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Nesta edição:
Oficina Fabrico de Pão
2
Comer com Gosto
3
Diversidade Planetária
4
Madeira Livre de OGM
5
Proteger as Florestas
6
Breves
7
Espaço Jovem Atento
8
B
OLETIM
 
I
NFORMATIVO
 
É com agrado que registo o sucesso das últimas actividades da nossa associação. Defacto, a adesão e interesse das pessoas que se inscreveram mostraram que foi uma apostaganha a organização das Oficinas de Formação de Fabrico Tradicional de Pão.A industrialização da produção de alimentos e a comercialização em grandes superfí-cies foram distanciando-nos da verdadeira essência dos alimentos, pelo que urge recupe-rar saberes ancestrais. Por outro lado, para sermos saudáveis precisamos antes de mais dealimentos saudáveis e isso só é possível com uma produção (e comercialização) de proxi-midade, para além de práticas agrícolas adequadas, como a produção em modo biológico.Nós temos um papel fulcral, na medida em que, enquanto houver clientes (o mesmo édizer consumidores, que somos todos nós) haverá cultivo de variedades agrícolas tradi-cionais, haverá moinhos e o pão voltará a ser nutritivo e saudável como o foi outrora. Aodarmos o devido valor aos nossos produtos com qualidade estamos ainda a contribuirpara a economia local e soberania alimentar de Portugal, isto é, a reduzir a nossa depen-dência da importação de alimentos. Ou será que apenas quando as prateleiras dos super-mercados deixarem de estar sempre cheias com o que importamos, por um qualquer moti-vo (e poderão ser muitos: crise dos combustíveis, dos transportes, quebra de produçãodevido às alterações climáticas, etc) é que vamos dar o devido valor àquilo que se pode, edeve, produzir cá?
A presidente da Direcção
 
Mª Alexandra Azevedo
Editorial
A Oficina dos Sabores: "A Cozinha Sustentável" teráa participação especial de Isaura Silva, antropóloga de profissãomas uma apaixonada pela cozinha, que irá partilhar alguns dos seusconhecimentos, tais como:- combinação de alimentos (compatibilidades/incompatibilidades)- o equilíbrio ácido-básico na dieta, aprender a manter o nosso corpoalcalino- a importância de cuidar o nosso intestino (limpeza, jejuns, etc) comobase da saúde- as diversas formas de preparar o nosso alimento e os seus efeitos (aovapor, no forno, saltear)- os hábitos relacionados ao acto de comer (atitude, estado anímico)- é possível ter uma dieta equilibrada sem o consumo de alimentos deorigem animal?Iremos ainda abordar a industrialização da produção de alimentos,a contaminação dos alimentos, os alimentos transgénicos, os alimentossilvestres, a dieta mediterrânica, a pesca, hábitos alimentares e produçãode resíduos e consumo de água e energia, desigualdades no acesso a ali-mentos.Inscrições pelo Tel 262 771 060 ou e-mail: mpicambiente@gmail.com
Quando?
27 de Junho - domingo
Onde?
Sede da Associação Cultural,Desportiva, Recreativade Melhoramentos do Pereiro
(Vilar - Cadaval)
Hora início?
15 h
O
FICINA
 
DE
 
SABORES
:
A
 
COZINHA
 
SUSTENTÁVEL
 
Programa
Introdução teórica com debate
Excerto do filme “Uma verdade maisque inconveniente”
 
(Meat the Truth)
Confecção de pão de bolota, focácciade queijo e nozes, sopa Vichyssoise àminha moda, tortilha de legumes, pata-niscas de lentilhas, croquetes de aveia,salada com ervas e flores silvestres, alhofrancês à Brás, seitan, bifinhos marina-dos, tarte de labaças, mousse saudável,bolo de maçã integral decorado comflores cristalizadas
Jantar convívio
Junho de 2010
Ano 6, N.º 20
http://mpica.info
 
