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História de Tratamento de Dependência Química e a Metodologia de Vila Serena

História de Tratamento de Dependência Química e a Metodologia de Vila Serena

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por Daniela da Silva Holtz
por Daniela da Silva Holtz

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História de Tratamento de Dependência Químicae a Metodologia de Vila SerenaDependência química e sua definição
O termo popular usado atualmente é dependência química, que "trata oálcool e outras drogas como dois lados de um mesmo problema".
1
 A definição de alcoolismo é cercada de controvérsia. "Beber a pontode prejudicar-se" é uma norma prática sensata e comum, mascostuma ser difícil determinar a disfunção real que varia com aquantidade, a proporção, o propósito e as circunstâncias práticas. Aquantidade de bebida que poderia colocar no ostracismo umítalo-americano pode ser normal para uma pessoa de origemirlandesa; o que pode pôr em perigo o emprego de um motorista deônibus, pode não constituir uma ameaça para o trabalho de um profissional não qualificado.
2
 A dependência química pode ser vista a partir dos aspectos: 1) biomédico,2) genético ou 3) psicossocial.
3
Cada abordagem tem seus proponentesdependendo do ponto de vista profissional e comercial. Assim, consensonão é esperado, mas a Organização Mundial de Saúde, na sua“Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10”elaborou a definição e normas mais respeitadas e utilizadas junto comdiretrizes diagnósticas:A síndrome da dependência é um conjunto de fenômenos fisiológicos,comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substância ou umaclasse de substâncias alcança uma prioridade muito maior para umdeterminado indivíduo que outros comportamentos que antes tinham maisvalor. Uma característica descritiva central da síndrome de dependência éo desejo (freqüentemente forte, algumas vezes irresistível) de consumir drogas psicoativas (as quais podem ou não ter sido medicamentos prescritos), álcool ou tabaco. Pode haver evidência de que o retorno ao usode substâncias após um período de abstinência, leva a um reaparecimentomais rápido de outros aspectos da síndrome, do que ocorre com indivíduosnão dependentes.
4
1
Scanlon, W. F. (1983-6), “Alcoholism and Drug Abuse in the Workplace”. NewYork: Praeger, página 3.
2
Bean, M. H., Khantzian, E. J., Mack, J. E., Vaillant, G. E., Zinberg, N. E. (1981), “Dynamic Approachesto the Understanding and Treatment of Alcoholism”. New York: Free press. , página. 14.
3
Bean, et al., 1981, página. 103.
4
“Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10”, Artes Médicas, página 74.
1
 
CID-10 aponta seis diretrizes e, quando três ou mais estão presentes, umdiagnóstico de dependência química é confirmado:1.Forte desejo ou senso de compulo para consumir asubstância. . .2.Dificuldade em controlar o comportamento de consumir asubstância em termos de seu início, término ou níveis de consumo. . .3.Uma síndrome de abstincia quando o uso da subsnciacessou ou foi reduzido. . .4.Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes orequeridas para alcançar efeitos originais. . .5.Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativosem favor do uso de substâncias psicoativas. . .6.Persisncia no uso da subsncia, a despeito de evincia clarade conseqüências manifestamente nocivas. . .
5
 Com o advento da lei sobre os planos de saúde, Lei 9656, que citadependência química no contexto de CID-10, utilizamos esses conceitos para definir a metodologia de Vila Serena, que em resumo é: Dependênciaquímica é uma doença. Assim também foi classificada pela AssociaçãoAmericana de Medicina, Associação Americana de Psiquiatria, AssociaçãoAmericana de Saúde Pública, Associação Americana de Hospitais,Associação Americana de Psicologia, Associação Nacional de AssistentesSociais, Organização Mundial de Saúde e o Colégio Americano deMédicos.
6
 Nós também utilizamos diretrizes diagnósticas mais detalhadas queentraram no cenário moderno de tratamento de dependência química com“managed care” quando os médicos americanos reagiram, organizando aSociedade Americana da Medicina de Adicção (American Society of Addiction Medicine - ASAM) e estabeleceram seus critérios, baseados noDSM-IV, mas muito mais específicos. Nós vamos eventualmente incluir esses critérios neste documento mas um resumo deles e como apresentamosdependência química aos residentes em tratamento, é um capítulo do livrode John Burns, “O Caminho dos Doze Passos”.
5
Op cit, página 75.
6
Vaillant, G., “The Natural History of Alcoholism – Revisted”, 1995, Harvard University Press, página 4.
2
 
História de tratamento de dependência química
Um pouco da história do tratamento desta doença tão comum mas de difícilcaracterização pode ajudar a esclarecer porque há tantas divergências hojesobre seu tratamento.O álcool e outras drogas modificadoras do humor sempre estiveram presentes na história da humanidade. "A arqueologia indica que esses produtos naturais têm feito parte da vida humana desde antes dahistória documentada".
7
A embriaguês é um tema invariável na históriadocumentada. Os excessos dos bacanais gregos e romanos foramcensurados nos escritos do senador Plínio e do médico Galeno.
8
Historicamente, em todo o mundo, o alcoólatra foi tratado como umcriminoso ou doente mental.
9
Somente no século XVIII o alcoolismocomeçou a ser considerado como uma patologia distinta. Aí temos umadivergência histórica, importante para nossa compreensão do tratamentoatual do alcoolismo no Brasil e nos Estados Unidos. Na Europa, a psicoterapia, especialmente a hipnose, foi usada notratamento do alcoolismo.
Dado os fortes laços intelectuais do Brasil coma Europa, principalmente com a França, essa tradição de tratar-se oalcoolismo com psicoterapia predomina no Brasil de hoje,
apesar deFreud nunca ter analisado um alcoólatra. Entretanto, nos Estados Unidos,no final do século dezenove, o alcoolismo tornou-se um problemareligioso. Surgiram organizações de temperança como os Washingtonians,Band of Hope, Cold Water Army, Lincoln Legion, Anti Saloon League,Francis Murphy Movement e, principalmente, o Womens’ ChristianTemperance Movement que pressionaram a favor da interdição nacional,que ocorreu entre 1920 e 1933.
Foi no vácuo da pós-interdição, quemuitos grupos religiosos continuaram a tratar o alcoolismo nos EstadosUnidos. Alcóolicos Anônimos nasceu nesse clima. O tratamento profissional mais inovativo e popular do alcoolismo nosEstados Unidos nasceu quando um psiquiatra, Dr. Nelson Bradley, e um psicólogo, Dr. Dan Anderson,
desenvolveram um programa que era um
7
Royce, J. E. (1981) “Alcohol Problems and Alcoholism - A ComprehensiveSurvey”, New York: Free Press, Royce, 1981, página 35.
8
Pittman, B (1988) AA “The Way It Began”. Seattle: Glen Abbey, página 1..
9
Op cit página 4.
10
Op cit página 51.
11
Ramos, S. de P., & Bertolote, J. M. (1990) “Alcoolismo Hoje”. Porto Alegre: Artes Médicas. Páginas163, 164.
12
Pittman, B (1988) AA “The Way It Began”. Seattle: Glen Abbey, página 55.
3

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