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Koellreutter

Koellreutter

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04/29/2014

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Formação
A paixão pela música nasceu em Koellreutter quando, aluno rebelde, com notas ruins naescola, foi proibido de sair à rua durante seis ou sete meses."...
 Não podia brincar, nem conversar com ninguém... só podia estudar. Tinha apenas12 anos [...] enquanto brincava com as coisas dos armários, descobri uma flautamilitar, vertical, como flauta doce - um instrumento austríaco... [...] Quando saí da'prisão' resolvi que ia ser músico
".Entre 1934 e 1936, estudou composição na Academia Superior de Música de Berlim eflauta no Conservatório de Música de Genebra, na Suíça, tendo como professores KurtThomas (renomado compositor e professor, especializado em corais sinfônicos), MarcelMoyse (flautista e professor francês, para o qual numerosas peça eruditas foram escritasno século XX) e Hermann Scherchen (eminente maestro alemão ligado à músicacontemporânea, cuja estréia na regência havia sido a execução do ³Pierrô Lunar´, deArnold Schoenberg, criador do dodecafonismo. Scherchen foi o responsável pela primeira audição de diversas obras que marcaram a música erudita do século XX)."
 Algo que entrou em toda bibliografia sobre mim e não está correto: dizem que fuialuno de Hindemith! [Compositor expressionista alemão, que criou um complexo sistema musical, diferente da música tonal e, também, do dodecafonismo] Eu assisti umcurso de extensão que Hindemith deu sobre a nova teoria; mas eu era um dos muitosque fez isto!" Enfático, esclarece: "quem me levou à música nova foi o maestro Hermann Scherchen - fez análises e me levou à música moderna. E a discussão sobre ododecafonismo era corrente em todos os lugares" 
.Koellreutter incorporou influências de todos locais onde esteve:
y
 
do Brasil, onde passou grande parte de sua vida adulta, o multiculturalismo, asexperiências percussivas e a criação de novos instrumentos
y
 
do Japão e da Índia, as filosofias orientais, com forte impacto sobre a sua visãoholística da música, da sua "estética do impreciso e do paradoxal"
y
 
também do oriente, a música microtonal, cujos intervalos são inferiores aosmeios-tons que representam a unidade mínima da música ocidental, e queutilizou em várias de suas composições
y
 
e, pelo contato reativado com as vanguardas européias, quando retornou por algum tempo à Europa no pós-guerra, os experimentos da música concreta e datecnologia eletrônica
P
rofessor
"
 Eu exagero certos conceitos para que eles se conscientizem mais... desperto a reaçãodeles
[...]
digo que não há coisa errada em arte! Os alunos que vão fazer composiçãotêm sempre medo de errar. Para contra-agir com esta tendência, digo isto! O errado éa incoerência com uma estética que puderem defender. Cada um pode ter sua religião -não interessa se é correto comigo... interessa se têm uma estética, uma concepção...
".
 
U
m dos princípios que seus alunos deveriam aceitar como condição para entrar em suasaulas era o de não acreditar "
em nada que pensem.. tudo deve ser colocado emdiscussão; questionar livros, professores....
"Koellreutter participou ativamente da vanguarda européia do período entre as duasguerras, onde florescia o experimentalismo musical.Com seus primeiros alunos, entre os quais estavam Claudio Santoro e Guerra-Peixe,criou em 1939 o grupo Música Viva, cuja motivação principal era estudar o atonalismoe o dodecafonismo.
y
 
 Atonalismo
é a música que se afasta da tonalidade como centro e estrutura daobra, em contraste com a música clássica européia escrita entre os séculos XVIIe XIX. As primeiras composições atonais apareceram na primeira década doséculo XX
y
 