Conforme divulgado realizou-seuma Oficina de Formação de Fabri-co Tradicional de Pão no dia 18 deAbril e dada receptividade que rece-bemos decidiu-se repetir no dia 23de Maio.Devido ao mau tempo a primeiraoficina decorreu no moinho de Aviz
(Serra de Montejunto), reconstruído
e propriedade de Miguel Luís Nobre
(www.arteaovento.com.pt) na parte
da manhã e depois a parte da tardefoi passada na azenha do moleiroJosé Tavares Soares, mais conheci-
do por “Zé Moleiro”, enquanto que
a segunda oficina decorreu apenas no moinho de Aviz.O programa teve inicio com uma introdução teórica com as intervenções de Alexandra Azevedo (MPI) e do agri-cultor João Vieira (dirigente da Associação de Agricultores doDistrito de Lisboa e da CNA
 – 
Confederação Nacional deAgricultura), a preparação de massas, que reflectiu um pouconas transformações que têm ocorrido na agricultura nas últimasdécadas, primeiro a Revolução Verde (aumento da produçãocom o recurso aos adubos químicos e pesticidas) a que sucedea Revolução Biotecnológica (cultivo de transgénicos). A amea-ça dos transgénicos para a agricultura e a saúde das popula-ções, a lógica da competitividade imposta aos agricultores, semolhar ao prejuízo a outros níveis, como a perda de variedadesde espécies agrícolas (agrobiodiversidade), abandono da terra
 pelos agricultores “não competitivos”, perda de conhecimentos
ancestrais, erosão do solo e contaminação química (pesticidas efertilizantes químicos) foram alguns dos aspectos realçados.João Vieira mostrou ainda as suas sementes de variedades tra-dicionais que todos os anos continua a semear para que não desapa-reçam.Seguiu-se a preparação das massas de pão em que usou a lêvedanatural e algumas variedades tradicionais, como a espelta e os trigosAlmansor, Barbela e Maçaroco.Da ementa servida ao almoço destacamos coelho e grão guisadoscom ervas aromáticas (especialidades do senhor Manuel Batista,moleiro e padeiro), queijos frescos de cabra e, claro, o pão de múlti-plas variedades, onde não faltou o pão de bolota de azinheira, pão debolota de carvalho, focáccia de queijo e nozes e focáccia de azeito-nas. Os produtos biológicos produzidos local/regionalmente predo-minaram nesta refeição que foi do agrado de todos.À tarde, falou-
se da moagem tradicional tendo o senhor “ZéMoleiro” e o Miguel Luís Nobre falado da arte e de histórias de moi-
nhos, na primeira e segunda Oficina respectivamente. Terminando-se com a cozedura em forno de lenha das massas preparadas antes doalmoço e a degustação do pão obtido.Estas Oficinas foram na realidade viagens no tempo, nos saborese nas ideias!
B
ALANÇO
 
