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Políticas de Saúde Pública no Brasil

Políticas de Saúde Pública no Brasil

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Políticas de saúde pública no brasil
Políticas de saúde pública no brasil

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Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.8, n.1, p.13-19, dez.
2006 13
 www.ccs.uel.br/espacoparasaude
 
POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL
PUBLIC HEALTH POLICIES IN BRAZIL
Aylton Paulus Júnior
1
, Luiz Cordoni Júnior
2
1
Economista. Mestre em Teoria Econômica. Docente do Departamento de Economia, Universidade Estadual do Paraná/FECEA –Campus de Apucarana. Economista da Universidade Estadual de Londrina/Hospital Universitário.
2
Médico. Doutor em Saúde Coletiva. Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual deLondrina. Londrina, PR.Correspondência:
 
Aylton Paulus Júnior
(
paulus@sercomtel.com.br)
Resumo
Este texto tem por finalidade servir como uma primeira aproximação para a compreensão das políticaspúblicas de saúde no Brasil, destacando alguns dos principais eventos, inclusive a institucionalização doSistema Único de Saúde na Constituição Federal de 1988. Apresenta fatos em saúde pública do EstadoBrasileiro com registros que datam do século passado até os nossos dias. Oferece aos interessados emaprofundar os estudos, uma referência temporal indicando autores e legislação, sem esgotá-los, quepodem nortear novos estudos e pesquisas.
Descritores:
Saúde pública; Sistema Único de Saúde; História; Política de Saúde. 
Abstract
This text aims to be a first approach for understanding the public health policy in Brazil, focusing on someof the main events, including the institutionalization of the Unified Health System (current National HealthSystem) which is inscribed in the Federal Constitution of 1998. It presents public health events of BrazilianState since the past century until the present times. It shows time references linked to authors, withoutbeing exhaustive, that can orientate those who are interested in going deeper into the study.
 Key words:
Public health; National Health System (BR);
 
History; Health policy.
 
 
Políticas Públicas de Saúde
Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.8, n.1, p.13-19, dez.
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 www.ccs.uel.br/espacoparasaude
 No período de 1897 até 1930 osassuntos relacionados com a saúde, comofunções públicas, eram tratados no Ministério daJustiça e Negócios Interiores, em específico, naDiretoria Geral de Saúde Pública. Médice
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relataque a assistência à saúde ofertada pelo Estadoaté a década de 1930 estava limitada às açõesde saneamento e combate às endemias. Étambém dessa época, o surgimento edesenvolvimento do chamado sanitarismo-campanhista, fortemente presente até o final dadécada de 1940. Tal política visava dar apoio aomodelo econômico agrário-exportador,garantindo condições de saúde para ostrabalhadores empregados na produção e naexportação. As campanhas visavam ao combatede endemias tais como a peste, a cólera, avaríola, dentre outras.
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Progressivamente, oEstado vai acentuando sua intervenção no setorsaúde e, após a segunda guerra mundial, passaa assumir obrigações financeiras no que serefere à assistência à saúde da população.A previdência Social no Brasil surgiu em1923 com o Decreto Legislativo que ficouconhecido como Lei Elói Chaves criando asCaps - Caixas de Aposentadoria e Pensão.
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 Estas eram organizadas pelas empresas eofereciam assistência médica, medicamentos,aposentadorias e pensões. Belinati
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apoiado emhistoriadores, cita que no período de 1923 a1933 foram criadas 183 Caixas deAposentadorias e Pensão. A partir de 1933,surgiram os Institutos de Aposentadorias ePensões (IAP), entidades de grande porteabrangendo os trabalhadores agrupados porramos de atividades. Tais institutos foram oIAPTEC (para trabalhadores em transporte ecargas), IAPC (para os comerciários), IAPI(industriários), IAPB (bancários), IAPM(marítimos e portuários) e IPASE (servidorespúblicos). O modelo inicial da assistênciamédica não era universal e baseava-se nosvínculos trabalhistas. Tinham direito aosbenefícios somente trabalhadores quecontribuíam para a Previdência, ou seja, aqueles“com carteira assinada”.Em 1930, foi criado o Ministério daEducação e Saúde. As atenções predominantesdos governos até então, estavam voltadas àsações de caráter coletivo. A partir desta décadaa ênfase governamental começa a se deslocarpara a assistência médica individual.
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Em 1948, durante o mandato doGeneral Eurico Gaspar Dutra, o governo federalformula o Plano SALTE (Saúde, Alimentação,Transporte e Energia). Em 1953, ainda sob ainfluência do Plano, foi criado o Ministério daSaúde (MS) que se dedica às atividades decaráter coletivo, como as campanhas e avigilância sanitária. À época e paralelamente, aassistência médica cresce e se desenvolve noâmbito das instituições previdenciárias. Já sepercebia a necessidade de garantir amanutenção e reprodução da força de trabalhocada vez mais urbana e fabril, ciclo iniciado em1930. Donnangelo, apud Cordoni Júnior
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,caracteriza o desenvolvimento da assistênciamédica no seio das instituições previdenciáriascomo instrumento para amenizar tensõessociais e controlar a força de trabalho.As várias instituições previdenciárias e amultiplicidade de tratamentos aos seus usuáriosmotivaram o governo à uniformização dosmétodos com a promulgação da Lei Orgânica daPrevidência Social, em agosto de 1960.
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Osdireitos e deveres passaram a ser semelhantesorientados pela lei, o que viria facilitar no futuro,a fusão dos IAP.Em 1966, da fusão dos IAP originou-seo INPS – Instituto Nacional de PrevidênciaSocial que uniformizou e centralizou aprevidência social.
 