 D
odecafonismo
é um método de composição criado em 1921 pelo compositor austríaco Arnold Schöenberg, segundo o qual, em cada peça musical, todas asdoze notas da escala cromática têm que ser usadas, e nenhuma delas podeaparecer mais vezes que as outras. O dodecafonismo é uma forma de músicaatonal, e exerceu grande influência sobre os compositores eruditos a partir doinício do século XX"
 Muitos alunos me perguntam se devem ir para a universidade.
 D
igo: vocês nãoestudam música para seguir aquilo que a academia ensina, mas para opor-se àquiloque ela quer ensinar. Estudem harmonia para contrariá-la. Esta é minha convicção:têm de aprender as regras da academia para saber como devem mudá-las para acriação de um mundo novo. Se não conhecem as regras, as marcas dos estilosanteriores, não podem criar algo novo. Precisam saber o tradicional para criar algo denovo. É realmente algo, não é tudo novo
".A gama de assuntos que Koellreutter ensinava era grande, passando pela composiçãoclássica, harmonia funcional, harmonia acústica, estética, análise musical, orquestraçãoe regência.Ensinava formalmente, e também através do convívio, como neste exemplo citado por Henrique Cazes em seu livro ³Suite Gargalhadas´ (Editora José Olímpio):"
O compositor e professor de música alemão Hans-Joachim Kollreuter chegou ao Brasil em 1937 e, em pouco tempo, se tornou o professor de todos os que queriam ser modernos. Até o Radamés foi ter aulas com ele e acabou só tendo uma pois, ao fazer  seu primeiro exercício de harmonia, ouviu do professor um comentário bem vago:
-
 Muito bom, muito bom... Radamés quis saber por que é que estava bom, pois ele escrevia daquele jeito e sabiaque soava bem, só não sabia por quê. Na falta de resposta de Kollreuter, Rada selevantou e, já saindo disse:
-
Você é igual a mim, não entende merda nenhuma de harmonia.
³
 
 As palavras são de Koellreutter:"
 Aprendo com o aluno o que ensinar. São três preceitos: 1) não há valores absolutos, só relativos; 2) não há coisa errada em arte; o importante é inventar o novo; 3) nãoacredite em nada que o professor disser, em nada que você ler e em nada que você pensar; pergunte sempre o por quê
."Educador incansável, além da atividade didática que exerceu no Rio de Janeiro criouescolas livres de música em São Paulo, na Bahia e em Minas Gerais, sempre voltadas para transformar a didática musical, incorporando elementos dos tempos modernos e deoutros ramos do conhecimento.É difícil determinar exatamente quem foi aluno de Koellreutter em cursos formais, equem participou de seus seminários, workshops e palestras.Esta é uma relação parcial de seus alunos e discípulos:Antonio Carlos Jobim, Arrigo Barnabé, Caetano Veloso, Camargo Guarnieri, Cipó,Clara Sverner, Claudio Santoro, Damiano Cosella, Diogo Pacheco, Djalma CorrêaEdino Krieger ,Esther Scliar, Gaya, Gilberto Mendes, Gilberto Tinetti, Guerra PeixeIsaac Karabitchevsky, Janete El Haouli, José Miguel Wisnik, Júlio Medaglia,Kximbinho,Marcelo Bratke,, Marco Antônio Guimarães, Marlos Nobre, Moacir Santos, Nelson Ayres, Paulo Moura, Roberto Sion, Severino Araújo, Tim Rescala, Tom Zé"
Sou um homem que se interessa não só pela música mas pela interdependência detodas as áreas
". Num de seus escritos, Koellreutter cita o pintor holandês Piet Mondrian:³
O futuro dirá que haverá um tempo em que seremos capazes de renunciar a todas asartes como as conhecemos hoje, pois então a beleza, alcançando a maturidade, teráchegado a uma realização tangível: quando a consciência tiver amadurecido a pontode que as contradições sejam percebidas dentro de sua unidade complementadora,quando o sentido da vida não mais for considerado trágico, e quando a arte tiver sidototal e plenamente integrada na vida, estaremos prontos a dispensar a arte no seu sentido tradicional, pois nesse tempo futuro tudo será arte, então de modo geral a arteteria universalmente uma utilidade sempre presente e por esta razão não mais seriadesignada como arte.
´
 
Estas palavras sintetizam o pensamento filosófico e educacional de Koellreutter namaturidade.
Carreira
Antes de viajar para o Brasil, fugindo à perseguição nazista, Koellreuter era umrenomado flautista de concerto na Alemanha.Chegou aqui em 1937, e já em 1938 tornava-se professor do Conservatório de Músicado Rio de Janeiro, o primeiro local onde deu aulas no Brasil. Mais adiante, seria professor do Instituto Musical de São Paulo.

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