DAS
O
FICINAS
 
DE
F
ORMAÇÃO
 
DE
F
ABRICO
T
RADICIONAL
 
DE
P
ÃO
 
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OLETIM
I
NFORMATIVO
 
MPI
n.º 20 - Junho de 2010
 
 
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OLETIM
I
NFORMATIVO
 
MPI
n.º 20 - Junho de 2010
 
A
RTIGO
: COMER COM GOSTO
 Publicamos um artigo escrito por Margarida Silva, bióloga, professora na Escola Superior de Biotecnologia
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 Universidade Católica do Porto, que consideramos de grande importância pelos alertas que nos deixa sobre o que comemos numa linguagem acessível a todas as pessoas.
“Deve haver poucas pessoas que não gostem de comer, e eu não sou uma delas. Gosto de experimentar receitas
das sobremesas mais exóticas, amassar pão à procura do mais genuíno sabor, ficar-me esquecida nas livrarias a apre-ciar livros de cozinha recheados de resultados impossíveis de obter em casa. Mas não sou de olhar só para o resulta-do: os meus ingredientes escolho-os com cuidado e atenção porque é a minha família, a saúde e boa disposição detodos, que está em causa. E, neste capítulo, sou muito tradicional: procuro o melhor, sem compromisso. Por exemplo,se olho para a lista de ingredientes de uma embalagem de comida e vejo números além dos nomes... é porque foi fei-to no laboratório e não no campo. E o que sai do laboratório, pela minha lógica, não pode ser comida.Mas mesmo eliminando o que inclui números ainda sobra muita coisa que não entra no meu carrinho de compras.Por exemplo, não aprovo ingredientes que, há cem anos apenas, ninguém usaria na cozinha, mesmo se começarempela palavra Vitamina, ou jurarem que fazem bem aos intestinos. E depois ainda há aquelas comidas que se queremfazer passar por outras - chamo-lhes os travestis. Margarina e bolachas com "sabor" a chocolate são bons exemplos,mas os adoçantes que querem fazer de conta que são açúcar para poupar nas calorias são talvez daqueles a quemmais cuidadosamente barro a porta de casa. Quando tenho dúvidas, aplico uns testes muito simples: pode ser produ-zido numa quinta, ou pescado no mar? Percebo como passa do estado original para a embalagem final? Se a respostaé não, é porque não é para mim. Isso leva-me a passar ao lado de quase todo o pão dos supermercados e padarias,repleto que está de "melhorantes" e "enzimas", ou ainda da míriade de outros alimentos com espessantes, corantes,estabilizantes ou demais maravilhas da tecnologia alimentar.Claro, a maneira como a comida é processada também conta, não basta escrutinar os ingredientes. A radioactivi-dade, por exemplo, pode ter muitos fins úteis, mas comida irradiada rima com comida doente... e que nos põe doen-tes a nós. E a aplicação de radiação electromagnética (vulgo forno de microondas) garantidamente também não foipensada para nos trazer mais saúde. Quanto ao leite UHT, o tal que ainda está igual a si próprio mesmo após seismeses de esquecimento no fundo do armário, bem, arranjem leite do dia pasteurizado, encham um copo de cada um efaçam o teste à família toda, a ver se não distinguem o que ainda sabe a leite daquele que do leite já só tem o aspecto.Na busca da comida como "nos bons velhos tempos", gosto de reparar também nos ingredientes "invisíveis". Pre-firo, tal como a restante população europeia, que as minhas hortaliças sejam sem pesticidas, o meu leite sem antibió-ticos e a minha carne sem hormonas... mesmo se trouxerem o selo europeu de autorizado. Se for do campo e não deaviário ou de aquacultura, melhor. E sendo colhido e comido na época, melhor ainda.E que dizer da mais moderna de todas as invenções alimentares, os alimentos geneticamente modificados, outransgénicos? Já ouvi as sete maravilhas sobre eles: mais nutritivos, mais duradouros, mais limpos de pesticidas,muito estudados e seguros, até a fome no mundo e a crise energética (através de biocombustíveis) eles se preparampara resolver. Mas eu confesso: a primeira vez que comprei óleo de soja e depois verifiquei pelo rótulo que continhasoja geneticamente modificada senti um aperto abaixo do estômago que nunca me engana. Esta comida transgénicapode ser apropriada para cobaias de laboratório, mas não é comida de gente. Mas claro, o problema é poder escolher.Para já anda por aí soja e milho transgénico, mas já este ano a Comissão Europeia pretende aprovar arroz transgéni-co. Arroz! O mais castiço dos cereais que comemos em Portugal!Fui informar-me e fiquei a saber que os portugueses são os "chineses" da Europa: cada um de nós come em média
17 quilos de arroz por ano, enquanto os italianos, que estão em segundo lugar atrás de nós, não comem mais que uns
míseros sete quilos. Os dinamarqueses, coitados, não sabem o que é arroz doce e não vão além de quilo e meio porano. E agora, querem abrir a nossa porta ao arroz transgénico?! Isso é, para a gastronomia, o mesmo que deitar abai-xo o Mosteiro dos Jerónimos seria para a nossa história e cultura!Senhor Ministro da Agricultura: espero que goste de arroz de ervilhas, de arroz malandro, de arroz de forno e dearroz de pato. Espero, em suma, que goste de arroz, porque ser português também é isso: durante a última grandeguerra devemos em grande parte ao arroz a nossa sobrevivência alimentar. Quando se sentar em Bruxelas e chegar avez de votar o arroz transgénico, Senhor Ministro, vote por nós.Margarida Silva, bióloga

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