ser expulso da terra. Além disso, quando o vassalo morria, seu primogênito tornava-setambém um vassalo, pagando ao suserano uma taxa de transmissão do poder sobre a terra.Outra característica do feudalismo era o militarismo. O vassalo, depois de sagradocavaleiro, defendia os domínios do seu senhor. A educação de um jovem vassalo consistiano fortalecimento físico, na habilidade do manejo das armas, na prática de cavalgar e caçare no treinamento para os torneios. Essa preparação militar era a condição fundamental parase tornar um cavaleiro. As guerras constantes constituíam os meios concretos de seaumentar as riquezas, pela conquista de novos territórios. A sociedade feudal dividia-se emsenhores e servos. Os primeiros administravam seus bens - castelos, armas, terras, cavalos -, adquiridos pelas guerras, pelos saques, pelas revoltas. Os segundos cuidavam daprodução, lutavam nas guerras e protegiam os castelos senhoriais.
Mentalidade feudal: senhor de terras, Senhor Deus
Na Idade Média, o pensamento cristão, baseado na crença em um só Deus, senhor de todoo universo, orientava a vida humana. No entanto, para melhor conhecer os desejos de Deus,era necessário a mediação da Igreja Católica como intérprete "única e verdadeira" dasvontades divinas, pois "só a Igreja salvaria".A Igreja, considerada como a representante dos ensinamentos de Cristo – com poderes deexpulsar demônios, curar doenças, e encarregada de espalhar a doutrina da salvação -,dirigia o comportamento humano. Na visão da Igreja medieval, o excedente daquilo que seproduzia para a própria subsistência deveria ser "distribuído". E, embora condenasse ausura e a especulação, durante o período feudal foi dona de cerca de dois terços das terraseuropéias.A religiosidade norteava todas as atitudes dos homens daquela época. Assim, porexemplo, quando o servo entregava sua produção a seu senhor, estava doando seu esforçoao Senhor Deus; quando o senhor feudal doava terras ao Papa e à Igreja, também o fazia aoSenhor Deus. E ambos seriam recompensados por isso. Essa ligação dos homens com opoder divino, por intermédio da Igreja, caracterizou o teocentrismo. traço marcante dofeudalismo.As lutas entre povos cristãos e povos bárbaros (predominantemente germânicos)começaram no início da era cristã e só diminuíram por volta dos séculos IX e X (801 a900). Durante esse período, iniciou-se uma interação econômica, política, social e culturalentre os dois povos, com o predomínio do cristianismo sobre os cultos bárbaros. Oresultado dessa aproximação foi um aumento populacional que acabou por gerar a escassezde alimentos. A produção agrícola insuficiente levou ao desenvolvimento de um pequenocomércio de trocas entre os feudos. Mas isso não foi o bastante para suprir a populaçãoeuropéia. As lutas entre servos e senhores tornaram-se, assim, constantes. Os servosreivindicavam aumento das terras para suas necessidades. Os senhores exigiam maisprodução.Como resolver os problemas que causaram a falta de alimentos? Como evitar a crisesocial, isto é, as revoltas servis provocadas pela precariedade da economia? Como impedir