coesão, entende-se ligação, relação, nexo entre os elementos quecompõem a estrutura textual.Referenciação: uma atividade discursiva, é umaestratégia de coesão.A atividade de escrita pressupõe em seudesenvolvimento que se faça constantemente referência aalgo, alguém, fatos, eventos e sentimentos; manter emfoco os referentes introduzidos por meio de uma retomada.Isso tudo são estratégias por meio das quais sãoconstituídos objetos de discurso.O processo que diz respeito às diversas formas deintrodução, no texto, de novas entidades ou referentes échamado de referenciação e os elementos que possuemessa propriedade:dêixis.
 
Pré-Vestibular Popular da UFF na Engenharia
 
Redação
 
3
Dêixis, portanto, são elementos lingüísticos que têm apropriedade de fazer referência ao contexto situacional ouao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa funçãode progressão textual, dada sua característica: sãoelementos que não significam, apenas indicam, remetemaos componentes da situação comunicativa. Daí aimportância do contexto e do conhecimento compartilhadopara que esses elementos possam estabelecer a coesãoreferencial. Subdividem-se em coesão exofórica e coesãoendofórica.Coesão Exofórica: tais elementos remetem paraexterioridade, à medida que seus elementos referenciadosnão são apreendidos apenas pelo sentido que essasformas lingüísticas possuem. A modificação de situaçãoacarreta a mudança da referência.Coesão endofórica ou co-referência: consiste naidentificação entre fragmentos textuais, do ponto de vistareferencial.A referência pode ser: pessoal, demonstrativa ecomparativa. A primeira, feita por meio de pronomespessoais e possessivos.Ex.: Renato e Rafael são excelentes amigos. Elesse conheceram na escola. (Referência pessoal anafórica);A Segunda, demonstrativa – realizada por meio deadvérbios de lugar e pronomes demonstrativos.Ex.: Realizara todos os seus sonhos, menos este:o de entrar para Academia. (Referência demonstrativacatafórica);Já a Comparativa é efetuada por via indireta, por meio deidentidades e similaridades.Ex.: É um exercício diferente do de ontem.(Referência comparativa endofórica).Segundo Harweg (apud, KOCH,1996:23), “texto éuma sucessão de unidades lingüísticas constituídas poruma cadeia pronominal ininterrupta”. Para ele, todaretomada de referentes textuais é feita por pronomes.Cabe salientar, que o conceito de pronome postulado porele é bem amplo, ou seja, é toda expressão lingüística queretoma um mesmo referente.
3.1- Texto lVAGUIDÃO ESPECÍFICA
“As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica.” 
 -Richard Gehman-- Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.- Junto com as outras?Não ponha junto com as outras, não. Senão pode viralguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha nolugar do outro dia.Sim, senhora. Olha, o homem está aí.Aquele de quando choveu?Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.Que é que você disse a ele?Eu disse pra ele continuar.Ele já começou?Acho que já. Eu disse que podia principiar por ondequisesse.É bom?Mais ou menos. O outro parecia mais capaz.Você trouxe tudo para cima?Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxeporque a senhora recomendou para deixar até a véspera.Mas traga. Na ocasião, nós descemos tudo de novo. Èmelhor senão atravanca a entrada e ele reclama como naoutra noite.Está bem, vou ver como...(FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. 3 ed.Rio de Janeiro: Nórdica, 1974.)O diálogo apresenta vários elementos dereferenciação. No entanto, o leitor por não compartilhar docontexto situacional, não compreende o diálogoestabelecido, diferentemente, das duas mulheres, queestão totalmente integradas, compartilhando uma série deinformações que não temos.
AULA 5
“Não importa o tamanho da montanha, ela nãopode tapar o sol”( provérbio chinês)

Activity (17)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads
DrCarlos Cunha liked this
Paulo Campos liked this
Igor Rocha liked this
Amanda Alencar liked this
Luiza Pereira liked this
Remes Andrade liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->