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Autobiografia Reflexiva
De: Mário José da Cruz Garcia
Retrato social da minha infância.
Nasci no dia 24 de Agosto de 1965 em Lisboa. O meu pai eraserralheiro e a minha mãe doméstica. Desse tempo poucas memóriastenho, uma vez que com pouco mais de um ano nos mudamos, para aentão Vila do Barreiro.Viviam-se tempos difíceis e era na margem sul, que se encontravamos grandes empregadores, com toda a indústria que se desenvolvia à suavolta. Era também muito atractivo, do ponto de vista da habitação. Rendasmais económicas, em conjunto com os postos de trabalho criados porempresas como: CUF, Lisnave e Siderurgia Nacional, tornaram as Vilas eCidades da margem sul naquilo a que se chamavam, um poucopreconceituosamente dormitórios. Na verdade estas cidades eram assimchamadas, fruto da falta de planeamento urbanístico e do território. Devidoà procura construía-se desenfreadamente, sem ter em conta infra-estruturas básicas como escolas e hospitais ou centros de saúde, já nãoreferindo a ausência de equipamentos culturais e de lazer. Esta falta deplaneamento deu origem muitas vezes, ao surgimento de nichospopulacionais desfavorecidos e marginalizados. Até mesmo o comércio tinhadificuldade em implantar-se nestas zonas, devido à grande flutuação dapopulação, que era muito reduzida durante o horário normal de trabalho,aumentando ao final do dia. Esta situação tinha também origem naspolíticas nacionais seguidas até então, que centralizavam todos os recursosnas grandes cidades, Lisboa no caso. Hoje em dia os Municípios possuemmeios de planear, segundo o seu desenvolvimento e estratégia a aplicaçãodos recursos disponíveis. Fazem-no principalmente através do PDM (PlanoDirector Municipal), integrado em planos mais abrangentes quer nacionais,quer regionais e em que os munícipes são convidados a participar. Com adescolonização, pós 25 de Abril, estas condições que não eram boaspioraram. Muitos africanos a fugirem à guerra nos seus países, bem comoportugueses regressados, instalaram-se nestas cidades. Diferenças culturaise preconceitos com raízes no antigo regime colonialista levaram, a queessas populações fossem hostilizadas. Bairros como a Cidade Sol ou o Valeda Amoreira transformaram-se, em verdadeiros guetos onde o racismo erabem latente. Pessoalmente nunca escolhi os meus amigos pela cor da pele,nem tão pouco a educação que me foi dada pelos meus pais, alguma vezme dirigiu nesse sentido. Sempre tive amigos de origem africana, quer no
 
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meu bairro, quer na escola e sempre fui contra qualquer tipo desegregação, seja ela de ordem racial ou outra. Mas nesse tempo nem todospensavam assim, o que me levou a ter que optar por umas amizades emdetrimento de outras. Na minha opinião, grande parte deste problema temque ver com educação e respeito pelo próximo, mas também pela formacomo certos grupos étnicos são isolados, ao invés de se misturarem no seiodas populações locais, facilitando assim a sua integração. Outro aspectomuito importante para a integração destas populações são, as associaçõesatravés das quais se organizam eventos com o objectivo de integrar asdiversas comunidades. Por exemplo no bairro onde vivo realiza-se todos osanos uma festa de carácter étnico, em que se destaca a gastronomia e amúsica, com inúmeros pequenos restaurantes de rua e musica ao vivo. Sãonormalmente representadas comunidades africanas, brasileira e claro locais.
Imigração em Portugal.