Nesta década a previdênciasocial se firmou como principal órgão definanciamento dos serviços de saúde. Médice
1
eMendes
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concordam que aconteceu umaconcentração das políticas de saúde comextensão da cobertura assistencial.Conforme a tendência observada já noinício da década de 1950, na década de setenta,a política de saúde encontrava-se totalmentepolarizada entre as ações de caráter coletivo,como os programas contra determinadosagravos, vacinação, vigilância epidemiológica esanitária, a cargo do Ministério da Saúde e, aassistência médica individual centrada no INPS,órgão do Ministério da Previdência e AssistênciaSocial (MPAS), criado em 1974. A assistênciamédica individualizada passou a ser dominantee a política privilegiou a privatização dosserviços e estimulou o desenvolvimento dasatividades hospitalares. O processo deindustrialização acelerado observado a partir doPresidente Jucelino Kubitscheck de Oliveirafortaleceu a economia dos centros urbanos e
 
Paulus Júnior A, Cordoni Júnior L.
Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v.8, n.1, p.13-19, dez.
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 www.ccs.uel.br/espacoparasaude
 gerou força de trabalho a ser atendida pelosistema de saúde. Tal fato aprofunda anecessidade de o Estado atuar na saúde dotrabalhador, mantendo e restaurando suacapacidade produtiva.
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A expansão da medicinahospitalar é apontada por Cordoni Júnior.
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 Segundo o autor, em 1970 foram internados2,9% da população brasileira, passando para9,7% em 1980.Em 1972 iniciou-se a ampliação daabrangência previdenciária. As empregadasdomésticas e os trabalhadores rurais forambeneficiados pela cobertura de assistênciamédica no sistema de saúde e, em 1973incorporaram-se os trabalhadores autônomos.Paralelamente ao desenvolvimento dosistema de saúde acima descrito, inicia-se ummovimento intelectual e político de crítica aomesmo. Em 1976, é fundado o Centro Brasileirode Estudos de Saúde – CEBES – que marca oinício da mobilização social que seconvencionou chamar Movimento da ReformaSanitária Brasileira – MRSB. O Movimentonasceu nos Departamentos de MedicinaPreventiva e no Curso de Saúde Pública daFaculdade de Saúde Pública da Universidade deSão Paulo (USP) e rapidamente se expandiuentre os profissionais de saúde, tendo comoprincipal meio de difusão de idéias a revista doCEBES, Saúde em Debate.
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O MRSB inseria-sena luta contra a ditadura militar e preconizavaum novo modelo assistencial que destacava aimportância da assistência primária de saúde.
2
 O MRSB foi o grande indutor de convocação da8ª Conferência Nacional de Saúde, cujasrecomendações foram absorvidas pelaConstituição Federal de 1986, como adiante seexaminará.Em 1974 surge o PPA - Plano de ProntaAção e o FAS - Fundo de Apoio aoDesenvolvimento Social para enfrentar acrescente demanda curativa. O FAS, fundo derecursos públicos, emprestava dinheiro a jurossubsidiados. Tais recursos eram utilizadospredominantemente para a construção dehospitais privados. Estes garantiam o retorno docapital através do credenciamento junto aoINPS.O PPA foi um conjunto de ações quedesburocratizou o atendimento de urgência aosegurado e permitiu o atendimento ambulatoriala toda a população nos casos de urgência. OPPA é importante referência porque foi o inícioda universalização do atendimento. Na época,grandes investimentos foram realizadosprivilegiando a assistência médica em unidadesde saúde em detrimento das ações preventivas.A primeira tentativa de regulamentaçãodo papel dos municípios na política de saúdedata de 1975, com a Lei 6.229
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de 17 de julhode 1975. Tratando da organização do SistemaNacional de Saúde, continha, em seu artigoprimeiro as competências do município: 1) amanutenção dos serviços de saúde, em especialos de Pronto Socorro. 2) manter a vigilânciaepidemiológica. 3) articular os planos locais desaúde com os estaduais e federais. 4) integrarseus serviços no sistema nacional de saúde
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.Esta Lei objetivou a extensão da cobertura. Amaior parte das prefeituras gastou seusrecursos em atendimentos especializados,notadamente os de pronto socorro dando poucaatenção aos atendimentos primários.
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De fato,sob a Lei 6.229/75, a municipalização nãoprosperou.A experiência do Programa deInteriorização das Ações de Saúde eSaneamento para o Nordeste (PIASS) ocorridaem 1976, foi especialmente importante paraevidenciar a necessidade de atenção primáriade saúde (APS). O objetivo, segundo descreveMédice
1
, era levar saúde pública às regiõescarentes dentro de uma nova concepção dopensamento sanitário adotando sistemas deatenção primária à saúde com o envolvimentoda comunidade local. A idéia de APS foi,inicialmente, desenvolvida apenas no Nordeste,mas alcançou, anos mais tarde, abrangêncianacional.
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 Em 1977 o governo cria o SINPAS -Sistema Nacional de Previdência e AssistênciaSocial através da Lei 6.439/77.
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As seguintesinstituições compunham o SINPAS: 1) InstitutoNacional de Previdência Social - INPS; 2)Instituto Nacional de Assistência Médica daPrevidência Social - INAMPS; 3) FundaçãoLegião Brasileira de Assistência - LBA; 4)Fundação Nacional do Bem Estar do Menor -FUNABEM; 5) Empresa de Processamento deDados da Previdência Social - DATAPREV; 6)Instituto de Administração Financeira daPrevidência e Assistência Social - IAPAS; e 7) aCentral de Medicamentos - CEME.

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