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A estrela de Belém - Marcelo Gleiser - Horizontes - física - astrofísica

A estrela de Belém - Marcelo Gleiser - Horizontes - física - astrofísica

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06/16/2009

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A estrela de Belém
Dezembro 2007
Viaje no tempo e descubra detalhes sobre os fenômenos queiluminaram os céus do hemisfério norte à época donascimento de JesusMarcelo Gleiser,
de 48 anos, é professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos,e autor de cinco livros sobre ciência e conhecimento
"Em 12 de agosto do ano 3 a.C., ocorreu uma conjunção muito luminosados planetas Júpiter e Vênus na constelação do Leão" 
Poucos símbolos são tão evocativos quanto a Estrela de Belém.Todo presépio com a cena da Natividade mostra os Reis Magos,vindos do leste, guiados pela estrela cujo brilho dominava os céus,adornando a noite com o augúrio de um bom presságio, onascimento de Jesus. Já bem antes dessa época, os céusrepresentavam a escrita dos deuses. Para os babilônios, queinventaram a astrologia, a posição relativa dos planetas e estrelasera carregada de significado, determinando o futuro de um rei ou afertilidade das colheitas vindouras. Para os chineses, cometas eramum sinal de que algo de terrível iria acontecer. Sem compreender oaparecimento imprevisível de luminárias celestes, as civilizaçõesantigas atribuíam a elas mensagens divinas, boas e más.O que sabemos da Estrela de Belém? Segundo o Evangelho deSão Mateus, a melhor pista que temos, deduzimos que deve ter sido um objeto celeste novo, já que serviu para guiar os Reis Magosdo leste. A "estrela" apareceu duas vezes: primeiro, quando os reistiveram uma audiência com Herodes em Jerusalém; depois, ela"pairou" sobre Belém. Mateus não diz que a estrela eraparticularmente brilhante, e Herodes não a viu, pois perguntou aosreis quando ela surgiu.
 
Temos, claro, que supor que a "estrela" de fato existiu e que não erauma aparição sobrenatural. Nesse caso, a questão que váriosastrônomos e historiadores da ciência vêm se perguntando há anosé: que tipo de fenômeno astronômico poderia ter causado aaparição celeste?Para obtermos uma resposta, temos que datar o nascimento deJesus. Isso é um tanto complicado, pois não existe um registrodefinitivo. O período mais aceito pelos historiadores é entre os anos8 e 1 a.C. - ou seja, Jesus provavelmente nasceu antes de Cristo.Mesmo esse intervalo é ainda muito longo. Afinal, coisasinteressantes ocorrem nos céus todos os anos. Fontes maisrecentes localizam o nascimento em torno de 3 a.C. Quais oscandidatos astronômicos da época para a Estrela de Belém?Se supormos que o evento foi luminoso o suficiente para ser vistoem outros países do hemisfério norte, podemos descartar apossibilidade de que a estrela era um cometa ou uma explosão desupernova. Ambos os eventos teriam sido registrados por astrônomos em outras partes do mundo, especialmente na China,onde essas coisas eram levadas a sério. Ademais, cometas eramconsiderados um mau presságio. Se tivesse sido uma supernova,poderíamos ver seus vestígios até hoje. Por exemplo, a Nebulosado Caranguejo corresponde aos restos de uma supernova queexplodiu no ano 1054 e que foi devidamente registrada por astrônomos chineses e árabes.Outra possibilidade sugerida é uma chuva de meteoros ou mesmoum meteoro de órbita irregular. A probabilidade, porém, é muitopequena, pois meteoros são vistos por pouco tempo, e a "estrela"pairou nos céus por um período relativamente longo.Que possibilidade resta, então? Se olharmos para o céu em tornode 3 a.C. - e isso é possível hoje com computadores que recriamexatamente a posição dos planetas e estrelas em qualquer momento do passado -, encontramos um candidato para o evento:uma conjunção planetária especialmente brilhante. Conjunçõesocorrem quando vemos dois ou mais planetas ocuparem o mesmoponto no céu. Na verdade, estão muito distantes, mas, vistos daTerra, parecem se sobrepor. No ano 3 a.C., ocorreram nada menosdo que nove conjunções. Mas, no dia 12 de agosto, ocorreu umaconjunção dos planetas Vênus e Júpiter na constelação do Leão,
 
que, além de muito luminosa, tinha um forte significado astrológico.E devemos lembrar que os "reis" eram, muito provavelmente,astrólogos. Para os babilônios, Vênus era Ishtar, a deusa dafertilidade, e Júpiter, o planeta-rei. O casamento celeste deu origemao nascimento do menino-deus.Não podemos comprovar, ao menos sem mais dados históricos, sefoi esse o evento astronômico que transformou-se na Estrela deBelém. De qualquer forma, é importante meditar sobre a relaçãoentre a Bíblia e a História sob a luz da ciência.
Marcelo Gleiser, de 48 anos, é professor do Dartmouth College, nosEstados Unidos, e autor de cinco livros sobre ciência econhecimento
Fonte:Revista Galileu – edição 197 – dezembro 2007 – Horizontes –(pág. 39) –http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDR80140-8076,00.html- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Informações complementares
CIÊNCIA
O senhor do Universo
Ele está em jornais, nos livros, no cinema e agora na TV. Aotraduzir as maiores questões do cosmo de um modo que todosentendem, o físico Marcelo Gleiser se transformou em umcientista popEliane Brum

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