Portugal em matéria de políticas de imigração optou, por um modelode abertura regulada com uma estratégia em torno de três eixos:integração, regulação e fiscalização. Fazendo uma breve retrospectiva sobrea evolução da imigração em Portugal, podemos dizer que foi a partir demeados da década de 90, que começou a aumentar significativamente onumero imigrantes no nosso país. O número de imigrantes em Portugalhoje em dia é estimado em, cerca de 4% da população residente.A imigração tem diversas causas raiz, mas prende-se sobretudo comas assimetrias entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento oumenos desenvolvidos, fazendo com que grandes massas de população sedesloquem em busca de melhores condições de vida. Prendem-se aindacom problemas políticos e sociais graves, nos países de origem. No nossopaís as maiores comunidades são, de origem Africana (das antigas colónias)e do Brasil, o que se justifica pelos séculos de passado em comum, do qualherdaram a língua Portuguesa mas também muitas características culturais,que faz com que exista uma relação de maior proximidade entre nós e quefacilita a imigração. É de salientar que este movimento de pessoas emsentido inverso tem aspectos muito positivos a nível cultural,nomeadamente com a integração na nossa sociedade de outras realidades eformas de expressão, tornando assim mais diversificada a oferta cultural.Este aumento da imigração, veio sobretudo colmatar a falta de mão-de-obra, em determinados sectores da nossa actividade económica, como éo exemplo da construção e obras públicas. Dois bons exemplos de grandesobras públicas com essas características foram, a Expo-98 e a ponte Vascoda Gama. Com a actual crise a população imigrante no nosso país foigravemente afectada, situações profissionais precárias, falta de integraçãona nossa sociedade, barreiras linguísticas e culturais, vieram concorrer
 
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decisivamente para situações de exclusão social e completo abandono. Poressa razão a prioridade na política nacional de imigração, focou-se no eixoda integração. Qualquer país tem o dever de proporcionar acesso àscondições mínimas de sustentação e integração, àqueles que contribuemcom o seu trabalho para o desenvolvimento comum. Mas esse dever não sefunda apenas em aspectos de ordem ética e humanista, há em jogoaspectos de interesse nacional, imigrantes desempregados, instáveis, comproblemas sociais, contribuem para um sentimento de insegurança doscidadãos. Nesse contexto as politicas de integração de imigrantes, devem irno sentido de que lhes sejam reconhecidos direitos fundamentais para acidadania e da parte deles, o aceitar e praticar as regras de convivênciasocial consagradas.Dentro desses direitos destaco: o reconhecimento da cidadania, e agarantia de igualdade de tratamento em particular na área social e laboral.Mas também a participação na vida política, após determinado período depermanência, facilitar a aprendizagem do português e formação para acidadania. Estas politicas devem ser amplamente divulgadas a nívelnacional, através de uma rede nacional e impreterivelmente com aparticipação das associações de imigrantes. O organismo, que em Portugaltem a missão de promover estas políticas e o diálogo entre as diversasculturas, é o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural(ACIDI).Queria aqui destacar o papel das associações de imigrantes, em todoeste processo, pois é através delas que mais facilmente se consegue fazer aponte, entre as políticas institucionais e as comunidades. Existem emPortugal inúmeras associações de imigrantes, vou aqui mencionar algumas,tentando dar uma ideia da diversidade de origem: Associação deSolidariedade Angolana em Portugal (ASAP), Casa do Brasil e umaassociação sediada aqui no conselho da Moita, a Associação Cultural dosImigrantes Moldavos (MIORITA).O associativismo legalmente constituído (Lei 115/99, regulamentadapelo Decreto-Lei 75/2000), tem como finalidade defender e promover osdireitos e interesses dos imigrantes, promovendo a integração e inserção.Desenvolver acções de apoio, promover e estimular actividades culturais esociais das comunidades. Da mesma forma estas associações têm o direito:à participação na definição da política de imigração, participar nos processoslegislativos referentes à imigração e participar em órgãos consultivos, nostermos da lei acima referida.Outro eixo da política nacional de imigração prende-se, com aregulamentação e pretende encorajar a imigração legal, através de acordoscom os países de origem. Pretende através desses acordos, dar respostarápida e eficaz aos pedidos por via legal.
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